Fender, marca de guitarra, inova dentro de casa e entra no mundo das startups

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Por Fernanda Romano

24 de agosto de 2017 às 09:57 - Atualizado há 3 anos

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Uma das grandes preocupações dos CEOs das grandes organizações é ruptura em seus modelos de negócio. Segundo a última pesquisa com CEOs da PWC, no que tange ao potencial de crescimento e competitividade, esse item é o primeiro na lista. Em nossos trabalhos com mudança organizacional e inovação para grandes empresas, defendemos a adoção de um pensamento similar às organizações exponenciais que vimos surgir nos últimos 15 a 20 anos em companhias como Google, Airbnb e Facebook para conseguir se antecipar às surpresas inesperadas e evitar se tornar a próxima Kodak.

Um dos caminhos que sempre apontamos é a inovação aberta, mantendo um relacionamento saudável com o ecossistema de start-ups. Mas start-ups também podem acontecer dentro de casa e foi por isso que, quando li sobre o lançamento de um novo aplicativo; o Fender Play, de aulas de guitarra, fiquei curiosa e fui atrás de saber mais.

Foi assim que descobri uma organização exponencial chamada Fender Digital, fundada em Setembro de 2015, dentro de uma das fabricantes de instrumentos mais tradicionais – e admiradas – do mundo.

A iniciativa

A empresa opera sob direção geral de Ethan Kaplan e foi fundada em Setembro de 2015. O principal insight de Kaplan e seu time veio depois de uma pesquisa de Mercado: eles descobriram que quase 50% dos compradores de guitarras a cada ano são novos músicos, mas a maioria deles (90%) desiste nos primeiros meses. “Percebemos que poderíamos ter um impacto significativo na taxa de retenção (desses novos músicos) se criássemos produtos digitais que os ajudassem a superar esse primeiro ano.”

Mas o time não parou aí; “A aprendizagem on-line está se tornando o principal canal pelo qual as pessoas aprendem e era natural fazer um produto que atendesse a essa necessidade. Na aprendizagem on-line, nós, da Fender, precisaríamos priorizar qualidade, especialmente através do currículo e dos vídeos. Queríamos fazer um produto com o mesmo nível de qualidade que nossas guitarras.” Além disso, Kaplan diz que os negócios físico e ‘digital’ se complementam e “a interação entre eles pode promover o relacionamento vitalício da Fender com cada usuário.” A ideia é que não haja momentos em que não exista um produto Fender para atender às necessidades do consumidor.

O Play é o segundo aplicativo. A Fender lançou o Tune em 2016. Segundo a empresa, a Fender Digital passou de um funcionário para mais de 80 em pouco mais de um ano e tem sido grande foco do negócio como um todo. “Trabalhamos de mãos dadas com o time de instrumentos e buscamos trazer o mesmo nível de qualidade aos nossos produtos digitais”, diz Kaplan, “Ainda assim, foi tudo construído a partir do zero – desde o primeiro servidor.”

Mindset de startup

O aplicativo foi lançado há pouquíssimo tempo, mas a empresa aposta no sucesso e, como boa pensadora exponencial, se utiliza de feedback loops rápidos aprendendo e respondendo em tempo real a seus usuários. Com o Play, a empresa espera remover as barreiras da primeira curva de aprendizado e aumentar o número de tocadores de guitarra. O currículo foi pensado para isso, com micro-lições e objetivos realistas para o novo músico e com uma nova audiência em mente.

“Pensamos muito no modo como o currículo é organizado, assegurando que, de vídeo para vídeo, exista um nível básico de qualidade assumida. Isso significa que você não está tentando montar vídeos com base nas recomendações e pesquisas do YouTube. Isso também significa que os ângulos, o áudio, a cor e o conjunto são super consistentes. Nós queríamos que fosse assim para que a pessoa realmente se preocupasse em aprender, não a recalibrar sua mente para novos ângulos de câmera e professores ou áudio ruim … e nem mesmo unhas sujas”, complete Kaplan.

De olho no futuro

Infelizmente, a empresa não tem planos para criar conteúdo em outros idiomas ainda – não estão descartados, mas não é o foco – você tem que baixar e usar em Inglês se quiser aprender a tocar guitarra. Mas promete que o produto ainda está longe de concluído, novas músicas, novas lições e mais gêneros musicais estão a caminho e, por que não, outros instrumentos, que serão lançados em breve.

Desde o lançamento do Play, notei a empresa nos noticiários de negócios e tecnologia, onde não me lembro de ter visto menções à marca anteriormente. Acho que dá pra dizer, pelo menos por enquanto, que a Fender entendeu claramente a mudança de contexto em seu universo e está trabalhando seriamente para continuar a ser uma das empresas mais respeitadas na música. E que o universo das start-ups pode ser maior do que a garagem da sua casa.

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