5º Encontro Open Innovation BR reúne empreendedores e startups no inovaBra habitat

Evento gratuito promoveu debates sobre inovação colaborativa e teve a participação de 12 palestrantes

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

30 de julho de 2018 às 16:16 - Atualizado há 2 anos

Open Innovation

Há cerca de um ano e meio, Alexandre Mosquim, da Votorantim Cimentos, Bernardo Estefan, da Oito – Oi telefonia, Alexandre Grenteski, da Renault/Nissan e Daniel Lange, da Bosch, criaram, de forma orgânica e informal, o Open Innovation, um grupo de Whatsapp para o compartilhamento de experiências de sucesso e fracasso no dia a dia.

Aos poucos, o grupo cresceu e atingiu a lotação máxima de 256 membros, migrando para o Slack – uma ferramenta de integração de equipes. “A iniciativa tem evoluído muito. Nascemos de quatro empresas que se conectaram para compartilhar informações, inclusive cases de insucesso. Hoje, temos mais de 700 pessoas no Slack”, conta Mosquim. Segundo o executivo, o Open Innovation deixou de ser um espaço apenas para compartilhar artigos ou informações para se tornar uma ponte de conexão entre os participantes.

Assim, o contato, que acontecia virtualmente, se transformou em encontros por todo o Brasil. O primeiro deles foi no dia 23 de março de 2017, no Rio de Janeiro, e contou com 20 participantes. Desde o começo, a intenção dos executivos era reunir ainda mais empresas para compartilhar o conhecimento. O segundo encontro Open Innovation BR aconteceu em São Paulo, no CUBO, co-working voltado à startups e inovação do Itaú, e reuniu cases da Votorantim, Unilever, CISCO e Porto Digital. Ao todo, já foram cinco encontros desde então.

O último deles, na última segunda-feira (23), aconteceu no inovaBra Habitat, o ambiente de inovação colaborativa do Bradesco. Com palestras distribuídas por todo o dia, os participantes puderam ter contato com executivos, startups e profissionais de inovação de várias empresas. “Criamos os eventos para fazer essa conexão entre pessoas de diversas áreas. Tanto o antes, durante, quanto o depois dos encontros são extremamente válidos. A troca de informações é contínua”, ressalta Mosquim.

Colaboração e cases de sucesso

Pela manhã, os participantes tiveram acesso à cases de novos produtos e modelos de negócio com inovação colaborativa. Bruna Bueno, responsável pela área de inovação da Braskem Digital Center, e Claudemir Silva, gerente geral da Votorantim S.A., foram os palestrantes. Durante pouco mais de meia hora, a discussão girou em torno do mercado brasileiro e sobre como traçar um caminho de inovação nas empresas. “É importante olhar as dores do negócio e saber como a tecnologia pode ajudar. Além disso, desenvolver um time interno e engajar todos os líderes para essa mudança”, reforçou Bruna durante a conversa.

A executiva explicou que a Braskem, assim como outras empresas, passa por um novo momento, em que a inovação já faz parte do cotidiano. Entre os projetos da companhia estão o Braskem Labs, programa de aceleração de startups, e os sprints de inovação internos, em que os profissionais da empresa apresentam ideias inovadoras. “Éramos acostumados a fazer reuniões longas, de mais de uma hora, e nos deparamos com pitch days de nove minutos para falar sobre novos projetos para os executivos da Braskem. Isso mudou a cultura da empresa”, ressaltou.  

Os participantes levaram para casa quatro aprendizados para inovar e transformar uma companhia: engajar líderes, quebrar barreiras das áreas de negócio, sair da zona de conforto e fazer com que toda a empresa entre nessa jornada.

A segunda palestra foi sobre a inovação colaborativa e o que o Brasil pode aprender com ela. Roger Serrati, gerente de inovação do inovaBra, Felipe Matos, head da 10k startups, Renato Santos, da Ilumminario e Jimmy Lui, responsável pela área de inovação da Accenture, falaram sobre os desafios, oportunidades, e a cultura de colaboração dentro das empresas no país.

Os profissionais refletiram sobre o mundo corporativo, o relacionamento com as lideranças da companhia e sobre as etapas para transformar, de forma colaborativa, os negócios. “São três importantes etapas: descobrir, desenvolver e escalar”, ressaltou Lui, responsável pelo Up Innovation Lab, programa de conexão com startups da Accenture. Segundo o executivo, é essencial estar atento às mudanças de mercado e mapear os processos da empresa.

Para Serrati, do Bradesco, a colaboração não pode ser apenas interna. “O inovaBra lida com startups o tempo todo, com um relacionamento de dentro para fora. À medida em que elas são selecionadas para atuar aqui dentro, nós trocamos experiências e, juntos, aceleramos os processos internos do banco”. Segundo o executivo, um comitê de inovação se reúne mensalmente para que os projetos cresçam ainda mais.

Inovação na mídia e boas práticas jurídicas

Na parte da tarde, a conversa foi sobre como tornar cases de inovação relevantes para a mídia. Para isso, Ellen Nogueira, jornalista e produtora de reportagens da TV Globo, propôs que os participantes pensassem em como suas ideias mudaram a vida das pessoas. “Se você tem uma empresa inovadora ou está a frente de um projeto relevante, é importante encontrar um ganho com a realidade brasileira para conseguir um espaço na imprensa”.

Por fim, debates sobre boas práticas jurídicas na inovação colaborativa e sobre confiança mútua e inovação encerraram o evento. No primeiro deles, Bruna Bueno, da Braskem, Alexandre Uehara, professor de empreendedorismo e inovação da FIAP, Marcella Valsi, advogada da Braskem e Danny Kabiljo, fundador e diretor comercial da startup FullFace, falaram sobre a relação entre grandes empresas e startups e sobre como colocar uma ideia em prática seguindo as leis. “A conexão de startups com grandes empresas já é de interesse mútuo, mas é preciso estar atento às etapas jurídicas, que muitas vezes são mais engessadas”, ressaltou Kabiljo. Segundo os executivos, envolver desde o início essa área da empresa, é fundamental.

Na última palestra, estiveram presentes Humberto Shida, CIO global da Votorantim Cimentos e Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, pesquisa e inovação do Bradesco. Com mediação de Marcelo Nakagawa, professor e consultor do Insper, Shida falou sobre o processo de transformação da empresa. “Precisei entender como garantir essa mudança mantendo a operação, a TI e as demais áreas do negócio sustentáveis. Para isso, envolvemos toda a organização e apoiamos a TI em três pilares: operação, projetos e novas arquiteturas e soluções”.

Para Cavalcanti, a inovação é constante e acompanhou o Bradesco desde os primeiros cartões de crédito. “Criamos o inovaBra justamente para que todos pudessem contribuir nesse processo. Hoje, temos em nosso prédio quase 100 startups. O tempo todo buscamos trazer experiências diferentes para os nossos clientes”.

Próximos passos

Segundo Alexandre Mosquim, o objetivo é levar o encontro Open Innovation BR para todo o Brasil. O grupo esteve presente no Rio de Janeiro neste último final de semana, dentro do Hacking Rio, e estará em Brasília, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, Recife e Goiânia nos próximos meses. “Cada vez que criamos um grupo de organização de um evento, ele se torna o squad local, que continua com ações para melhorar o ecossistema dali. O intuito é deixar pontos de inovação em todas as cidades”, concluiu.

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