Atenção concessionário: todos estão querendo te matar, mas você pode sobreviver

Da Redação

Por Da Redação

21 de agosto de 2018 às 12:20 - Atualizado há 2 anos

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Converse com uma pessoa do mundo da tecnologia e uma das primeiras coisas que eles vão te falar é que a tecnologia vai agir para reduzir intermediários. É verdade que o sonho de muito empreendedor é eliminar as barreiras entre os produtores e os clientes finais, mas a realidade no mercado de mobilidade é um pouco mais complexa que isso.

Primeiro, por que o mercado de mobilidade está deixando de ser o que ele sempre foi e passando a se tornar um serviço. Ele já é um serviço (público) para muitas pessoas, mas essa lógica deverá se estender para assumir praticamente todo o segmento – a ponto de que as montadoras já estão se preparando para virar “empresas de mobilidade”.

Com o surgimento de serviços como Uber, o que entendemos como o mercado de automóveis será completamente modificado ao longo dos próximos anos. “A visão de TER o carro mudou! Aquilo que era sonho de consumo não é mais realidade (na grande maioria) o foco é USAR o produto”, explica Raphael Galante, economista e consultor da Oikonomia, dedicada a analisar o mercado de automóveis no Brasil.

Ele destaca que parte disso é por conta da nova geração, não muito interessada em ter uma grande dívida para ter a propriedade de um carro no final do dia. “Muito a disso é foco da nova geração que ‘não quer se matar de trabalhar’ e aproveitar plenamente a sua vida!”, explica.

Não significa, porém, que no Brasil ninguém mais vai ter carro – nosso país é grande demais para que uma única tendência domine o mercado inteiro. “Em um país continental como o Brasil, não corremos o risco de ficar sem a propriedade de carros. Quando falamos em crescimento da mobilidade, a gente olha muito para o nosso ‘umbigo’, que é São Paulo, mas esquece desse ‘Brasilsão’ que existe”.

Fora isso, ainda existirá um mercado de apaixonados por carros, que continuarão a comprar e modificar seus carros. “Além disso, existe uma quantidade (considerável) de pessoas que amam os seus veículos. O mercado de Tunning, por exemplo, movimenta mais de R$ 10 bilhões”, complementa.

Outro possível comprador são as empresas, que passarão a permitir. “Além disso, mesmo quando falamos de mobilidade com aplicativos, sempre vai existir compradores. nesse caso, o que acontecerá é a mudança de quem é o comprador de carros, com o aumento substancial das compras por pessoas-jurídicas ou locadoras!”, completa.

Só que neste mundo de rápida transformação, uma tendência está chamando atenção: as empresas estão mudando seus modelos de negócios e entrando uma no business das outras. “Não tem mistério! A gordura (ganho) de todos está diminuindo… o ponto aqui é que UM quer ganhar a margem do OUTRO”, afirma.

É o caso que acontece com as montadoras e os seus concessionários. “As montadoras entrando num setor que era das concessionárias (manutenção e garantia) assim como as locadoras também estão, que é a venda de carros”, destaca Galante, citando a Eurorepair, da Peugeot, como exemplo de montadora que está entrando neste mundo.

Os concessionários já tinham a competição por parte  das oficinas, embora ela tenha especialidades que não sejam em linha com o que as oficinas individualmente fazem . “Uma concessionária faz investimento pesado em treinamento nos seus colaboradores – o que não é usual das oficinas”, salienta o economista.

“Além disso, existe certos tipos de diagnósticos do veículos (computadores específicos) que são caros e, em geral, as oficinas não poderão ofertar.  Além de peças oficiais e ferramental especifico. Enquanto a oficina independente ganha no fator custo, a concessionária ganha tempo e qualidade superior ao serviço”, completa.

E não são apenas as montadoras que roubam o mercado das concessionárias! “Alguns setores antevendo a essa mudança já estão começando a roubar o mercado de concessionárias; como por exemplo as locadoras que passaram a ser os maiores revendedores de veículos; além de serem os maiores fornecedores de carros para o pessoal dos aplicativos!”, afirma.

Por isso, os concessionários precisam se reinventar neste mundo para não morrerem, no fogo cruzado. “Foco do concessionário deverá ser a prestação de serviços ao cliente. E neste aspecto eles precisam inovar! Assim como as locadoras estão entrando no negócio de venda de veículos; as montadoras estão lançando empresas de reparação de seus veículos”, lembra o consultor. Há muito espaço para elas ainda, mas não no modelo atual.

Por isso, as concessionárias, ameaçadas, precisam tanto de entender essas mudanças da mobilidade e conseguir sobreviver. “São mais pessoas para dividir o bolo… se eu não inovar, entrando neste ‘adorável mundo novo’ das startups que são disruptivas, eu vou ficar sem um pedaço do bolo”, completa.

Vamos tratar das mudanças da mobilidade em um evento exclusivo em São Paulo nesta sexta-feira, em parceria com a EasyMuv. Vamos mostrar tudo que acontece no setor e como ele está sendo disruptado, como se aproveitar do momento para transformar sua empresa em mais forte e saudável. Não perca.