StartSe no Mundo: o que aprendi visitando os quatro países do BRIC

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Por Eduardo Glitz

6 de janeiro de 2017 às 11:14 - Atualizado há 4 anos

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A Rússia foi o 28º país da minha volta ao mundo.  Não sabia muito o que esperar, mas imaginava algo um pouco mais parecido com o Brasil e mais distante dos países desenvolvidos da Europa. Engano meu e mais uma vez fui surpreendido. A Rússia é organizada, desenvolvida e segura, incomparável com o Brasil, o que me leva a concluir, depois de visitar os 4 países do BRIC, que estamos em terceiro lugar nesta lista, e infelizmente mais perto do quarto colocado do que do segundo. Em 2011 o BRIC virou BRICS com a entrada da África do Sul, país que ainda não visitei, mas que espero estar neste início de 2017 para incluir também na análise.

Mas falando sobre o BRIC, eu não tenho dúvidas de que quando analisamos desenvolvimento econômico, infraestrutura e segurança, a China é o primeiro lugar, sem comparar indicadores, mas apenas refletindo sobre o que vi por lá e o que aprendi com os moradores. Mas tanto na Rússia quanto na China, talvez a pergunta que eu fiz e que mais reflete a enorme distância que estamos deles, foi sobre pobreza. Minha pergunta em todos os países é se existe pobreza e como ela é. Nos dois países a resposta foi que sim, mas eu não iria conseguir ver nas grandes cidades, pois o aluguel é muito caro, e os mais pobres só conseguem alugar apartamentos mais distantes dos grandes centros. Ou seja, quando falamos de pobreza nestes países, não são pessoas morando em uma favela, sem saneamento básico e em condições desumanas. São pessoas que moram em apartamentos menores e levam uma vida mais simples. Este é o conceito de pobreza para eles.

Os pobres nestes países vivem com o básico, um apartamento simples, comida na mesa, saúde e educação. Moram distantes dos grandes centros mas possuem um sistema de transporte, basicamente um metrô eficiente, que os permite em alguns minutos estarem em seu local de trabalho. Portanto quando falamos em uma vida digna para todas as classes sociais, estamos muito distantes de China e Rússia. Já na Índia a pobreza é vista nas ruas, da mesma forma que no Brasil e algumas vezes até pior.

Mas quando entramos no assunto segurança as coisas ficam ainda piores para o lado do Brasil. Dos 28 países visitados até agora, sem dúvida o Brasil é infinitamente mais violento que todos. Mesmo nações mais pobres como Camboja, Vietnã, Butão, Tailândia e Índia. Em todos estes países, ao sair a pé a noite, em nenhum momento foi recomendado cuidado e em alguns locais nem entendiam a pergunta que eu fazia sempre ao sair do hotel questionando se poderia andar a noite pela rua com segurança. Em Moscou, capital da Rússia, sempre nos deixavam muito claro que as pessoas não sabiam o que era um assalto a mão armada, isto definitivamente não existe. O que acontece, apesar de raro, são furtos sem agressão, um roubo de carteira ou celular de um turista distraído.

Na Índia, apesar de ser seguro, como existe muita pobreza nas ruas nosso preconceito associa isto a insegurança e não é tão confortável de sair a noite em qualquer lugar. Já na China as pessoas não entendiam como era possível haver assaltos com arma no Brasil, as perguntas eram: “mas a polícia não faz nada?” ou “mas é permitido ter arma?”. Perguntas tão bobas, mas que deixam claro que na verdade os bobos somos nós brasileiros, que já deixamos cair na normalidade o nível de violência e insegurança que vivemos.

Portanto, apesar do inquestionável potencial econômico das 4 nações do BRIC, muito motivado pelos enormes mercados consumidores, afinal estamos falando de alguns dos países mais populosos do mundo, as questões básicas relacionadas a qualidade de vida e bem estar da população demonstram que ainda temos muito o que resolver no Brasil para podermos chegar, não no nível dos países de primeiro mundo, mas pelo menos estarmos mais próximos das nações que realmente estão em desenvolvimento.

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