StartSe no Mundo: o que aprendi na Nova Zelândia

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Por Eduardo Glitz

4 de abril de 2016 às 17:51 - Atualizado há 4 anos

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A Nova Zelândia é um país com menos de 5 milhões de habitantes e extremamente isolado do restante do mundo, mas que tem muito a nos ensinar. Os números falam por si: é o primeiro em facilidade de se abrir uma empresa, segundo menor em índice de corrupção, terceiro em liberdade econômica e ainda figura entre os 10 maiores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do planeta.

Em se tratando de negócios, não necessariamente dita tendências, mas sem dúvida pode nos ajudar a compreender muitas coisas e até vir a ser um belo laboratório.

O empreendedorismo está presente, mas não é explosivo. Nas duas principais cidades, Auckland e Wellington, existem empresas inovadoras com produtos disruptivos, mas o volume é pequeno. Apesar da facilidade para se criar negócios e da liberdade econômica, há fatores que impedem um ambiente empreendedor e inovador de verdade.

Acredito que o primeiro é cultural. A cultura é mais “relax” – ouvi isso de diversos empreendedores ao questionar sobre o ritmo dos negócios. O expediente termina entre 16h e 17h, a resposta dos e-mails é lenta, leva em média de 2 a 3 dias, o que torna o ritmo dos negócios vagaroso.

O segundo é o tamanho do mercado – qualquer empresa que queira crescer na Nova Zelândia precisa se internacionalizar. A população equivale a 10% do Estado de São Paulo, muito pequena para tornar qualquer negócio realmente grande (mas que por outro lado também tem baixa competitividade em diversos setores).

Apesar desse ritmo de negócios ser um pouco abaixo do esperado (afinal, de um país onde um funcionário pode pedir demissão num dia e estar com sua empresa operando no outro, eu esperava o paraíso do empreendedorismo), a palavra que melhor resume a Nova Zelândia é “evoluída”.

A Nova Zelândia está, sem dúvida, à frente em diversos fatores. A cabeça das pessoas funciona diferente. Sucos e refrigerantes de praticamente todas as marcas são orgânicos, quase sempre em garrafas que reduzem o dano ao meio ambiente. Os produtos alimentícios utilizam matéria-prima de produtores locais, muitas vezes valorizando o não uso de conservantes – a filosofia de consumir produtos “direto do produtor local” é muito forte.

E tudo isso torna o país inovador nesse segmento, com foco no bem-estar e na saúde (durante todo tempo que estive lá, contei nos dedos a quantidade de fumantes que vi, mais uma evidência clara do adjetivo “evoluído”). Os esportes e o contato com a natureza também são elementos muito presentes na vida das pessoas, algo refletido no bom humor e na hospitalidade acolhedora.

Os Kiwis, expressão utilizada para denominar os moradores da Nova Zelândia, possuem um alto nível de confiança nas pessoas e senso de comunidade. E eles são enfáticos nesse ponto: um ajuda o outro e juntos seremos mais fortes. Isso gera confiança, que pode ser comprovada no dia a dia – no posto de gasolina, por exemplo, primeiro você mesmo pega a bomba, abastece e só depois paga, diferente de outros países desenvolvidos em que, apesar de ser “self-service”, você precisa pagar antes ou colocar o cartão de crédito para usar o serviço (e não preciso citar a infeliz conclusão a que muitos chegamos neste momento, de que no Brasil muita gente iria encher o tanque e ir embora).

Nas estradas e nas ruas, a presença da polícia é mínima, quase inexistente. Cruzamos o país de carro por três semanas e vimos somente três carros de polícia – e um deles nos multou em 90 dólares por excesso de velocidade. O policial fez questão de gastar um longo tempo me explicando as regras de direção do país (fiquei envergonhado), pois a percepção dele é a de que eu não sabia as regras e somente por isso estava acima da velocidade permitida. Diferentemente do que se nota em muitos países desenvolvidos, onde as regras são cumpridas porque existe fiscalização e punição para os infratores, lá é algo absolutamente cultural e muito ligado ao senso de comunidade.

Por tudo isso, a Nova Zelândia é, sem dúvida, um país e tanto, uma ilha que, com suas próprias forças e alta liberdade econômica, chegou aonde muitos sonham chegar. É evoluída porque prosperou economicamente com uma população preocupada com seu bem-estar, com o do próximo e com o planeta.

Quando se está no primeiro país de uma volta ao mundo que contemplará 40 nações, é importante não se precipitar nas conclusões, mas só temos a agradecer à Nova Zelândia pelos ensinamentos!

Este conteúdo faz parte do projeto StartSe no Mundo, uma viagem empreendedora por mais de 40 países. Conheça o site do projeto clicando aqui e inscreva-se para receber conteúdos exclusivos ao longo da jornada, que podem inspirá-lo e adjudá-lo a empreender.