Uma das maiores empresas de Portugal entendeu que precisa de startups

Da Redação

Por Da Redação

2 de novembro de 2016 às 13:27 - Atualizado há 4 anos

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Gajos e gajas que leem o StartSe, pude constatar que o ecossistema português de startups é vibrante. Um país com 10 milhões de habitantes, Portugal já tem um unicórnio – coisa que o Brasil, com 210 milhões de habitantes e uma economia muito maior, não tem. Trata-se da Farfetch, uma gigante da venda de roupas.

Economia desenvolvida, era natural que Portugal tivesse um ambiente propício para o desenvolvimento de startups, com grandes empresas apoiando o desenvolvimento delas – afinal, grandes empresas PRECISAM se relacionar com startups (ensinamos isso através de um e-book). Visitei os escritórios de Lisboa de uma das maiores companhias portuguesas de todas: a Energias de Portugal, que me trouxe até o País para cobrir o EDP Open Innovation, sua premiação para startups.

A área de inovação da empresa naturalmente é grande – afinal, trata-se de uma companhia energética com foco em energia eólica e solar -, com 27 funcionários full-time. Há duas subdivisões que garantem que a companhia converse com as mais diversas startups do ecossistema português: EDP Starter e EDP Ventures.

A história da companhia com startups começou em 2007 com o lançamento de um fundo de capital de risco de 40 milhões de euros, focado em startups que podem mudar e melhorar o setor elétrico. São 5 os segmentos favoritos pela EDP para investimentos: soluções para clientes, redes elétricas inteligentes, energia limpa e renovável, gestão de dados e, por último, armazenamento de energia.

Desse dinheiro, pouco mais que a metade já está alocado em diversas startups que fazem parte do portfólio da companhia – inclusive uma companhia que está muito próxima de se tornar um unicórnio, a Feedzai, de gestão inteligente de dados e que mudou sua sede para o Vale do Silício para alçar novos voos (e maiores valuations).

O restante deverá ser alocado nos próximos anos, conforme a empresa vai identificando as mais diferentes oportunidades. Muitas delas em Portugal, outras nos outros mercados que a empresa atua, como o nosso Brasil (responsável por, aproximadamente, um quarto de todo o resultado da EDP no ano de 2015). Aliás, deixa-se claro que portas estão abertas para startups do Brasil o tempo todo, tanto que 5 das 15 finalistas do prêmio são verde-amarelas.

Logo depois da formação do fundo, fizeram o prêmio EDP Open Innovation para boas ideias que ainda não tinham se tornado startups – ou seja, para equipes que ainda estavam em fase de ideação. Havia uma premiação, que, portanto, seria utilizada para que essas companhias desenvolvessem seus projetos pilotos e seus protótipos. Parecia que estas startups teriam uma vida gloriosa…

A mortalidade das startups obrigou a EDP a incubá-las

Contudo, a EDP percebeu que muitas das startups morriam nesta fase – não conseguiam chegar ao ponto de receberem investimento. Foi assim que nasceu a EDP Starter, uma incubadora dentro da empresa para garantir que aquelas ideias, de fato, prosperassem. Dona de um espaço de 600 metros quadrados na sede da empresa, às margens do Rio Tejo (de onde saíram as caravelas de Pedro Álvares Cabral) e muito próxima da Ponte 25 de Abril (que se tornou o símbolo do ecossistema de startups da região, por ser parecida com a Golden Gate de São Francisco).

Assim, a EDP passou a receber as startups em suas fases de ideia e ajuda-las a virarem empresas de verdade e ganharem escala. Nas palavras de Carla Pimenta, a head do EDP Starter, uma das suas funções é ajudar as companhias a se formarem, desenvolverem e patentearem suas tecnologias. E depois, crescer, usando a forte estrutura da EDP para tal (afinal, trata-se de uma das maiores empresas de Portugal). “O que fazemos aqui é engordar o porco”, diz.

Hoje, a EDP Starter funciona como o terceiro passo do programa corporate. No primeiro, a startup entra no ciclo da EDP em fase de ideação, através dos prêmios, desafios e hackatons promovidos pela companhia e então monta seu protótipo no Fablab – um espaço dentro da companhia, comandado por três pessoas, para que se desenvolvam novas tecnologias.

