Uber pretende levantar US$ 10 bi em IPO, mas pode nunca se tornar lucrativa

A empresa registrou o pedido para sua primeira oferta de ações, trazendo mais detalhes de seu faturamento e quais seus planos para o futuro

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A Uber registrou seu pedido por uma oferta pública inicial de ações na Securities Exchange Comission (SEC), órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos. Com o pedido, ela descreveu seus resultados e o valor de mercado que pretende chegar: de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões.

A companhia também afirmou que irá ser listada na NYSE, bolsa de valores de Nova York, sob o nome “UBER”. Ela ainda não revelou o preço mínimo unitário de suas ações, mas planeja levantar US$ 10 bilhões com a venda. Se concretizado, esse poderá figurar entre os maiores IPOs de empresas de tecnologia, como no caso do Alibaba.

No documento, a Uber afirmou que está presente em seis continentes e em mais de 700 cidades. Até dezembro de 2018, ela realizava mais de 14 milhões de viagens por dia, tendo atingido 10 bilhões de viagens em setembro de 2018.

Em uma carta anexada ao pedido, o presidente-executivo Dara Khosrowshahi afirma que a empresa tem melhorado sua governança e conselho diretor nos últimos 18 meses, preparando-se para a oferta de ações e para receber os novos investidores. A mudança de governança da Uber também foi uma das premissas para que o Softbank, seu maior investidor, concordasse em apostar na empresa.

Aos investidores, a Uber deixou claro que não é uma empresa apenas de corridas com automóveis por aplicativo (ridesharing). Ela discutiu sobre a “nova mobilidade”, incluindo também as bicicletas elétricas e patinetes. Atualmente, a empresa oferece esse serviço diretamente em seu aplicativo em alguns locais após adquirir a Jump. A expectativa é que a Uber traga essa modalidade para o Brasil neste ano.

Quais são os riscos de investir na Uber?

O primeiro fator de risco descrito pela empresa é a competividade. Ela existe tanto em seu core, nas corridas por aplicativo, quanto nas plataformas de delivery (Uber Eats) e de cargas (Uber Freight, não disponível no Brasil). Entre suas concorrentes, ela cita empresas como Waymo, Tesla, Apple, Cruise Automation, DoorDash, Amazon, Zomato, entre outras.

Outro fator de risco reconhecido pela Uber é a má publicidade. Ela menciona que, em 2017, sua operação nos Estados Unidos e Canadá foi “significantemente impactada” por esses fatores. Na época, as polêmicas envolviam um de seus fundadores, Travis Kalanick, que atuava como presidente-executivo.

E não menos importante, a companhia citou suas perdas. Em 2018, a Uber teve o prejuízo de US$ 3 bilhões. Até o dia 31 de dezembro do ano passado, a empresa acumulava o déficit de US$ 7,9 bilhões. Ela afirmou no documento que pode nunca se tornar lucrativa

“Nós precisaremos gerar e sustentar os níveis de receitas e reduzir as despesas proporcionais no futuro para alcançar a lucratividade em muitos de nossos maiores mercados, incluindo nos Estados Unidos. E, mesmo que a gente consiga, nós podemos não ser capaz de manter ou aumentar esse lucro”, descreve a Uber aos possíveis investidores.

Ela cita como um dos motivos para nunca se tornar lucrativa os investimentos que realiza e pretende no futuro. Ela irá continuar investindo no aumento do número de motoristas, clientes, restaurantes e entregadores usando incentivos, descontos e promoções.

Além disso, ela planeja expandir sua atuação em novos e nos mercados já existentes. As iniciativas de pesquisa e desenvolvimento, como a unidade de carros autônomos, também foi uma das prioridades destacadas e é uma das principais fontes de despesas da empresa.

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