Amazon quer que marcas tenham vozes próprias na Alexa — o que isso significa?

A Amazon capitaneia a entrada das empresas de forma ativa na rotina dos usuários através da tecnologia de voz; mercado pode atingir US$ 35,5 bilhões em 2025

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

5 de fevereiro de 2020 às 12:46 - Atualizado há 2 semanas

Alexa

A Amazon está investindo para que empresas criem suas vozes personalizadas na Alexa. A companhia anunciou nesta terça-feira (4) que irá oferecer a ferramenta Amazon Polly para que possam transformar o texto em áudio com mais facilidade, construindo suas vozes.

A expectativa é que as empresas tragam suas marcas para o serviço de voz da Amazon, passando a se relacionar de forma ainda mais próxima com os consumidores. Na prática, ao pedir para a Alexa fazer um pedido no iFood, a voz que responderia o usuário seria a mesma da vinheta que diz “iFood” nos comerciais. Se o pedido fosse feito no Wendy’s ou KFC, a voz de resposta poderia ser as dos personagens das marcas.

A Alexa chegou no Brasil oficialmente em outubro do ano passado. A assistente pessoal da Amazon está presente no dispositivo Echo, projetado para residências, escritórios, entre outros. Desde que chegou no país, a inteligência artificial é capaz de realizar mais de 350 tarefas a partir de comandos de voz. Nos Estados Unidos, este número passa de mil.

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Graças a integração com as marcas, é possível realizar os pedidos no iFood, pedir um carro da Uber, acessar notícias, escutar músicas no Spotify, entre outros. O conjunto de possibilidades oferecidas é chamado de “Alexa Skills Kit” — a companhia oferece uma página para desenvolvedores trazendo dicas de como criar mais habilidades.

Atualmente, a Amazon capitaneia a entrada dessas empresas de forma ativa em nossas residências. O dispositivo pode ser utilizado, inclusive, como o comando central para uma rede que integra as lâmpadas, caixas de som, plugues de tomada inteligentes, câmeras, wi-fi, televisão e o que mais puder ser comandado por voz. No ano passado, a companhia anunciou um micro-ondas e relógio integrados com a assistente e que podem, portanto, serem controlados através da fala.

O mercado de comando por voz

Enquanto se torna cada vez mais presente, a companhia começa a aprender os hábitos de consumo — e de vida — de seus usuários. Traçando um paralelo, é com o aprendizado dos dados que a inteligência artificial fica mais… inteligente. Mas essa não é, é claro, uma iniciativa exclusiva da Amazon.

O Google possui o Google Assistente, presente no alto-falante Google Nest Mini, que também chegou em 2019 no Brasil. A Apple possui o HomePod, ainda não disponível no país, em que os usuários falam com a Siri. Os assistentes de voz têm sido descritos como a próxima tendência no varejo após o e-commerce e aplicativos.

Embora os assistentes (ou alto-falantes) tenham começado a surgir em 2016, este ainda é um novo mercado. As companhias ainda estão aprendendo, inclusive, o quanto os consumidores estão dispostos a aceitá-las de forma ainda mais ativa em suas rotinas. Polêmicas recentes envolveram a privacidade de dados dos clientes com a Amazon e a Apple — e o desfecho é que agora os usuários podem optar por não disponibilizar seus áudios para uso das empresas.

Atualmente, a Amazon é a companhia com a maior fatia do mercado de assistentes digitais. Há um ano, a empresa divulgou ter vendido mais de 100 milhões de dispositivos com a Alexa ao redor do mundo. Hoje, sua atuação corresponde a uma fatia de 31,7% do setor, contra 31,4% do Google.

O mercado global de alto-falantes inteligentes foi avaliado em US$ 11,9 bilhões no ano passado. Até 2025, projeções estimam que este valor chegue a US$ 35,5 bilhões, de acordo com o Statista.

Quer saber mais sobre o potencial da tecnologia de voz? Leia um conteúdo especial da StartSe sobre o assunto.