5G no Brasil fica para 2022

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

13 de janeiro de 2020 às 12:00 - Atualizado há 11 meses

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O governo federal vai adiar o leilão do 5G que deveria acontecer em março. Desde o final do ano passado, operadores de telefonia, fornecedores estrangeiros de equipamentos e fabricantes de celulares e de chips telefônicos já consideravam a possibilidade de o governo adiar o leilão como forma de contornar a guerra tecnológica deflagrada entre os Estados Unidos e a China.

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O adiamento se deve à falta de definição por parte da Anatel das regras para a realização do leilão. O conselho da agência reguladora não deve se reunir antes de fevereiro, o que torna inviável a realização da audiência pública em março.

Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, o 5G deve chegar ao Brasil somente 2022. O ministro participou de uma rodada de entrevistas para Folha e UOL, no último domingo (12), e explicou o processo.

Segundo Pontes, o entrave está em uma possível interferência de antenas parabólicas para televisão em uma das frequências que podem ser usadas para o 5G. “Tenho que ter pelo menos uma estratégia de mitigação. Imagino que no fim de 2021 e começo de 2022 comece a ter implementação de um piloto”, disse Pontes.

Executivos de empresas interessadas na implementação do 5G manifestaram frustração com o adiamento do leilão. “Estamos à beira dessa revolução e precisamos de formuladores de políticas e agências reguladoras para tomar as medidas adequadas para garantir que isso avance em tempo hábil”, disse ao Financial Times Tiago Machado, diretor para a América do Sul de relações governamentais da Ericsson.

A Ericsson, assim como a chinesa Huawei e a finlandesa Nokia, competem para fornecer equipamentos e infraestrutura aos grupos de telecomunicações do Brasil, que farão lances no leilão.

Um estudo realizado pela Ericsson, em outubro do ano passado, mostrou que o adiamento do leilão até 2021 custaria ao Tesouro brasileiro cerca de R$ 25 bilhões em receitas fiscais perdidas, além da perda financeira também de investimento direto em infraestrutura e com a importação de equipamentos.

O que o adiamento significa para os brasileiros

Com o adiamento do leilão do 5G, o Brasil posterga a adoção da tenologia que tem possibilitado uma série de inovações em países com a China, uma das nações pioneiras na utilização da internet de última geração.

O 5G tem velocidade de download e upload até 100 vezes maior do que o 4G e conta com uma latência bastante reduzida. Isto significa que o tempo de reação entre o comando em uma ponta e a resposta no dispositivo final nesta rede é o menor já visto na história da internet. Estas características estão promovendo uma série de inovações em todas as indústrias da China.

Em junho do ano passado, iniciaram as operações das primeiras estações de distribuição do 5G na China. Hoje, já são 126 mil estruturas do tipo – segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação – e a nova geração da rede já é comercializada na maioria das regiões do país, que gera impactos positivos em diversos segmentos da economia chinesa.

Carros ainda mais inteligentes

Na quarta-feira (8), o grupo Alibaba anunciou uma parceria com a FAW, joint venture do governo chinês com as montadoras Toyota, Volkswagen e Mazda, para desenvolver tecnologias de carros inteligentes.

Nestes veículos, conectados ao 5G, estará instalado o sistema operacional AliOS, da Alibaba. A ideia da companhia é que os carros inteligentes se integrem a aplicativos e serviços digitais, além de, no futuro, serem conduzidos autonomamente.

Para veículos autônomos, a baixa latência do 5G é fundamental. Ela garante a resposta praticamente imediata a obstáculos na pista, promovendo assim segurança aos passageiros.

Novo atendimento médico

Em poucos meses de operação, o 5G já foi responsável por casos de sucesso na medicina chinesa.

Em agosto de 2018, uma paciente de 36 anos em Tianjin, na China, passou por uma cirurgia realizada por uma equipe médica em Pequim. Mesmo a mais de 100km de distância, os cirurgiões foram capazes de manejar o procedimento com ferramentas robóticas de forma remota. Isto por conta da baixa latência da rede, que permitiu aos médicos controlar ações na paciente praticamente em tempo real, minimizando riscos no processo.

Outro case do uso da conexão de alta velocidade na medicina foi apresentado durante a Convenção Mundial do 5G, que aconteceu na China em novembro. Enquanto estava no hospital, uma equipe médica acompanhou com óculos de realidade virtual um atendimento emergencial em ambulância feito por paramédicos. Além de guiar os paramédicos ao longo do trajeto por meio da rede, os plantonistas no hospital se prepararam para o caso antes mesmo que o paciente chegasse ao local.

Notebook 5G

Enquanto empresas como Huawei, Xiaomi e Samsung, entre outras, focam em dispositivos móveis que se conectam ao 5G, a chinesa Lenovo lançou o primeiro notebook com suporte à rede. O Yoga 5G foi apresentado, na semana passada, durante a feira CES 2020, em Las Vegas, e tem no sistema o recém-lançado chip Snapdragon 8cx 5G, da Qualcomm. Além de acessar a conexão de alta velocidade, o equipamento promete autonomia da bateria de 24 horas.

O Yoga 5G custará a partir de US$ 1499 (mais de R$ 6 mil na cotação atual). No entanto, não há previsão de chegar no mercado brasileiro. E a julgar pela perspectiva do 5G só funcionar no Brasil em 2022, notebooks como o Yoga 5G só poderão ter suas funcionalidades inteiramente utilizadas pelos brasileiros daqui pelo menos dois anos.

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