Amazon e Youtube demonstram interesse em entrar em um mercado peculiar

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Por Isabella Câmara

23 de agosto de 2018 às 19:01 - Atualizado há 2 anos

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Cerca de 22 canais esportivos regionais nos Estados Unidos serão vendidos em breve e, entre as empresas que manifestaram interesse em comprá-los, além de emissoras tradicionais, estão a Amazon e o YouTube. Toda movimentação é por causa da Disney – a multinacional estadunidense de mídia está tentando comprar ativos da 21st Century Fox, mas para que a venda seja concretizada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos determinou que a empresa vendesse as redes esportivas regionais da Fox para evitar conflitos anticoncorrenciais, dada a sua participação majoritária na ESPN.

Nesse cenário, parece que as duas empresas de tecnologia são nomes improváveis na compra de uma mídia regional, mas talvez as empresas estejam enxergando novas estratégias de negócios envolvendo esses canais que, juntos, valem cerca de US$ 20 bilhões. De acordo com analistas de mídia esportiva, o interesse da Amazon e do YouTube, empresas que têm plataformas de streaming com estratégias nacionais de distribuição, também sinaliza a primeira incursão em direitos esportivos regionais em larga escala.

Além disso, o motivo do interesse das gigantes pode estar no tamanho dos ativos no mercado – as 22 redes têm direitos de transmissão para 44 equipes esportivas profissionais na National Basketball Association, na Major League Baseball e na National Hockey League. Atrás da Fox, que possui mais de 50% do mercado, a segunda maior proprietária de canais esportivos é a ComCast, que tem sete, seguida da AT & T, com quatro.

O que mudaria?

Se uma empresa de tecnologia, como o YouTube ou a Amazon, compra os ativos não haveria grandes mudanças em relação a transmissão. Os canais são empresas auto sustentáveis que já possuem direitos para distribuição linear e digital da sua programação. A Yes Network, que faz a cobertura do New York Yankees e do Brooklyn Nets, por exemplo, tem contrato para transmitir os jogos em plataformas como Hulu, Sling TV e DirecTV.

Caso algum serviço de streaming comprasse uma rede esportiva amanhã, ela seria capaz de oferecer imediatamente a rede no serviço, de acordo com Lee Berke, CEO da LHB Sports, Entertainment & Media, Inc. Porém, a companhia não teria direitos exclusivos de transmitir a programação até que os contratos de distribuição anteriores, que geralmente tem uma duração de três a cinco anos, expirem. Ou seja, mesmo que a Amazon ou o Youtube transmitisse os jogos no streaming, a programação ainda seria distribuída na TV linear por um tempo.

Mas não são os direitos exclusivos o maior problema das gigantes – o grande desafio, de acordo com Daniel Cohen, vice-presidente sênior da Octagon, seriam os anúncios regionais que acompanham a programação linear regional. “Eles não estão no negócio de vender anúncios regionais contra os direitos esportivos ao vivo ainda, e eu acho que isso vai ser um dos maiores obstáculos para eles”, disse Cohen. “Se eles fizerem uma jogada para isso, acho que incrementar um lado regional de vendas seria crítico”.

Regionalização do streaming

Embora a regionalização seja uma mudança na estratégia da Amazon e do YouTube, essas empresas já possuem tecnologia para transmitir o conteúdo de streaming digital de acordo com regiões específicas. “Eu estive em negociações com vários distribuidores virtuais de programação de vídeo multicanal, e descobri que é possível geolocalizar conteúdo com base no código postal”, disse Lee Berke. “Em certos aspectos, isso é mais refinado do que a televisão paga”.

Atualmente, o YouTube já tem relação com transmissão de esportes regionais, como os jogos do Seattle Sounders FC e do Los Angeles FC, mas a Amazon ainda não oferece nenhum serviço do tipo. Porém, se a Amazon adquirisse uma rede regional esportiva, levando em consideração que a empresa já possui direitos exclusivos para exibir o US Open Tennis e a Premier League, esse seria um passo significativo para regionalizar o conteúdo nos Estados Unidos.

Mas ainda não está claro se a Amazon ou o YouTube darão lances na compra das redes regionais esportivas do país, principalmente por não possuírem os direitos exclusivos da programação em seus serviços de streaming. Mas de acordo com Cohen, “do ponto de vista do poder de licitação, eles estão na melhor posição para fazer qualquer transação que desejarem”.

(Via: Business Insider)