Para Facebook, Libra é chance para os EUA “liderarem inovação” antes da China

Criptomoeda criada pelo Facebook é pauta de discussão no Comitê da Câmara dos EUA sobre Serviços Financeiros e é defendida por David Marcus, líder da iniciativa

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O Facebook esteve à frente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Deputados dos EUA para discutir a criptomoeda Libra. Recentemente, o Comitê elaborou uma proposta que impediria grandes empresas de tecnologia de criarem criptomoedas. Em contrapartida, David Marcus, executivo do Facebook que lidera a iniciativa do Libra, afirmou aos deputados que caso a moeda seja barrada, os EUA assistiriam em breve a uma moeda digital controlada por empresas de outro país com diferentes valores morais e éticos surgir.

Embora não tenha sido expresso em seu discurso, é possível suspeitar que Marcus esteja se referindo às gigantes de tecnologia da China. Desta forma, apela para a liderança norte-americana em um momento de disputas comerciais e tecnológicas entre as duas maiores potências mundiais.

“Eu acredito que, se os EUA não liderarem a inovação em moedas digitais e pagamentos, outros irão. Se falharmos em agir, poderemos em breve ver uma moeda digital controlada por outros, cujos valores são dramaticamente diferentes”, afirmou David Marcus aos membros da Câmara. “É muito caro para que pessoas ao redor do mundo usem e transfiram seu dinheiro. Nós acreditamos que o Libra pode oferecer uma alternativa mais barata, eficiente e segura”.

Quem foi mais direta e clara sobre o assunto foi Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook, em entrevista à emissora CNBC, em maio: "Enquanto algumas pessoas estão preocupadas com o tamanho e poder das nossas empresas de tecnologia, há também uma preocupação dos EUA a respeito do tamanho e poder das empresas de tecnologia chinesas. E essas companhias não vão ser restringidas ou quebradas, não por eles".

Hoje, a China proíbe que qualquer empresa crie criptomoedas no país. Por outro lado, o governo chinês incentiva o desenvolvimento de iniciativas de blockchain – tecnologia que será utilizada no Libra. Como a velocidade para se alterar a legislação no país asiático é bem mais rápida do que em nações democráticas ocidentais, não se descarta a possibilidade de que criptomoedas voltem à pauta de empresas do país para rivalizar com a concorrente norte-americana.

Críticas internas

Entre os críticos da iniciativa liderada pelo Facebook estão o presidente Donald Trump e Cris Hughes, um dos cofundadores da rede social. O primeiro afirmou no Twitter que não é fã de moedas digitais e que empresas que as criam deveriam ser reguladas como bancos – e não há nenhum banco participando da Colibra, associação ligada ao Facebook que une as empresas que estão à frente do Libra. Já o segundo descreveu a criptomoeda como “ameaçadora” por acreditar que estas empresas vão colocar seus interesses pessoais à frente do interesse público.

Neste contexto, David Marcus adotou um tom conciliador em seu discurso aos deputados, afirmando que a Colibra está disposta a trabalhar em conjunto com os órgãos públicos. “Vamos continuar discutindo como atingir nossos objetivos com empresas, organizações não lucrativas, instituições acadêmicas do mundo todo, assim como legisladores, bancos centrais e reguladores. Reconhecemos a autoridade dos reguladores de finanças e apoiamos a supervisão deles neste projeto”, concluiu o executivo do Facebook.

Confira aqui o discurso de David Marcus na íntegra (em inglês).

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