Como o coronavírus está impulsionando a transformação do varejo – ReStartSe 01/04

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

2 de abril de 2020 às 12:25 - Atualizado há 2 meses

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A imposição da quarentena e o fechamento da maior parte do comércio está causando uma profunda transformação no varejo. As companhias que ainda não haviam criado uma atuação online de e-commerce agora estão apostando, por necessidade, nessa opção.

Nesta quarta-feira (01), as aulas do #MovimentoReStartSe abordaram como estão sendo essas mudanças e trouxeram dicas práticas de como criar um e-commerce. O ReStartSe é um programa de capacitação com especialistas do Vale do Silício, China e Brasil 100% gratuito e online para auxiliar empresas e profissionais a saírem melhores dessa crise – saiba mais.

Confira o resumo do dia:

Bruno Oliveira e Maurício Benvenutti: Como você pode se preparar para vender online

Bruno Oliveira, fundador do “E-commerce na Prática”, foi categórico: com o momento em que estamos vivendo, não há custo de oportunidade para o varejo offline entrar no online. “A loja física é quem está mais preparada para entrar no e-commerce, pois já tem o produto, clientes e entende de varejo e preço – só precisa entender como fazer a transição”, afirmou.

O primeiro passo é a pesquisa. Embora o varejo físico já possua facilidades, deve se adaptar ao novo formato e pesquisar quem são os novos concorrentes, se há mudança nos valores já praticados e quais são os melhores produtos do próprio portfólio para iniciar a venda. O segundo passo é investir em planejamento de mídia social e no relacionamento de audiência com a internet, mantendo um público engajado.

O terceiro passo é criar o site da loja virtual ou vender em um marketplace. É necessário pensar na identidade visual, descrição dos produtos, qual a missão da empresa e possuir imagens de alta qualidade. Em seguida, é recomendado contratar um sistema de gestão (RP) para integrar o estoque online e offline e do site com o marketplace (se houver). O quinto passo é escolher os métodos de pagamentos online.

Dra. Renata Thiebaut e Felipe Lamounier: A nova era do varejo online e offline

Mas após criar um e-commerce, como operar unindo o melhor do online e offline? Esse foi o tema da terceira palestra, que teve como convidada a Dra. Renata Thiebaut, líder de pesquisa na Web2Asia. Por morar na China, a especialista vê a integração acontecendo na prática.

Possuir um método de pagamento online – como o reconhecimento facial ou QR Code – mesmo em uma loja física é uma forma de os varejistas conhecerem cada cliente que está comprando, como seria em uma loja online. A análise dos dados permite descobrir quais os principais hábitos de compra do cliente (inclusive se ele também possui o costume de comprar online), bem como passar a ter uma oferta mais assertiva de acordo com seus interesses.

Ela também citou que, com o coronavírus, o momento é crítico para muitas empresas, mas não para todas. “As vendas do supermercado Aldi aumentaram em 15 vezes na China porque eles possuem entregas realizadas em 30 minutos. Independente do orçamento que possuir para tecnologia, é errado não entrar no novo varejo”, afirmou.

Ao vivo com Laura Kroeff e Pedro Englert: Como o Coronavírus acelerou mudanças no consumidor

As mudanças estão presentes não apenas no varejo em si, mas também na forma que os clientes consomem. Para Laura Kroeff, vice-presidente de produto da Box1824, durante e após a crise crescerá o consumo consciente. “Vamos observar um consumidor mais crítico para saber se o produto vale o que ele está pagando, pela preocupação financeira e ambiental”, afirmou.

A preferência pelas “escolhas locais” irá aumentar – comprar dos estabelecimentos menores e mais próximos, viajar pelo próprio país, por exemplo. A transparência também será cada vez mais valorizada, inclusive nos processos realizados (a exemplo da manipulação de alimentos e entregas sem contato) e no cuidado com os funcionários.

Por fim, as empresas movidas pelo propósito e não pelo benefício financeiro deverão se destacar. “As ações de empresas sustentáveis são valiosas e hoje o consumidor está mais informado e com senso de responsabilidade social forte. Os negócios com impacto positivo nas pessoas e no planeta serão valorizados, principalmente os que possuem foco no Brasil e na América Latina”, afirmou a consultora.

Ana Fontes e Junior Borneli: Mulher empreendedora

De acordo com um relatório de 2019 do Sebrae, há 24 milhões de mulheres empreendendo no Brasil. A informação é confirmada por Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora: “De 100 CNPJs que são criados hoje, 52 são liderados por mulheres”, afirmou. Hoje, o sexo feminino está cada vez mais presente nas lideranças das companhias – apesar de todos os desafios.

A professora explicou que o primeiro desafio está na educação. Embora o STEAM – o ensino de ciência, tecnologia, engenharia e outros – esteja crescendo no país, ainda não é uma opção amplamente difundida entre as meninas. Ainda existe a concepção de que determinados cargos são para homens e outros para mulheres. Dessa forma, elas acabam optando por outros caminhos, tornando mais difícil a chegada no empreendedorismo ou em cargos de liderança executiva.

Além de mudar este cenário na educação de meninas e de jovens mulheres, a empreendedora deu uma outra opção: que as empresas apostem em diversidade. “A diversidade não é uma moda ou uma tendência, ela é fundamental para a sobrevivência das empresas”, disse. Para quem não sabe por onde começar, ela recomendou, por exemplo, o auxílio de agências especializadas para incluir não apenas o sexo feminino, mas apostar também na inclusão de raça e faixa etária.