Nova Economia: como a tecnologia vai nos levar para uma era da prosperidade

As tecnologias que estão sendo desenvolvidas atualmente deverão aumentar a produtividade da economia e aumentar a prosperidade

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Produtividade. Nas primeiras páginas de qualquer livro de macroeconomia que você ler, chegará a conclusão de que a produtividade é o caminho para um país ser próspero. Todas as vezes que você lê sobre como os Estados Unidos possuem uma prosperidade sem precedentes no planeta, você vê diversas menções a essa palavra. E quando falamos dos problemas econômicos do Brasil, a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é apontada como fator.

Se a economia fosse uma corrida, estaríamos tentando ganhar com um Palio 1.0. Já os EUA estão com uma Ferrari 488 em mãos. Não dá nem para apostar a corrida direito: somos imediatamente humilhados no começo da corrida, na largada. A produtividade baixa é nossa 1ª inimiga e permite que o nosso país seja pobre, em comparação com as nações mais desenvolvidas (e produtivas) do mundo.

Só que... tudo isso vai mudar. E não vai mudar pouco. Vai mudar MUITO. Vamos entrar em uma era de transformações sem igual. E é uma era em que – se a gente não for uma nação de imbecis, desculpe a franqueza – vai gerar uma prosperidade sem tamanho. Entraremos agora na Era da Prosperidade.

Um caso real: Luiz, advogado

Vamos imaginar os efeitos da tecnologia nas pessoas com um exemplo real. Luiz Flávio é um advogado formado pela USP e que trabalha em um escritório de tamanho médio, advogando para um cliente na área de desapropriação. Em todos os seus processos, ele precisa gastar tempo estudando a questão e arranjando novas formas criativas de argumentar sua tese.

Contudo, a maior parte do seu tempo é gasta com trabalhos excessivamente mecânicos, como fazer contratos, analisar documentos ou laudos. A cada 40 horas de trabalho, 30 são gastas com essas tarefas excessivamente mecânicas. Em um futuro próximo, um software-robô vai começar a fazer esse tipo de operação para ele, que por sua vez poderá gastar esse tempo com novos clientes. Isso já existe e já está sendo aplicado.

Estão surgindo tecnologias capazes de facilitar e muito o trabalho dele. O robô poderá analisar informações presentes em contratos, documentos e laudos e categorizará para que o advogado gaste menos. Ele poderá transformar alguns dados em um contrato inteiro em poucos segundos, coisa que levaria horas para que o Luiz fizesse.

Essa é o poder da mecanização, deixar pessoas mais produtivas, capazes de realizar mais. Antes, Luiz atendia só 1 cliente nessas horas. Agora, são 3 ou 4. Pense nesse mesmo cenário aplicado em massa em quase todas as profissões que possuem trabalho intelectual, mas que possuem fases extremamente mecânicas.

Tendência para toda economia

Pense nas máquinas substituindo o trabalho humano, fabricando os mais diversos produtos vinte quatro horas por dia, sete dias por semana - não haverá mais fábrica parada por questões trabalhistas. Pense nos carros que vão se dirigir sozinhos, com apenas 1 pessoa controlando uma frota inteira (remotamente) de 100 automóveis. Pense nos caminhões autônomos que levarão esses produtos de um lado para o outro sem precisar descansar no meio do caminho.

O principal efeito prático de tudo isso vai fazer com que os preços dos produtos caiam e que as pessoas terão muito mais poder de compra com a mesma quantia. Com isso, o padrão de vida das pessoas vai subir drasticamente conforme a produtividade aumenta nas fábricas. Quem nunca pode consumir terá eletrônicos, eletrodomésticos, carros e outros produtos por uma fração do preço. E não são apenas os produtos físicos. Mais pessoas terão a possibilidade de ter ajuda legal, médica, dentária e apoio de outras dezenas de profissionais.

A tecnologia quando aumenta a produtividade aumenta também a prosperidade ao democratizar as oportunidades de consumo. Isso acontece desde a revolução industrial.

Um problema real: Perda de empregos

Teremos, porém, um grande problema a surgindo desse cenário. Milhões de pessoas perderão o emprego nos próximos anos conforme a tecnologia avance sobre seus empregos – 800 milhões, em algumas estimativas. Isso deverá ser uma questão social relevante nas próximas décadas.

Esses milhões de pessoas são aquelas que possuem trabalhos que robôs conseguem fazer facilmente. Motoristas de carro, caminhão, quem trabalha em fábricas, atendentes de centrais de relacionamento, burocrata.

