Como a Inteligência Artificial da IBM está transformando a saúde mundial

Desde a criação da Watson Health em 2015, a IBM se aproxima de clínicas, fomenta pesquisa e impacta diretamente a vida de pacientes

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A Inteligência Artificial é uma tecnologia com potencial de causar impactos profundos em todas as indústrias e mercados. A saúde não é uma exceção. As figuras do médico, enfermeiro, farmacêutico e cientista hoje são centrais para uma sociedade saudável como um todo, e continuarão sendo. Porém, a Inteligência Artificial está se tornando, cada vez mais, uma ferramenta muito importante em diversos processos do setor.

Neste cenário, a IBM é uma das empresas que cria mais soluções tecnológicas para a área de saúde em escala global. Desde outubro de 2015, a multinacional tem uma unidade focada em inteligência artificial para a saúde, chamada de Watson Health. O brasileiro Gustavo Bravo é responsável por uma das linhas de produto da divisão da IBM, será palestrante do evento Healthtech Conference, e conversou com a StartSe sobre as soluções da companhia na área.

Departamento multidisciplinar

Na época da criação da divisão do Watson Health, a IBM adquiriu quatro empresas na área de saúde: Explorys, Phytel, Merge Healthcare e Truven Health Analytics. “Muito da expertise nessa área de saúde veio com a aquisição das empresas”, revela Gustavo.

O departamento cresceu com cada vez mais profissionais de áreas distintas do conhecimento. Para o executivo, ter uma equipe multidisciplinar é decisivo para criar soluções eficientes, que geram valor. “Temos desde profissionais de TI, focados em ciência de dados, inteligência artificial, programação e machine learning, até profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e cientistas”, exemplifica Gustavo Bravo. “Esta interação de colaboradores com backgrounds diferentes é muito importante”.

IA na prática

As soluções do Watson na área de saúde já são utilizadas por diversas instituições. Um exemplo é o Fleury, empresa da área de diagnósticos, que recentemente começou a oferecer o Oncofoco.

O exame usa a inteligência artificial para cruzar informações de 72 genes do paciente com artigos científicos e estudos clínicos no mundo todo. Estes genes são relacionados a diferentes tipos de tumores, e o resultado da análise do algoritmo da IBM oferece aos médicos um relatório detalhado com possíveis métodos de tratamento e medicação para o paciente em questão.

Outra solução que usa a tecnologia da IBM é da Mayo Clinic, uma organização de pesquisa clínica presente em três estados norte-americanos. A inteligência artificial analisa dados de pacientes ao redor dos EUA e identifica quais estariam aptos a pesquisas específicas na Mayo Clinic.

Em 18 meses de projeto, os “matches” aumentaram em 84% a quantidade de pacientes que participaram das pesquisas clínicas. O tempo para encontrar um paciente específico para determinado estudo também caiu radicalmente. Consequentemente, a organização publica mais resultados e contribui cada vez mais para o avanço da medicina.

Fomento à pesquisa

“A grande maioria das soluções criadas pela IBM são feitas em parceria com instituições especialistas em seu campo de atuação”, afirma Gustavo Bravo. Neste sentido, a empresa de tecnologia está sempre fomentando estudos que contribuem com o sistema de saúde como um todo.

Além disso, quando a Watson Health lança um produto, ela busca validar sua eficiência com pesquisas. “Temos um time de ‘Data & Evidence’, em que os profissionais trabalham com instituições que estão utilizando nossas tecnologias para demonstrar seus benefícios”, explica o executivo brasileiro. “Temos três artigos sendo publicados no mês que vem na maior feira de oncologia do mundo. Todos eles foram construídos ‘a quatro mãos’, unindo a expertise dos pesquisadores das universidades e dos profissionais da IBM”.

Mercado brasileiro

“A IBM é uma companhia global que desenvolve soluções globais. Existem desafios para a adoção de inteligência artificial no mundo todo”, explica Gustavo ao ser questionado sobre o mercado de saúde no Brasil. “Dito isto, cada mercado tem suas particularidades”.

Na visão do executivo, em todos os setores existe a necessidade de educar os usuários sobre o potencial positivo da Inteligência Artificial. Ou, em suas palavras, “desmistificar a tecnologia”. Entretanto, neste sentido, o Brasil tem uma cultura de adoção das soluções do Watson similar a de países desenvolvidos.

O que Gustavo vê como grande desafio na saúde brasileira é a digitalização das informações. “Para aplicar inteligência artificial em qualquer segmento, são precisos dados digitalizados. A informatização do sistema de saúde, em que muitas vezes os dados estão em papel ou sistemas arcaicos, é essencial para aplicar este tipo de tecnologia”, explica.

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