Para representante da Virgin Galactic, estamos no "14 Bis" das viagens espaciais

O brasileiro Marcos Palhares fala de suas expectativas para a viagem ao espaço e como pretende tornar o valor de US$ 250 mil mais acessível, para que mais gente faça a viagem suborbital

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Marcos Palhares, representante comercial da Virgin Galactic no Brasil, acredita que em breve as viagens espaciais se tornarão tão comuns no mundo como as de avião. “Estamos em uma linha de tempo muito singular, equivalente ao 14 Bis há 110 anos, mas para viagens espaciais de civis. Estamos vivenciando esse início”, disse em entrevista à StartSe.

Ele esteve na edição 2019 da Campus Party de São Paulo. O evento também contou com a presença do engenheiro brasileiro da Nasa Ivair Gontijo, o ministro e astronauta Marcos Pontes, Ricardo Cappra, entre outros.

Atualmente, realizar o sonho de ir para o espaço é para poucos. A Virgin Galactic, empresa comandada pelo bilionário Richard Branson, oferece o serviço por US$ 250 mil. Entretanto, mesmo pelo valor pouco amigável, há 700 pessoas na fila de espera que já pagaram e estão aguardando para embarcar – e Palhares é um deles.

A expectativa é que a viagem suborbital da empresa de Branson se torne realidade entre 2020 e 2023. Em dezembro do ano passado, a espaçonave VSS Unity da Virgin Galactic realizou um voo tripulado para o espaço pela primeira vez, aproximando ainda mais as viagens espaciais de civis para a realidade.

“Atualmente, uma viagem ao espaço custa milhões de dólares. Para ser mais preciso, um assento em um foguete russo custa US$ 60 milhões. A nossa espaçonave custa US$ 250 mil por assento – nesse mundo, é uma pechincha”, afirmou Palhares.

O engenheiro de produção acredita que, seguindo a lei da oferta e procura, de Adam Smith, a expectativa é que o preço diminua ainda mais com a demanda. “Acreditamos que, em torno de 10, 20 anos, o custo caia para US$ 100 mil e assim sucessivamente”, descreve.

Além de relembrar do 14 Bis, ele acredita que as viagens espaciais seguirão o mesmo curso dos aviões. “Os aviões eram objetos de desejo, apenas empresários muito ricos podiam voar há 100 anos atrás. Hoje, qualquer pessoa, as vezes pagando 200, 300 reais, dividido em 10 vezes, consegue fazer uma ponte aérea”, comenta.

Como se preparar para ir ao espaço?

Enquanto espera sua viagem, Marcos Palhares está em fase de preparação. Ele é sócio do astronauta brasileiro Marcos Pontes na agência homônima, na qual promove o “turismo de aventura”, como voos de caça e a própria viagem suborbital.

O próprio já alcançou a estratosfera em um voo no caça supersônico Mig-29 e passou por uma simulação de combate aéreo. Além disso, em 2012, ele participou da Mars Desert Research, uma simulação da exploração humana em Marte com apoio da Nasa. Os participantes permaneceram em uma cápsula espacial por 150 horas no deserto de Utah, nos Estados Unidos.

“Muitos brasileiros estão procurando a viagem, inclusive eu tenho uma reunião na semana que vem com um empresário que está interessado em fazer o voo espacial”, comentou.

A passagem de US$ 250 mil se torna também uma ponte de acesso não apenas ao espaço, mas para a Virgin Galactic e seu presidente, Richard Branson. “Ele é uma pessoa muito descontraída, chama para festas na casa dele. Agora terá um evento de 50 anos que o homem foi a Lua e ele está adquirindo um espaço para levar todos os turistas espaciais e representantes”, disse o representante comercial da empresa.

Com o cargo, Palhares sabe as novidades de antemão e é o responsável por passar essa demanda à imprensa. Ele tem informações sobre como foram os testes que estão sendo realizados e o que a empresa está fazendo por sua comunidade de turistas espaciais.

Ele também conheceu os russos

O engenheiro é mais uma das crianças que tinha o sonho de ser um astronauta. No entanto, ele foi realmente atrás desse desejo – e chegou até a viajar, há 10 anos, para estudar na Rússia. O país, assim como os Estados Unidos, investe na indústria aeroespacial.

Hoje, o país também oferece viagens espaciais, mas com outra abordagem. “Na verdade, se você for com um foguete russo irá muito mais longe do que o projeto que estamos ancorando. Lá, você tem o direito de chegar e passar uma semana em uma estação espacial, por cerca de US$ 60 milhões”, explica.

No entanto, ele reforça que o foco da Virgin Galactic é a acessibilidade. “Acreditamos que o voo espacial não deve estar na mão de bilionários”, afirmou. No entanto, ainda é preciso ser um dos maiores bilionários para investir nesse mercado, a exemplo do Richard Branson.

“Ele queria deixar um legado e viabilizar uma indústria que poucas pessoas investem, que é a espacial. A Virgin está focando em turismo, a SpaceX em espaçonaves e na viagem à Marte, outras empresas como a Boing estão focando em levar mantimentos à estação espacial. Cada um está se dirigindo em uma área”, disse Palhares.

Hoje, ele encara com otimismo o investimento brasileiro nesse setor. “Temos faculdades na área de engenharia espacial nascendo, muitas pessoas interessadas. Temos o Centro de Lançamento de Satélites de Alcântara, no Maranhão. Existe o desejo e a estrutura, falta casar essas coisas e o governo incentivar”, explica. Para ele, isso começa a mudar com um ministro astronauta.

Confira a entrevista com Marcos Palhares:

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