Saiba como funcionam os corporate ventures

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Por Felipe Ost Scherer

30 de março de 2015 às 16:26 - Atualizado há 6 anos

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Tenho trabalhado com o tema gestão da inovação em empresas de diferentes portes e setores nos últimos 10 anos e invariavelmente surge a discussão relativa à como seria mais fácil inovar se estivéssemos do outro lado. Na prática significa que a grande fica lamentando a burocracia, lentidão, pouco apetite por riscos e as pequenas, por sua vez, da falta de estrutura, dinheiro, pessoal, etc….

Algumas questões acredito ser importantes para termos em perspectiva. Em primeiro lugar cabe ressaltar que essas diferenças  são uma realidade na maioria das empresas. Toda startup sonha em ter o orçamento da grande e toda grande sonha em ser flexível como uma startup. Nessa intersecção de interesses é que crescem as oportunidades para ambos os lados.

O interesse das grandes empresas é estratégico, poder identificar e desenvolver novos produtos, serviços ou tecnologias que irá alavancar o negócio no mercado atual ou em novos mercados. Elas buscam incrementar o tradicional modelo de P&D com algo mais rápido, melhor e mais barato. E aí é que as startups entram em cena! . Especialmente quando falamos em inovação radical ou disruptiva.

As grandes empresas atuando como capitalistas de risco ou estruturando campanhas pontuais para busca de inovação em startups, algo pode gerar benefícios para os dois lados. Um estudo conduzido por Thomas Chemmanur e Elena Loutskina com um base de dados de mais de 20 anos apontou que as empresas que foram investidas por corporate ventures, ou seja, grandes empresas, tiveram um desempenho bastante superior que as que não foram. Na prática significa dizer que os dois lados saíram ganhando.

Na Innoscience quando estamos apoiando grandes empresas na estruturação desse tipo de iniciativa de inovação aberta utilizando startups seguimos o fluxo abaixo.

Direcionamento Estratégico

As grandes empresas avaliam suas necessidades internas, baseada no plano estratégico que identifica problemas e oportunidades. A partir daí elas buscam priorizar e definir tipos de inovações que as startups podem ajudar.

Planejamento da Execução

A partir da definição do direcionamento pode-se definir se o modelo de busca será push ou pull (ou ambos), além de estruturar os mecanismos de atração, filtro e funding.

Screening Estratégico

Chega a hora de capturar oportunidades dentro da estratégia definida através de um conjunto de possibilidades que incluí a busca das startups com o perfil desejado. O StartSe, por exemplo, é uma ótima fonte para esse tipo de busca, assim como busca-se em aceleradoras, incubadoras, universidades e outros eventos que reúnem startups. Alternativamente a própria empresa pode criar sua campanha ou evento de atração.

Filtro de Oportunidades

É preciso agora realizar a análise das startups candidatas e preparar aquelas de maior potencial para avaliação da grande empresa. Normalmente a aproximação se dá através de reuniões ou eventos de demonstração com a participação de executivos.

Aceleração da empresa e tecnologia

Aquelas que possuem maior potencial podem requerer uma fase posterior de aceleração (outras podem ir direto para a fase de integração). Essa fase é dedicada a um aprofundamento do alinhamento de startup com demanda da empresa, realizar o processo de pivotagem para ajustar a tecnologia ou mesmo o produto ou serviço desenvolvido.

Integração com empresa

Após a aceleração há uma nova avaliação para validar o real potencial de ganho na integração aportada pela startup. A preparação para a integração e sua efetivação é muito importante para obter os resultados esperados.

Essa sequência pode sofrer ajustes conforme a realidade setorial ou da outros fatores mas de forma geral é o que acontece. Não entrei nos detalhes relativos à propriedade intelectual e condições dos acordos pois esses temas requerem outro texto, dada sua importância. Para a startup, esse tipo de movimento não é a única alternativa para o crescimento ou alavancagem do seu negócio mas deve ser considerado e merece uma avaliação criteriosa quanto ao parceiro que estará do outro lado.