Empresa dá folgas às quartas-feiras e aumenta receita em 46%

Testes com redução das horas semanais de trabalho vêm sendo recorrentes pelo mundo, mas nem todos tiveram o mesmo sucesso que a Versa

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Quantas horas um funcionário deve trabalhar na semana para maximizar sua produtividade? Não existe um consenso para esta questão, já que depende de muitas variáveis: área de atuação da pessoa, cultura do país e da própria empresa, em qual mercado ela está inserida, entre outras. Ainda assim, são cada vez mais comuns testes com carga horária reduzida e, em alguns casos, geram resultados concretos positivos.

Um desses exemplos é a Versa, uma agência de marketing digital australiana que dá aos funcionários folga às quartas-feiras. A medida foi adotada em julho do ano passado e, desde então, a receita da empresa cresceu 46% e o lucro triplicou, conforme informações da BBC. Kath Blackham, CEO da Versa, não credita o aumento apenas à diminuição da carga de trabalho, mas afirma que a produtividade e a satisfação em geral dos colaboradores melhoraram sem sombra de dúvidas.

Case Versa

Ao estabelecer a folga na quarta-feira, houve uma reorganização dos fluxos de trabalho na equipe da Versa. No novo planejamento, certas tarefas precisam ser finalizadas até terça-feira e funcionários que trabalham no relacionamento com outras empresas devem alinhar esta agenda com clientes e parceiros.

A matéria da BBC relata que a novidade gerou um sentimento de merecimento nos funcionários: se querem continuar a ter a quarta-feira de folga, precisam trabalhar forte para merecer o benefício. “O que eu quis provar é que mesmo na indústria mais improvável – conhecida por jovens trabalhando longas horas todos os dias – é possível inovar”, revela Blackham.

A escolha pela quarta-feira se deu para que os funcionários tenham duas vezes por semana dias em que chegam para trabalhar “revigorados”, ao invés de um fim de semana mais longo. Jarrod Haar, professor da Universidade de Tecnologia da Nova Zelândia, endossa esta tese: “A pausa na quarta-feira significa que você retorna ‘fresco’ na quinta-feira, e é aí que os funcionários se sentem mais produtivos”. Em seus estudos, ele verificou que a quarta-feira é o dia em que a maior parte das pessoas prefere ter folga.

Estudo acadêmico

Jarrod Haar foi um dos condutores de um estudo em 2018 na empresa neozelandesa Perpetual Guardian, de serviços financeiros. Durante dois meses, os 240 funcionários trabalharam quatro dias semanais, revezando as folgas entre segunda e sexta-feira. No período, a equipe foi acompanhada pelos pesquisadores da Universidade de Tecnologia da Nova Zelândia.

“Supervisores constataram que a equipe esteve mais criativa, mais presente e pontual, e não fizeram grandes intervalos durante o trabalho”, afirma Haar. “O desempenho no trabalho não diminuiu, mesmo trabalhando um dia a menos”.

Para garantir os resultados, medidas voltadas à eficiência foram tomadas. Por exemplo: a duração de reuniões foi reduzida de, em média, duas horas para trinta minutos. O estudo ainda verificou um aumento de 24% no equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além da economia de 20% na conta de eletricidade da companhia.

Contrapontos

Nem todas as experiências em diminuição de carga horária foram totalmente positivas. No estado de Utah, nos EUA, foi implementada uma lei que estabelecia a semana útil em quatro dias ao invés de cinco, em 2008. Ela foi cancelada três anos depois, porém, após ser verificado pelos legisladores que não houve economia dos fundos estatais com a medida, segundo o Business Insider.

A plataforma de cursos online Treehouse, por exemplo, surgiu em 2011 com um modelo de trabalho inovador. Ryan Carson, CEO da empresa, definiu que os funcionários trabalhariam apenas quatro dias por semana e não haveria cargos de chefia, em um formato totalmente horizontal. O plano foi por água abaixo em 2016, quando Carson reestabeleceu uma estrutura tradicional, demitiu 20% da equipe e retomou a semana de cinco dias úteis. “Fomos ingênuos”, disse o executivo.

Na China, algumas das empresas mais inovadoras vão para o caminho inverso da diminuição da carga horário. É o caso da gigante do e-commerce Alibaba, comandada pelo empreendedor Jack Ma. Ele defende o regime 996, em que os funcionários trabalham das 9h da manhã às 9h da noite (totalizando 12 horas por dia), seis dias por semana. A companhia teve uma receita de US$ 13 bilhões só no primeiro trimestre de 2019 e não faltam trabalhadores do mais alto calibre na China querendo fazer parte da equipe, mesmo com as longas jornadas de trabalho.

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