Protótipo construído, hora de finalmente passar para a incubação, onde as empresas se constituem, ganham escala, implantam seus projetos pilotos com ajuda da EDP (muitas delas são projetos massivos e B2B). Ganham todo o apoio possível. “Damos treinamento e educação. Pode ser tão simples quanto uma aula de inglês, mas há outros cursos são mais complexos em lugares específicos. Esses podemos ajudar a financiar, tudo é negociável”, conta Carla.

Além dos 27 full-time, a companhia também tem mais 16 interim managers que trabalham 20% de seu tempo (ou seja, um dia por semana) como mentores para as startups incubadas pela EDP. É uma baita ajuda para que cresçam e ganhem escala – tomando direto o conhecimento de gente mais experiente. “E os 16 são das mais diversas áreas da empresa, tratando de tecnologia até marketing, por exemplo”, explica a head do EDP Starter.

Eles não são os únicos que estão em contato constante com o pessoal da EDP. “A EDP Starter coloca as mais diversas áreas da empresa para trabalharem em conjunto com cada uma das startups que estão incubadas”, diz Carla. Ou seja, se uma empresa incubada precisa de uma ajudinha do comercial da EDP, várias pessoas que fazem parte dessa área vão lá e ajudam.

Além disso, a EDP ajuda muito no networking com fornecedores e outros provedores de tecnologia – uma grande ajuda para que as startups prosperem e se desenvolvam, formando um grande grau de comunicação e conexão. “Para nós é fácil abrir essas portas, nos 15 países que temos presença, mas principalmente em Portugal, Brasil e Espanha, que são os países que temos negócios completamente constituídos”, salienta.

Depois de que suas ideias e tecnologias tenham sido validadas, a empresa pode, ou não, investir nela. Nesta cadeia de inovação da EDP, este é o primeiro momento que a companhia toma participação acionária na startup – tudo, antes, era completamente equity-free. Não há, aqui, uma regra: o menor investimento foi de 200 mil euros, enquanto o maior foi de 6 milhões de euros. E a companhia não tem um número mágico para a percentagem do capital que ela compra através destes investimentos – apenas garante ser minoritária.

Uma das startups incubadas e investidas é a EGG Eletronics, que faz uma régua de tomadas com design diferenciado e adaptável. Deixa de ser um aparelho escondido para ser um colocado no topo da mesa, permitindo o compartilhamento de uma mesma tomada. Deu certo – e a área comercial da EDP está garantindo que a empresa atinja grandes mercados, como o ramo hoteleiro. A companhia tem 14% da startup, mas não revela o valuation.

Há outros projetos incubados pela EDP: um deles lhe dá a possibilidade de controlar melhor a temperatura da água do chuveiro (Zypho), economizando energia, monitorar maus comportamentos em relação à geladeira (Eggy), analisar dados em fazendas em larga-escala e remotamente (Agroop), produzir energia solar plug & play em minutos (BeMicro), ajustar seu uso de energia de maneira inteligente e economizar até 80% (Black.Block), termodinâmicos inteligentes (Graphenest), sensores inteligentes que podem eliminar desperdícios (IsGreen), transformam velhos aparelhos de armazenamento de energia em novos (IONSEED), melhoram a eficiência de peças do setor elétrico (OptiSigma), uma nova espécie de turbina eólica (Omniflow), drones adaptados para monitorar parques eólicos (Pro-Drone), uma nova database (pknoa), um aplicativo para controlar a temperatura dos aparelhos como alguns tipos de ar-condicionado (Thermosite) e otimização de smarthomes (Unplugg).

Mesmo com todas essas startups, porém, a EDP ainda não realizou seu primeiro exit, embora tenha interesse em realizá-lo nos próximos anos. De fato, a companhia já ganhou muito desenvolvendo parcerias interessantes com startups que podem lhe manter no topo da cadeia de inovação do setor elétrico – e assim, com a ajuda de grandes inovadores associados, grandes companhias continuam relevantes.

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