Escola de programação ’42’ prepara alunos para o mercado de trabalho em 6 meses

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

13 de fevereiro de 2020 às 19:18 - Atualizado há 3 meses

Logo ReStartSe

GRATUITO, 100% ONLINE E AO VIVO

Inscreva-se para o Maior Programa de Capacitação GRATUITO para empresários, gestores, empreendedores e profissionais que desejam reduzir os impactos da Crise em 2020

“Aprender a aprender”. Esse é um dos lemas da École 42, escola francesa de programação 100% gratuita que chegou no país no ano passado. Após 12 mil inscrições, a instituição escolheu 130 candidatos e inaugurou sua primeira turma no Brasil. As “aulas” tiveram início no dia 20 de janeiro.

72% dos cadetes, como também são chamados os alunos, nunca programou. Dos 130 participantes, 25% vêm de áreas de vulnerabilidade e cerca de 20% são mulheres — estatística acima da média no mercado de tecnologia. Eles se reúnem a qualquer hora do dia no prédio da Vila Madalena, em São Paulo, com um objetivo: aprenderem juntos.

“Não há professores ou uma pessoa que detém o conhecimento, todos ali o possuem — ou por repertório de vida ou por sabedoria. Eles criam uma comunidade e, se você entra sem saber de nada, pode pedir ajuda para a pessoa que está na sua direita, esquerda ou para o Google”, afirma Karen Kanaan (à direita), sócia da 42 no Brasil, em entrevista exclusiva à StartSe. Kanaan foi uma das palestrantes no EdTech Conference que aconteceu nesta terça-feira (11).

Não é necessário ter qualquer conhecimento prévio para entrar na 42. O teste realizado na inscrição é de lógica. Os aprovados são convidados a realizar uma entrevista presencial para identificar se há “fit” com a metodologia. Depois, eles passam por cerca de um mês de imersão, período em que é chamado de “Piscina”. Os alunos são aprovados se passarem por essas três fases.

Além do aprendizado colaborativo, os cadetes possuem 21 níveis e “caminhos” em que podem seguir. Eles podem escolher aprender inicialmente blockchain, inteligência artificial, segurança dos dados, entre outros. Fora os colegas, eles contam com materiais preparados pela 42. Há a liberdade de trocar de trilha quando quiserem, embora eles precisem passar por todas as etapas para se formarem.

“Até o nível 7 tem conteúdo que direciona para que os alunos saiam minimamente prontos para o mercado de trabalho. Leva de 6 a 9 meses”, contou Kanaan. Após o período básico de aprendizado, eles podem entrar no mercado de trabalho de tecnologia e conciliar a École 42 com um emprego. Da primeira turma de cadetes, 50% não trabalham, enquanto o restante trabalha fora deste mercado ou na própria startup.

Na metodologia da 42, a liberdade existe inclusive na hora de decidir quanto tempo se dedicar. A escola funciona 24 horas por dia e os cadetes escolhem o horário que irão estudar. A exigência é que o curso seja concluído em no máximo três anos.

A 42 foi criada pelo bilionário francês Xavier Niel, que contou com diversos fundos e investidores para apoiá-lo. A instituição possui mais de 20 unidades distribuídas ao redor do mundo. Além do ensino gratuito, a 42 oferece bolsa-auxílio para incluir pessoas que têm dificuldades no pagamento de transporte, alimentação e moradia. A companhia também conta com doações de ex-alunos e o patrocínio de empresas.

O mercado de trabalho

Há uma grande demanda por vagas no setor de tecnologia no Brasil. Em um levantamento realizado pelo LinkedIn, 9 das 15 profissões mais promissoras para 2020 são deste setor. Entre os destaques, estão engenheiros de cibersegurança, cientistas e engenheiros de dados, especialista em inteligência artificial, desenvolvedor em JavaScript, entre outros.

Não por acaso, startups como Nubank, iFood e Gympass estão praticando o “acqui-hire”, modalidade em que compram empresas para incorporar funcionários em suas próprias equipes. A iniciativa é uma forma de contornar a dificuldade de contratar profissionais especializados em tecnologia no país.

“Hoje o nosso maior trabalho é controlar a nossa ansiedade e das empresas que nos procuram. Educação leva tempo, por mais que a primeira turma já esteja pronta para colocar suas habilidades no mercado em seis meses, existe um processo e curva de aprendizagem de quem nunca programou”, explica Karen. “Tem uma reeducação do mercado — um júnior é um júnior, um pleno é um pleno. Não dá para pular etapas porque faz parte da conquista e entendimento”.

A programação como ferramenta

Muito além do mercado de trabalho, a filosofia da 42 é ter a programação como uma ferramenta. “A tecnologia é meio, não é fim. Ela cabe em qualquer caminho que você já tenha escolhido. Um dos cadetes é um arquiteto que quer programar. Ele disse isso em uma entrevista e a empresa falou que tem um projeto que quer transformar as lojas em uma experiência mais digital”, conta Kanaan. “É muito interessante ver que existem profissões ou carreiras, cargos que ainda não foram criados, e eles podem descobrir”.