Em um ano, Califórnia registra mais de 200 acidentes com patinetes elétricos

Segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos, os motoristas e pedestres socorridos tiveram fraturas, traumatismos cranianos e hemorragias cerebrais

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Os patinetes elétricos estão cada vez mais populares — e perigosos. Segundo um artigo publicado pela revista JAMA Network Open, ao longo de um ano, pelo menos 249 pessoas se acidentaram com os veículos e foram levados para hospitais na Califórnia. Os usuários tiveram ossos quebrados, contusões e lesões na cabeça, incluindo hemorragias cerebrais.  

Para realizar o estudo, pesquisadores americanos analisaram registros nos departamentos de emergências de dois centros médicos associados à Universidade da Califórnia (UCLA), entre os dias 1 de setembro de 2017 e 31 de agosto de 2018. Ao todo, foram encontrados 523 documentos médicos com as palavras “scooter” (como são chamados os patinetes elétricos nos EUA), “Lime” ou “Bird” — nomes das principais empresas de patinetes elétricos do país. Destes, 274 foram descartados por não terem relação com os veículos, por serem visitas repetidas ou outros motivos.

Assim, os pesquisadores chegaram à 249 registros sobre lesões causadas pelos patinetes, tanto nos motoristas quanto em pedestres. O estudo não comparou os resultados com o número de pessoas que usam o veículo diariamente. Por isso, ainda é difícil saber se os patinetes são mais perigosos que bicicletas ou outros meios de transporte.

Um dado, no entanto, permite contextualizar o número de acidentes reportado no artigo do JAMA. Segundo o relatório anual da Lime, para o período de junho de 2017 a julho de 2018, a empresa contabilizou 6 milhões de corridas. O número contabiliza todas as corridas realizadas nos diferentes mercados em que a empresa atua – e não há informação disponível para o estado da Califórnia. As outras empresas não têm informação disponível para o mesmo período.

Acidentes registrados

Segundo o estudo, dos 249 acidentados, 27 eram menores de 18 anos, o que vai contra os regulamentos das empresas de patinetes. Cerca de 11% dos motoristas atingiram algo e 8.8% foram atingidos por um carro ou outro objeto em movimento enquanto circulavam com os veículos.

Os hospitais também receberam aqueles que se machucaram sem terem andado nos patinetes. Entre os registros, 21 pessoas foram atropeladas por um motorista, caíram sobre um patinete estacionado ou se machucaram tentando levantar um deles.

Em relação às lesões, 40% delas foram na cabeça, com cinco hemorragias cerebrais e uma concussão. Além disso, foram registradas fraturas, traumatismos cranianos e outras ocorrências. Segundo o estudo, 12 motoristas tinham um nível de álcool no sangue maior que 0,05%, e apenas 10 pessoas, ou 4,4%, usavam capacete.

Além da análise de registros médicos, os pesquisadores observaram durante sete horas cruzamentos públicos da Califórnia em torno dos dois hospitais. Ao todo, 193 pessoas passaram por esses pontos — 94% sem capacetes e algumas andando com mais de uma pessoa no patinete ou em calçadas, o que não é permitido.

Febre no Brasil e no mundo

Os patinetes surgiram em 2017, quando a Bird foi criada em Santa Mônica. Em apenas quatro meses, a startup de aluguel de patinetes elétricos arrecadou US$ 400 milhões, e em menos de um ano ela se tornou unicórnio — quando o valor de mercado atinge US$ 1 bilhão . Desde então, outras empresas lançaram seus veículos, como a Lime e Spin.

No Brasil, a febre chegou em agosto de 2018, com as startups Ride e SCOO fazendo suas estreias em São Paulo. Mais tarde, a Yellow, startup de aluguel de bicicletas, também passou a oferecer os patinetes. Por aqui, ainda não há estatísticas consolidadas sobre o número de acidentes com patinetes. 

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