“Existe uma Tigre antes da StartSe e outra depois”, diz executivo da empresa

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

18 de setembro de 2018 às 15:00 - Atualizado há 2 anos

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Já imaginou como seria inovar e adotar novas tecnologias em um setor tradicional e pouco explorado? Assim começou a trajetória da Tigre, empresa referência no mercado de construção civil, rumo à transformação digital. A companhia iniciou sua jornada com um objetivo principal: trabalhar com novas tendências e usar a inovação aberta como estratégia para crescimento.

“A construção civil ainda é pouco desenvolvida em termos de inovação. As oportunidades e startups começaram a surgir há pouco tempo”, explica Lia Koser, corporate innovation da Tigre. De fato, o setor é um dos menos explorados globalmente. Segundo a consultoria McKinsey & Company, a construção civil é o penúltimo em termos de inovação, atrás apenas de agricultura – um segmento onde o Brasil se destaca.

Diante disso, a companhia entendeu que precisava se reinventar para se destacar e sair à frente – adotando a tecnologia e estreitando o relacionamento com empresas jovens, mesmo em um mercado pouco convidativo e com baixo nível de inovação. Só as inovações no Brasil não bastavam. 

Um lugarzinho no Vale

Por conta disso, a Tigre entendeu que precisava ir além das terras brasileiras para realmente inovar. Garantir um lugar no Vale do Silício, maior polo de inovação do mundo, seria uma boa oportunidade, mas também um movimento inevitavelmente arriscado. Isso porque ter uma sede na Califórnia envolve muito investimento, pois requeria criar uma estrutura inteira do zero para ter uma análise crítica e constante de dados e tendências.

Assim a companhia se tornou parceira da StartSe, estabelecendo uma relação muito próxima com o Vale do Silício sem de fato estar lá. Como isso foi possível? Com o Corporate Venture as a Service – serviço da StartSe que conecta a estratégia da empresa com ecossistemas de inovação variados – no caso da Tigre, esta conexão foi com o Vale do Silício. “Com a estrutura que já temos no Vale do Silício, a companhia consegue ter acesso à tendências e dados para entender o que está acontecendo no mercado e criar uma estratégia com essas informações”, explica Luiz Neto, Head Corporate USA da StartSe.

Na prática, as empresas podem ter acesso à todas as tendências globais do setor de forma segura e estruturada. Foi então que a Tigre pôde começar, há um ano e meio, sua jornada digital muito à frente de outras companhias do setor.

Na prática

“Auxiliamos os profissionais da companhia a entender como inovar e digitalizar a empresa. Para isso, planejamos um projeto dividido em etapas”, explica Neto. No caso da Tigre, o primeiro passo foi entender onde a empresa gostaria de chegar, os gargalos e as oportunidades do setor. “Quando a companhia entende o seu objetivo, conseguimos traçar uma ação mais assertiva”, explica Neto.

Além de definir o que é mais relevante para a empresa, foram feitos estudos globais sobre o setor de construção e startups da área para construir um panorama completo de como a inovação está afetando o mercado. Os dados foram conectados ao sistema de Inteligência Artificial da StartSe para gerar insights.

A partir daí começou uma intensa rotina entre os profissionais da Tigre e da StartSe. “Todas as atividades voltadas à nossa estratégia nos Estados Unidos são tratadas no Corporate Venture as a Service. Recebemos reports frequentemente com as melhores oportunidades de negócios com startups ou qualquer outra entidade dos Estados Unidos”, explica Lia.

Segundo a executiva, a companhia tem trabalhado em duas frentes com o serviço no Vale: a geração de novos negócios – que não necessariamente estão relacionados ao core business da companhia -, e a otimização de processos e redução de custos. “O objetivo é relacionar a empresa com startups e manter acordos para prestação de serviços”, explica.

Prêmio de inovação

Com o relacionamento mais próximo das startups, a Tigre já testou amostras e está com futuros projetos em andamento. “Passamos a envolver a diretoria e os principais executivos da companhia. Temos alguns processos mensais no qual fazemos avaliações das startups”, explica Sandro Luís Silva, gerente de inovação da Tigre.

Segundo o executivo, todos começaram a enxergar os benefícios do relacionamento com as startups e, aos poucos, estiveram mais preparados para discutir inovação – o que fez com que a companhia crescesse e lançasse ainda mais novos produtos.  Hoje, a Tigre já tem mais de 15 mil itens em seu portfólio e lança cerca de 500 produtos por ano.

Não foi à toa que a companhia foi premiada, em julho de 2018, como a mais inovadora do segmento de Materiais de Construção e de Decoração em um ranking desenvolvido pelo jornal Valor Econômico, saindo à frente das concorrentes do mesmo setor. A empresa também conquistou o 36º lugar no ranking geral das mais inovadoras do Brasil.

A pesquisa foi conduzida  pela consultoria Strategy&, com apoio da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), e listou 150 grandes companhias que adotam as melhores políticas de inovação em diferentes segmentos.

Próximos passos

Com o contato mais próximo com o Vale do Silício, a Tigre passou a fazer conexões ao redor do mundo e abriu a mente de seus principais executivos. “Para o futuro, pretendemos cada vez mais nos conectar com as startups de ponta de outros países, gerando conhecimento e expertise para as áreas estratégicas”, ressalta Lia.

Segundo Silva, gerente de inovação, ainda há um longo caminho para seguir, mas a companhia já avançou, e muito, em sua caminhada digital. “Ainda não estamos totalmente prontos, já que aprendemos sempre coisas novas. Mas uma coisa é certa: existe uma Tigre antes da StartSe e outra depois”, termina.