Os principais desafios para o desenvolvimento da rede 5G no Brasil

Leilão das frequências para a conexão de alta velocidade está previsto para o primeiro semestre de 2020, mas adoção da tecnologia requer esforço conjunto entre empresas e o Estado

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A rede 5G chegará ao Brasil em 2020. O leilão das frequências para a conexão de alta velocidade está previsto para o primeiro semestre do ano que vem, e a Anatel deve disponibilizar o edital ainda em outubro para consulta pública. No entanto, para que a tecnologia seja amplamente adotada em território nacional, ainda há uma série de desafios que serão encarados pelas empresas envolvidas, assim como pelo Estado. 

Durante o evento IT Forum X, em São Paulo, nesta quarta-feira (16), um painel discutiu as melhores práticas para o desenvolvimento do 5G no Brasil. Participaram do debate Eduardo Neger, gerente da Associação Brasileira de Internet (ABRANET), Humberto Bruno, chefe da assessoria técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Atila Branco, diretor de planejamento e tecnologia da Vivo, e Carlos Roseiro, diretor de soluções integradas da Huawei no Brasil. 

Ou seja, o painel contou com representantes dos reguladores (Anatel), de uma grande operadora (Vivo), da principal provedora de tecnologia e infraestrutura (Huawei) e das empresas envolvidas com a internet nacional (ABRANET). O consenso, entre os painelistas, é de que o desenvolvimento do 5G terá a colaboração entre todas as partes como aspecto fundamental para que a tecnologia prospere no país. 

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Prioridades

Há diferentes estratégias comerciais para dar escala à rede 5G. Elas dependem das características específicas de cada país, assim como do foco em qual setor da sociedade será beneficiado primeiro. De acordo com Carlos Roseiro, da Huawei, os cases da Coreia do Sul, Finlândia e China representam bem estas distinções. 

Na Coreia do Sul, primeiro país a lançar o 5G comercialmente, o foco foi no B2B, ou seja, em fornecer a rede de alta velocidade para empresas. Assim, o setor privado já desenvolveu aplicações interessantes. Um dos primeiros exemplos de uso da tecnologia no país, segundo Roseiro, foi em um estádio de baseball. Usuários cujos smartphones estavam conectados ao 5G viram um dragão, criado por realidade aumentada, sobrevoando as arquibancadas. Outro uso comum da rede de alta velocidade na Coreia é no Cloud Gaming, que permite realizar o streaming de jogos com latência baixa, sem perder desempenho. 

Já na Finlândia, o 5G foi adotado, neste primeiro momento, para suprir a necessidade de internet de alta velocidade em domicílios. Isto porque, apesar do desenvolvimento, o país não tem fibra ótica em todos os lares. Portanto, a prioridade definida foi levar a banda larga por meio da nova rede sem fio. 

Na China, por outro lado, o foco está na indústria. Para aumentar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias, o 5G promete acelerar a Internet das Coisas (IoT) e robótica nas fábricas do país. 

Assim, o Brasil precisará definir a prioridade do 5G. O longo território nacional sugere que, como a Finlândia, a rede pode substituir a internet com fio onde não há fibra ótica domiciliar. Porém, o país também precisa acelerar a indústria e o ecossistema de inovação, o que torna o foco no B2B uma opção interessante para os reguladores. Segundo Humberto Bruno, da Anatel, o que foi definido até o momento é “que o contrato vai priorizar compromissos com o desenvolvimento social, ao invés da contrapartida financeira”. 

Colaboração

A rede 5G leva uma quantidade muito maior de dados que o 4G por segundo, mas requer uma frequência mais alta. “Quanto maior a frequência, menor a área de cobertura”, explica Atila Branco, da Vivo. “Portanto, serão necessárias mais antenas. Vai mudar o modelo de antenas altas e pouco numerosas para antenas menores e distribuídas no espaço urbano”. O executivo prevê, por exemplo, antenas pequenas acopladas nas laterais de edifícios. 

Na mesma linha, Eduardo Neger, da Abranet, prevê que os data centers também serão mais distribuídos. “Como a latência do 5G é muito baixa, a tendência é que a aproximação dos dados e do usuário, para aproveitar a velocidade. Já se pensa, inclusive, em bases de dados nas próprias antenas”, revela. 

O desafio de proporcionar a infraestrutura necessária para o 5G é grande, mas pode ser dividido entre as partes. Segundo Atila Branco, a Vivo, assim como outras grandes operadoras, já compartilham estrutura de redes e fibra ótica entre elas, e também com provedores de internet menores.

Um dos principais desafios está na legislação atual, que define os municípios como reguladores das antenas. Em algumas grandes cidades, é proibido que elas fiquem próximas de escolas, hospitais e delegacias. Portanto, dificulta a implementação da tecnologia, que precisará de uma quantidade bem maior de antenas do que o 4G. Assim, a colaboração de representantes governamentais, como a Anatel, será essencial na negociação com os legisladores municipais.

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