Algumas empresas também vão requerer menos pessoal para realizar o mesmo trabalho. Escritórios de advocacia deverão “enxugar” a quantidade de estagiários, por exemplo, que hoje realizam esse mesmo trabalho mecânico que as máquinas podem assumir. Entrar em profissões que demandam criatividade vai ser mais difícil.

Aumento da riqueza, novas formas de lidar com as questões anteriores

Se teremos esse problema no futuro, é importante entender que ele tem solução. Se a sociedade está mais prospera do que nunca, mesmo com o enorme grupo de desempregados, é bem capaz que tenhamos ações para resolver essa questão. Grandes nomes do mundo de tecnologia, por exemplo, acreditam que evoluiremos para uma espécie de renda universal.

É o que propõe Bill Gates, Mark Zuckerberg e Elon Musk. Todos os três já foram favoráveis a esse tipo de medida (que aqui é defendida pelo Eduardo Suplicy). O que é isso? É garantir que o dinheiro gerado pelas máquinas seja distribuído entre as pessoas, como uma espécie de imposto.

A intenção é que isso gere uma rede de bem-estar social capaz de eliminar os incômodos causados pelo desemprego, proporcionando uma vida digna (mesmo que sem grandes luxos) para todas as pessoas, não muito diferente do que já acontece em vários países europeus de renda elevada como Dinamarca, Holanda e Suécia.

As grandes oportunidades que vamos ter no futuro

Ao mesmo tempo que o desemprego será um problema crônico na sociedade, nunca teremos uma época com tantas oportunidades quanto os próximos anos. Serão enormes oportunidades em vários segmentos da Nova Economia, muito para trazer a Era da Prosperidade para segmentos que já existem e operam de forma tradicional.

Startups vão surgir para matar companhias já estabelecidas e vão virar algumas das maiores empresas do mundo (quem, 18 anos atrás, apostaria em Google e Amazon? E o Facebook nem existia!). Então são enormes as oportunidades para empreender e trabalhar em companhias inovadoras nas próximas décadas: são elas que vão trazer essa visão de futuro para a realidade.

Há uma tendência com 5 tecnologias que estão convergindo para criação desta Era da Prosperidade. Elas somam umas as outras para que o ser humano tenha que trabalhar menos e se torne cada vez mais produtivo. Cada uma delas ainda não está completamente desenvolvida, o que abre espaço para inúmeras inovações nestes segmentos.

Realidade Aumentada (ou virtual)

Talvez a primeira tecnologia disruptiva dos próximos anos a ser completamente introduzida com sucesso seja a realidade aumentada. Com esse tipo de tecnologia, a produtividade deverá aumentar bastante, conforme informações sejam disponibilizadas de maneira cada vez mais fácil para os usuários.

Um advogado poderá receber informações em tempo real durante uma audiência, por exemplo, o que deverá melhorar a qualidade de seu trabalho. Um médico pode usar realidade aumentada para facilitar cirurgias e a polícia pode utilizar para encontrar criminosos de maneira mais rápida.

O fluxo de informações mais rápido deverá permitir que as pessoas agilizem seus trabalhos de maneiras nunca previstas, principalmente quando isso for alinhado com outras tecnologias, como IoT e Blockchain.

Automação do Trabalho

Outro conjunto de tecnologias que deverão fazer um efeito na humanidade nos próximos anos é aquele que concentra o que é capaz de automatizar o trabalho mecânico da humanidade. Dois exemplos: robôs (cada vez mais alinhados à produção) e impressoras 3D. Ambos deverão ser bastante significativos no esforço de aumentar a produtividade e fazer humanos trabalharem cada vez menos.

Funciona assim: máquinas deverão começar a assimilar trabalhos de natureza mais mecânica e repetitiva. Por exemplo, linhas de montagens de aparelhos eletrônicos poderão ser substituídos por máquinas. Peças de roupas e tênis, por exemplo, poderão ser impressos por grandes impressoras 3D. E carros autônomos poderão levar as pessoas para cima e para baixo de maneira fácil.

IoT

Outra tecnologia promissora para o futuro é a internet das coisas, quando boa parte de tudo que a gente usa durante o dia estiver conectada com a internet. Isso deverá abrir possibilidades enormes para que cada device se comunique e aja de maneira inteligente. Com comunicação constante, eles deverão ajudar no funcionamento um do outro.

Imagine quando o semáforo receber os dados de diversos carros e determinar, sozinho, qual deve ser o tempo que ele ficará aberto ou fechado para uma via. Isso deverá reduzir drasticamente o trânsito nas grandes cidades do mundo, que é um problema crônico pelo mundo. Carros também serão adaptados para ler diversos dados e se dirigirem sozinhos, que é o que chamamos de carros autônomos.

