Fato: chegou a hora das empresas irem atrás das startups

A crise faz com que seja imperativo correr atrás de novas tecnologias e inovações

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Por Da Redação

9 de novembro de 2017 às 11:00 - Atualizado há 2 anos

“Crise” é uma palavra que deveria estar na cabeça de todos os empreendedores, sem dúvida. Não é uma hora de lamentar: o empreendedorismo floresce sob a crise e oportunidades são criadas. E um dos principais pontos é que ela faz com que empresas corram atrás de inovações na forma de startups – o famoso corporate venture.

“Antes da crise, praticamente todas as empresas já discutiam as diversas mudanças e rupturas que iriam ocorrer no comportamento de consumidores e mercados”, avisa Cristiano Kruel, Head of Innovation da StartSe. “A maioria das empresas procrastinavam ações e mudanças. A crise só fez acelerar este senso de urgência de que algo novo precisa ser feito. O contra-ponto é que todas estas incertezas aumentam a percepção de risco e o medo, e isto faz as empresas continuarem procrastinando.

O efeito psicológico da crise, porém, não é desprezível, na opinião de Kruel. “A crise obviamente atrapalha, mas existe um contra-efeito que não é difícil notar. As mudanças de comportamento ocorrem mais por tristeza que por alegria. Percebo vários consumidores e empresas mudando seus hábitos de compra, estando mais abertos as novas ofertas. Isto significa que os novos entrantes – como as startups – serão mais consideradas como substitutos”.

Está na hora, portanto, de que elas deixem de procrastinar e corram atrás das inovações que vão mantê-las no topo: é hora de adquirir empresas menores, startups e investir em pesquisa. Para ele, não há dúvidas de que vivemos um momento muito interessante de desenvolvimento tecnológico e disrupção. “Tenho a impressão de que nunca tantas empresas procuraram saber tanto sobre inovação, startups, cultura empreendedora, concorrência disruptiva, venture capital”, diz.

Essas mudanças criam uma economia completamente nova, mais integrada e produtiva – melhor do que a anterior em praticamente todos os sentidos. “Alguns gostam de descrever esta nova Startup Economy como uma ‘revolução’. Eu discordo. Acho que é muito mais forte que isto. Trata-se de uma ‘evolução’”.

Veja também: a Nova Economia está revolucionando a cultura de gestão corporativa. A tecnologia tem desafiado modelos de negócios estabelecidos. As boas práticas de gestão e governança são importantes, mas não aceleram mudanças disruptivas. Existe um novo ecossistema de inovação que quer tomar o mercado dos incumbentes. Como juntar forças e se beneficiar dessa conexão, visando tanto a inovação radical, quanto a inovação incremental?  Não perca a oportunidade de conhecer o evento que a StartSe está promovendo sobre inovação corporativa via startups.

Kruel também destaca que um dos pontos principais para esta mudança é a facilitação da cultura do empreendedor nos últimos anos, com reduções importantes de custos que deixa as pessoas realizarem testes de maneiras muito mais simples atualmente. “Já faz tempo que sabemos e notamos que o empreendedorismo está se tornando mais acessível, o conhecimento está ao alcance de quase todos, as tecnologias de ponta estão à disposição, os mercados estão ao alcance de um clique e na nuvem, e muitos hoje podem a um custo muito baixo criar rupturas nos mercados estabelecidos”, diz.

Para ele, esse o momento mais interessante de empreender, de criar, inovar, fazer acontecer! “Você precisa conhecer o novo P&D do mundo. São milhões de pessoas lá fora – jovens e velhos, pobres e ricos, estudantes, auto-didatas, PhDs, ex-executivos, profissionais de todas as áreas, pequenos investidores e grandes fundos de capital de risco – todos eles pesquisando tecnologias e mercados, interagindo com e como clientes, criando protótipos, tentando, testando e aprendendo rápido. Todos querendo criar rupturas no mercado que as empresas estabelecidas tanto conhecem e dominam. E nunca foi tão fácil e barato tentar criar um novo negócio de grande impacto e escalável”, comemora.

Estamos atrás, mas no caminho certo

Aqui, porém, ainda estamos um pouco atrás dos mercados desenvolvidos – muito embora Kruel destaque que isto está mudando. “No Brasil tudo é mais difícil. Juro alto, Venture Capital ainda não faz parte da agenda de todos que poderiam investir, temos incertezas de todos os tipos, e também um histórico das primeiras ondas de aceleradoras e fundos que não conseguem gerar valor. Mas estes estavam aprendendo e isto é bom, é necessário. Mas, infelizmente, isto também alimenta o discurso dos céticos”.

Com uma economia digital relativamente pouco desenvolvida perto de mercados mais maduros, o Brasil ainda tem muito o que aprender – abrindo grandes oportunidades para os empreendedores. “A oportunidade óbvia é aprender logo o que é e como esta Startup Economy pode fazer parte da sua vida. Seja você um pai, um profissional liberal, um executivo de sucesso ou um demissionário, uma pequena empresa ou uma grande corporação, um pequeno investidor ou gestor de um grande fundo”.

Para ele, há três formas de se trazer valor lá de fora para dentro do Brasil:

“Uma delas é identificar modelos de negócios lá fora que poderiam ser trazidos para o Brasil. Eu não sugiro copycat (termo usado para sugerir que estamos apenas copiando algo), mas sei que muitas destas experiências lá de fora poderiam servir de inspirações para empreendedores no Brasil.

Outra perspectiva é sobre tecnologias. Como disse Kurzweil (co-founder da Singularity University) o que diferencia nós seres humanos dos outros animais é a nossa capacidade de ‘criar tecnologias que permitem criar novas tecnologias”. Pois bem, existem oportunidades reais de buscarmos lá fora tecnologias que nos ajudem a criar as nossas próprias tecnologias e inovações.

Por último, penso que muitas outras inovações estão embebidas no formato de startups. Tanto os pequenos empreendedores como grandes empresas podem encontrar nas startups lá de fora os mecanismos para também catalisar a suas próprias inovações”, finaliza, mostrando que há inúmeras formas de desenvolver nossa economia digital.

Uma mudança de cultura é imperativa para que o Brasil inicie uma trajetória saudável, na opinião de Kruel. “Para criarmos inovadores precisamos essencialmente de educação e liberdade. Mas também de um ecossistema que ajude a orientar, desenvolver, investir e acelerar negócios”, conclui.

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