“Prevejo que algum dia a Amazon irá falir”, diz Jeff Bezos a funcionários

Em conversa com os funcionários, o líder da gigante do varejo manifestou a preocupação e reafirmou o que a empresa deve fazer para se manter no mercado; recentemente a Amazon se tornou a segunda a ser avaliada em US$ 1 trilhão

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Scott Galloway é professor de marketing na New York University’s Stern School of Business e acredita que a Amazon, Apple, Google e Facebook desaparecerão em 50 anos. Agora, uma declaração recente de Jeff Bezos, CEO da Amazon, mostra que até o próprio fundador da empresa acredita que um dia ela morrerá.

“A Amazon não é tão grande para não falhar”, disse Bezos em uma reunião, após receber uma pergunta sobre o futuro da empresa, feita por um funcionário. “Na verdade, eu prevejo que um dia a Amazon irá falhar. A Amazon irá falir. Se você olhar para as maiores empresas, suas expectativas de vida tendem a ser mais de 30 anos, não mais de 100 anos”. A CNBC teve acesso a gravação da reunião.

A expectativa de Jeff Bezos para adiar o fim da Amazon é ser “obsessivo com os clientes” e deixar de se preocupar e focar apenas no futuro da empresa. “Se nós começarmos a focar em nós mesmos, ao invés de focar em nossos clientes, esse será o começo do fim. Nós temos que tentar atrasar esse dia pelo maior tempo possível”, afirmou.

Para quem olha de fora, o fim parece estar longe para a Amazon – a empresa recentemente se tornou a segunda especializada em tecnologia a possuir o valuation de US$ 1 trilhão, anunciou a abertura de sua segunda sede em duas cidades e Jeff Bezos carrega o título de homem mais rico do mundo.

Segundo funcionários da Amazon informaram à CNBC, a principal preocupação da Amazon é que violações antitruste em potencial e a regulamentação do governo atrapalhem o crescimento e andamento da empresa. De acordo com o eMarketer, a expectativa é que a Amazon protagonize 48% das vendas online nos Estados Unidos neste ano. No ano passado, esse número foi de 43%.

O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já falou abertamente no Twitter sua opinião quanto a gigante do varejo. “Eu já expressei minhas preocupações com a Amazon muito antes da eleição. Diferente de outros, eles pagam pouco ou nenhum imposto para o Estado e governos locais, usa nosso sistema de correio como seu ‘rapaz das entregas’ (causando tremendas perdas aos Estados Unidos) e está colocando milhares de varejistas para fora de seus negócios”.

É importante ressaltar que a falência não é vista como ponto final apenas para a Amazon, apesar de Jeff Bezos ter sido o único líder a falar sobre o assunto abertamente. Para o próprio Scott Galloway, a Amazon é a empresa que tem mais chances de sobreviver devido a competição com outras empresas de diversas áreas – e que, mesmo assim, tem resultados satisfatórios.

Atualmente, a Amazon atua na venda online de livros – como foi fundada – até roupas, eletrônicos e até comida, através da aquisição do Whole Foods. A varejista também está trazendo sua atuação para o setor offline através da Amazon Go e de sua loja de produtos de quatro estrelas ou mais, atuando em iniciativa O2O (online para offline).

Quem irá sobreviver?

Na mesma reunião, Jeff Bezos disse que a “história da Amazon não se mistura com a de outras empresas de tecnologia”, ressaltando que a varejista possui “boas histórias de como melhorou a vida de seus clientes”.“Facebook não é o mesmo que o Google, e a Apple não é o mesmo que a Amazon. Eu não quero lutar nessa batalha de qual é a impressão das empresas tecnológicas – eu só quero falar da Amazon”.

Quando questionado em quais os tipos de empresas que mais sobreviveram, Bezos apontou que eram as cervejarias. “A maioria das empresas que possuem centenas de anos de idade são cervejarias. Isso é muito interessante – não tenho certeza do que isso diz sobre a sociedade” e deu risada.

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