Além disso, é o IoT que vai permitir que dados sejam usados por setores. Quando a internet surgiu, o trabalho de muita gente foi facilitado pelo fato de que, agora, poderíamos medir facilmente muita coisa, muito resultado. Pela 1ª vez na história, tínhamos dados que mostravam exatamente o impacto de um anúncio nas vendas, por exemplo.

Essa revolução de alguns anos atrás está surgindo novamente, só que desta vez não são apenas computadores e celulares conectados à internet. Vai ser sua televisão, sua geladeira, até a mesa da sua casa pode se tornar mais inteligente com a Internet das Coisas.

E isso vai abrir muitas oportunidades: e se sua geladeira sozinha pudesse contabilizar o que você possui e garantir que você nunca tivesse produtos faltando? Se empresas conseguissem medir o consumo para criar embalagens mais adequadas para as suas necessidades? Se sua casa se tornasse inteligente e fosse controlável apenas com o seu celular ou voz?

Por isso, falam que “dados são o novo petróleo”, no sentido que a indústria ao redor de dados será a dominante deste século, como a indústria do petróleo “governou” no século 20. Há uma enorme quantidade de oportunidades neste campo, com certeza, principalmente transformando setores antigoa.

Blockchain

Confiança é praticamente a questão central de qualquer operação no cotidiano das pessoas – qualquer troca ou transação gira em torno de maneiras de garantir que tudo seja feito sem problemas, do dinheiro ao recibo. O Blockchain é uma tecnologia que surgiu para solucionar esse problema no mundo digital de maneira simples.

De maneira muito simplificada, é como se fosse “uma planilha de excel descentralizada”, que todo mundo tem acesso, mas que só aceita edição uma única vez, sendo visível para todos logo depois disso. Isso garante a confiança dentro da operação. Em uma criptomoeda, por exemplo, é como se cada pedaço dela recebesse uma marcação e pudesse mostrar exatamente o que foi feito com cada um desses pedacinhos, sempre.

Essa tecnologia pode ser aplicada a muita coisa: da confiabilidade de eleições ao gerenciamento de dados, passando por transações entre países e controle da corrupção (imagine saber o destino de cada centavo que fora aplicado no governo? Isso é possível se a moeda fosse digital e tivesse um sistema de blockchain por trás). Ou seja, alguns dos maiores desafios que o Brasil enfrenta atualmente podem ser resolvidos com a aplicação da Blockchain.

Inteligência Artificial

Por fim, há também a “última tecnologia que precisamos desenvolver”: trata-se da Inteligência Artificial. Isso é especialmente bom, já que as inteligências artificiais poderão fazer muita coisa para a humanidade: de analisar dados e garantir a melhor aplicação deles até desenvolver novas inteligências artificiais.

Com a inteligência artificial, garantimos que um nível de automação nunca alcançado: basta ligar a máquina e esperar a “mágica” acontecer, ela mesmo vai entendendo o que precisa fazer e garantindo que ela mesma se melhore. A ideia é que a inteligência artificial consiga se melhorar com o tempo, otimize tudo para o próprio usuário.

Um exemplo simples é que com inteligência artificial, as cidades passarão a ter muito menos trânsito, já que os carros serão controlados de maneira autônoma e poderão se entender para diminuir os problemas. Outro é que elas mesmo poderão se aperfeiçoar e chegar a novos níveis de automação. Esse é o campo mais quente no momento.

Uma nova matriz econômica?

Todas essas mudanças que estão acontecendo mostram que a humanidade caminha para uma Nova Economia, de fato. A lógica pela qual analisamos o desempenho da economia atualmente, muito influenciado pela revolução industrial e pela questão da geração de empregos.

Novas teses econômicas deverão ser desenhadas para acomodar as mudanças que virão. Teremos que estudar e compreender os efeitos dessa mudança para a sociedade e como podemos avançar para resolver essas questões que estão surgindo.

A Nova Economia está chegando e precisamos compreendê-la. Isso não envolve apenas os indivíduos mais ligados, mas todos os players, como as grandes massas, empresas, imprensa, governo e outras tantas instituições que formam a sociedade.

A parte teórica é bastante importante para conseguir que as autoridades públicas ajam de acordo com as necessidades da época.

Conheça a Era da Prosperidade

A Era da Prosperidade deverá trazer desafios, mas melhorar a vida de muita gente conforme a tecnologia nos deixe mais prósperos. Nós, da StartSe, estaremos sempre de olho em todas as mudanças que a humanidade vai passar para alcançar este novo patamar. Fique de olho por aqui e vamos juntos para este novo momento maravilhoso.

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