“A biotecnologia é a quarta revolução industrial”, diz Ryan Bethencourt

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

5 de Maio de 2018 às 12:44 - Atualizado há 2 anos

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Ryan Bethencourt é doutor em medicina regenerativa, empreendedor e investidor em biotecnologia. Bethencourt usou sua experiência para co-fundar a maior aceleradora de startups de biotech do mundo, a IndieBio, e recentemente criou a Wild Earth – uma startup que utiliza a biotecnologia para criar alimentos proteicos para pets.

O empreendedor esteve neste sábado (5) no Silicon Valley Conference, evento da StartSe que traz o Vale do Silício para o Brasil por um dia. Em sua palestra, Bethencourt afirmou que a biologia é a quarta revolução industrial, apresentando os principais motivos nos quais a biotecnologia é e ainda será mais importante para o mundo.

Grandes empresas já estão desenvolvendo produtos inovadores utilizando novas tecnologias, utilizando recursos naturais com menor impacto ambiental – é o caso da Adidas, por exemplo. A empresa lançou o Futurecraft Biofabric, um tênis feito de Biosteel fiber, tecido feito completamente a partir de teia de aranha. “O tênis feito com teia de aranha possui muita proteína e é 10 vezes mais forte que o convencional”, afirmou Bethencourt. Segundo a Adidas, o material é 15% mais leve do que tecidos sintéticos tradicionais.

O potencial de evolução da biotecnologia é ainda maior: para Bethencourt, o DNA é ainda mais importante que dados. “Um DNA tem milhões de vezes mais dados que seu notebook. O DNA é um estoque – cada célula de nosso corpo guarda nossas informações”, comentou.

A experiência como investidor na maior aceleradora de biotecnologia do mundo permitiu que Bethencourt conhecesse e fizesse parte de empresas com potencial revolucionário. É o caso da Miraculex, por exemplo. A startup se inspirou na fruta “miracle berry” (também chamada de “fruta milagrosa”, em português) para construir o próprio modelo de negócios.

A miracle berry é uma fruta capaz de adoçar qualquer alimento sem utilizar açúcar. O segredo não está em um ingrediente secreto semelhante ao açúcar, mas no efeito que a fruta faz em nosso paladar. “A miracle berry tem uma proteína que mexe com nossos receptores de sabor e nos faz pensar que o alimento é doce, apesar de não ser. O efeito parece ser específico em primatas”, explicou o empreendedor.

A startup Miraculex enxergou a oportunidade de utilizar o mesmo conceito da planta em outra espécie, já que a miracle berry é uma planta rara e que demora para crescer. “A Miraculex pegou o gene da miracle berry, colocou no alface – que cresce muito mais rápido -, e verificou se também ficaria doce. Ficou”, comentou Ryan. A estratégia de adoçar alimentos sem usar açúcar deu certo, e agora em uma planta mais acessível e de fácil cuidado. No momento, a startup está escalando sua solução.

Outra novidade trazida pela biotecnologia é a Endura Bio, startup que modifica as plantas para que consigam crescer no solo com maior porcentagem de sal. A iniciativa é importante para que a agricultura também seja possível em solos contaminados e em ambientes mais áridos. “Podemos fazer agricultura onde antes não era possível. E não é um sonho – é ciência real”, afirmou Ryan Bethencourt.

A trajetória do empreendedor no Vale do Silício

A história de Ryan Bethencourt no empreendedorismo começou em 2008, durante a Grande Depressão dos Estados Unidos. Bethencourt estava criando sua empresa na época que muitas outras estavam falindo. Na época, chegou a criar a Genescient, uma startup que criava moscas que viviam mais do que o normal – o tempo de vida passou para 12 semanas, quando o convencional é de 5 semanas. No final, a empresa quase faliu e o empreendedor foi removido como CEO. Justamente pelas empresas estarem falindo, o acesso a biotecnologia se tornou mais fácil, pois as instituições estavam vendendo ou compartilhando seus equipamentos.

“Percebemos que poderíamos criar empresas de forma barata – e por alguns milhares de dólares poderíamos criar laboratórios de biologia compartilhados”, comentou o empreendedor. O fácil acesso a laboratórios permitiu a popularização da biotecnologia, que começou a avançar ainda mais – movimento que não parou até hoje.

Apesar do boom de criação de empresas no Vale do Silício – local onde criou as próprias -, Bethencourt acredita que a inovação pode surgir em qualquer lugar. “Nem todos os inovadores são do Vale do Silício, eles podem vir de qualquer lugar do mundo. O Vale do Silício é um mito que usamos para atrair e concentrar esses inovadores, concentrar capital e investimentos. Mas quero que todos saibam que você pode inovar de qualquer lugar do mundo”, finalizou.

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