“O futuro está ao redor dos dados”, diz Tommaso di Bartolo

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

29 de setembro de 2018 às 18:08 - Atualizado há 2 anos

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Como levar inovação para dentro de uma empresa? Essa foi a provocação inicial de Tommaso di Bartolo, empreendedor serial e criador de quatro startups, durante a Silicon Valley Conference 2018. “Temos algumas grandes empresas tradicionais que estão mudando muito em setores de mobilidade, educação, saúde e agricultura”, ressaltou. Segundo o empreendedor, a transformação é baseada em dois pilares:

Startups

Quando pensamos em mobilidade, todos logo pensam em Tesla, Uber e outras grandes companhia. “É importante pensar de quais empresas vêm as ameaças. São as grandes ou pequenas?”, questionou Bartolo. Segundo ele, startups a princípio desconhecidas já estão mudando (e muito) o mundo, recebendo grandes investimentos – e a maioria delas está no Vale do Silício. “O Vale está se transformando em um novo Mobility Hub, Agro Hub, Edu Hub e Healthcare Hub – ou seja, um centro para todas as indústrias”.

Dados

“Há dez anos, empresas muito poderosas tinham algo em comum: petróleo. Atualmente, o que tem em comum empresas como Apple, Facebook e Amazon? Dados. O futuro está ao redor dos dados”, ressaltou Bartolo. Segundo o empreendedor, em um futuro breve as empresas deixarão de focar em produtos para centralizar sentimentos – que terão como base os dados. “A estratégia principal será individualizar e personalizar todas essas informações”, disse.

Funil de inovação

Para colocar em prática essa transformação dentro da empresa, Bartolo acredita ser essencial aplicar um funil de inovação. “Ele funciona de forma semelhante com um funil de vendas, mas ao invés de clientes a empresa trabalha inovação e produtos que fazem sentido a curto, médio e longo prazo”, explicou o empreendedor.

As iniciativas de curto prazo envolvem pequenas estratégias incrementais de inovação, mas que fazem toda a diferença. Bartolo citou como exemplo o Facebook – que começou inovando com o botão “like”, e aos poucos aumentou o leque de opções. Já para o médio prazo o empreendedor citou a compra do Instagram feita pelo Facebook. “Na época, lembro que muitos amigos me falaram que aquilo não fazia sentido. Mas é justamente em situações como essa, em que as pessoas nos acham doidos, que estamos na direção correta para inovar”.

Por fim, a terceira fase do funil é a adoção de uma estratégia mais distante do core business da empresa – mas que transformará a companhia nos próximos dez anos. Ainda sobre o Facebook, quando a empresa apresentou pela primeira vez seu planejamento com Inteligência Artificial, tinha como foco falar sobre inovação a longo prazo. A empresa de Zuckerberg pretende usar a tecnologia para criar soluções mais inclusivas, como leitura de fotografias para cegos.

Como fazer isso?

Para Bartolo, envolver as pessoas certas, ter o relacionamento com universidades e mentes brilhantes e, principalmente, estar mais próximos das startups são algumas das formas de colocar em prática o funil. “A vantagem de ter o contato com essas novas empresas é poder entender um novo mindset, testando provas de conceito e o impacto da tecnologia no seu negócio”.

Foto: Eduardo Viana