Conheça a Griaule, a empresa brasileira que fornece biometria ao Pentágono

A Griaule foi incubada pela UNICAMP, já exportou tecnologia para 80 países e realiza cadastro biométrico de todos os eleitores do Brasil

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É possível que você utilize a tecnologia da Griaule no seu cotidiano e nunca tenha ouvido falar dela. A empresa brasileira é uma das líderes globais em biometria e já exportou a tecnologia – 100% nacional – para 80 países. Em novembro do ano passado, a empresa foi contratada pelo Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, para realizar a biometria de 85 milhões de cidadãos do Iraque e Afeganistão, onde o governo americano tem parceria de defesa. O valor da licitação é de cerca de US$ 75 milhões.

A Griaule, hoje, tem algoritmos biométricos para impressão digital, impressão palmar, reconhecimento facial e de íris e impressão latente, que é o reconhecimento de fragmentos de impressões palmares e digitais – muito utilizado pela polícia em cenas de crime, por exemplo. Nos EUA, ela também fornece sua tecnologia ao Estado do Arizona para garantir autenticidade de documentos.

Além do mercado exterior, a Griaule tem como cliente a Caixa Econômica Federal. Isto significa que todos os caixas eletrônicos deste banco têm o sistema de biometria da empresa. Outro grande parceiro no Brasil é o Tribunal Superior Eleitoral. Hoje, são dezenas de milhões de eleitores cadastrados e, até 2022, a expectativa é que todo o contingente eleitoral esteja na base biométrica. O procedimento visa dar maior segurança e legitimidade às eleições.

“Nosso foco, hoje, é neste mercado de reconhecimento biométrico em larga escala com sistemas complexos”, explica Renato Burdin, diretor de negócios da Griaule, à StartSe. Segundo ele, organizar e diferenciar as impressões digitais de todo um eleitorado nacional requer uma tecnologia bem mais precisa do que realizar o cadastro biométrico para desbloqueio de um smartphone, por exemplo.

“Eu vejo que o Brasil, muitas vezes, não dá valor para a tecnologia que tem internamente. Lá fora não é assim”, diz Burdin. “É um grande orgulho para nós poder exportar uma tecnologia 100% nacional e ter reconhecimento a nível global”.

Griaule em destaque

Fundada em 2002 em Goiânia, a Griaule mudou de sede no ano seguinte para Campinas. Isto porque a então startup foi selecionada para um programa de aceleração na UNICAMP. “Até hoje, ficamos na mesma avenida da Universidade”, revela Renato Burdin. “A proximidade sempre foi muito estratégica. É uma universidade de ponta, com pessoas altamente qualificadas e realiza pesquisas de ponta. Muitos dos nossos colaboradores vieram da UNICAMP, mas não é restrito. Nossos processos seletivos são nacionais”.

Segundo o executivo, um dos trunfos da empresa é nunca ter mudado o foco. “A gente nasceu com a ideia de trabalhar com identificação biométrica. Era nosso foco no início e continua sendo até hoje”, explica.

A concorrência, porém, vem de um mercado mais diversificado. Renato, que prefere não nomear as outras marcas, diz que multinacionais de segurança têm divisões trabalhando com biometria e reconhecimento facial. “Mas não é o core business delas, como é o nosso”, finaliza.

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