Entenda a tecnologia por trás da primeira imagem real de um buraco negro

O registro só foi possível graças aos algoritmos criados pela pesquisadora Katherine Bouma; equipe usou computação e machine learning para chegar na fotografia

0
shares

Cientistas revelaram nesta quarta-feira (11), a primeira imagem real de um buraco negro. A fotografia rodou o mundo em um marco histórico. “Isso é um feito científico extraordinário, alcançado por um time de mais de 200 pesquisadores”, afirmou Sheperd Doeleman, diretor do projeto, em uma transmissão realizada pelo youtube.

O registro só foi possível graças a recentes avanços tecnológicos. Katherine Bouman, de 29 anos, foi a pesquisadora responsável pelo desenvolvimento dos algoritmos usados durante todo o processo. Formada em engenharia elétrica e ciência da computação pelo Massachussets Institute of Technology (MIT), Bouman trabalhou durante seis anos nesses algoritmos.

A busca pelo buraco negro começou em abril de 2017, quando uma rede de radiotelescópios espalhados pelo mundo captou milhares de imagem do espaço. Os pesquisadores usaram uma técnica chamada interferometria, que combina os sinais captados pelos telescópios. Depois, cruzaram dados e informações obtidas por essa rede e por meio de computação e machine learning conseguiram chegar a um ponto comum onde imaginavam estar o buraco negro.

"Tínhamos uma informação parcial. Era quase como ver um pixel de uma imagem (mas em outro tipo de domínio). Tivemos que criar métodos para usar essa informação muito esparsa e cheia de ruídos e tentar achar a imagem que pode ter provocado essas medidas", explicou Bouman em entrevista ao The Washington Post.

O grande volume de informações precisou ser colocado em discos rígidos armazenados no centro de pesquisa do EHT, localizado no MIT, em Boston. Depois de dois anos de análises, cruzamento de dados e simulações, os pesquisadores chegaram na imagem publicada.

Teoria comprovada

Em seu Facebook, Bouman vibrou com a descoberta. “Observando, incrédula, a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro que está em processo de reconstrução”, escreveu a cientista em um post após a foto do ter se tornado pública. A publicação já foi compartilhada por mais de 30 mil pessoas.

O buraco negro registrado pelos pesquisadores tem 40 bilhões de quilômetros de diâmetro — cerca de 3 milhões de vezes o tamanho do planeta Terra. A imagem comprova a Teoria da Relatividade Geral criada há um século por Albert Einstein que prevê a existência de buracos negros, na forma de regiões infinitamente densas e compactas no espaço, onde a gravidade é tão extrema que nada, nem mesmo a luz, pode escapar de dentro deles.

Em meio ao alvoroço, o MIT CSAIL, laboratório de ciência da computação e inteligência artificial do MIT, publicou em seu Twitter uma foto de Katie com os drives que reuniram todos os dados usados pelos cientistas. Ao lado, uma imagem da cientista Margaret Hamilton, que ajudou a criar o algoritmo capaz de levar o homem até a lua.

Junte-se a mais de 400.000 Empresários e Profissionais Para Conhecer os Negócios Mais Disruptivos do Mundo!

switch-check
switch-x
Nova Economia
switch-check
switch-x
Empreendedores
switch-check
switch-x
Investimentos
switch-check
switch-x
Startups
switch-check
switch-x
Ecossistema

Comentários