O que pensam Alphabet e Microsoft sobre a proibição de reconhecimento facial

Presidentes das companhias expressaram opiniões divergentes sobre a proposta da União Europeia de banir temporariamente a tecnologia

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

21 de janeiro de 2020 às 12:39 - Atualizado há 1 mês

Enquanto a União Europeia considera proibir soluções com reconhecimento facial por cinco anos, executivos de grandes companhias discutem o assunto. Sundar Pichai, presidente da Alphabet, controladora do Google, manifestou apoio à proposta de banir temporariamente o uso da tecnologia. “Acho importante que governos e legislações tratem disso rapidamente e estabeleçam regras”, disse o executivo em uma conferência em Bruxelas.

De acordo com documentos acessados pela Reuters, durante a proibição na União Europeia, “uma metodologia sólida de avaliação dos impactos desta tecnologia e das medidas de gestão de risco pode ser identificada e desenvolvida”.

Pichai acredita que um “período de espera” pode ser benéfico para entendermos como a tecnologia deve ser usada — e cabe ao governo traçar esse caminho. Apesar de ser a favor da regulação, o executivo defende que ela deve ser feita com moderação, equilibrando potenciais danos com oportunidades sociais e adaptando regras de acordo com diferentes setores.

Por outro lado, Brad Smith, presidente da Microsoft, expressou uma opinião diferente a respeito do tema, citando os benefícios da tecnologia em casos como o reconhecimento de crianças desaparecidas. “Estou realmente relutante em dizer que vamos impedir que as pessoas usem a tecnologia de uma maneira que reúna famílias”, disse Smith. 

O executivo acredita que, em vez de proibir, é importante identificar os problemas para depois criar regras, garantindo o melhor uso das soluções. “No final das contas, existe apenas uma maneira de melhorar a tecnologia, que é usá-la”, afirmou.

Mudança de ideia?

Essa não é a primeira vez que o presidente da Microsoft deu sua opinião sobre o uso de reconhecimento facial. Porém, durante o WebSummit, em 2018, Smith afirmou que a tecnologia, que parece inofensiva, pode nos aproximar de uma vigilância governamental e ressaltou a necessidade de regulamentação.