StartSe no Japão: um país onde até o lixo te ensina sobre empreendedorismo

Da Redação

Por Da Redação

30 de junho de 2016 às 18:38 - Atualizado há 4 anos

Vem aí a melhor formação de líderes do Brasil

Logo Liderança Exponencial Aprenda as novas competências fundamentais para desenvolver uma liderança exponencial e desenvolva diferenciais competitivos para se tornar um profissional de destaque no mercado.

100% online, aulas ao vivo e gravadas

Próxima turma: De 14 a 17/Dez, das 19hs às 22hs

Inscreva-se agora
Logo Cyber Monday 2020

Só hoje, nossos melhores Cursos Executivos ou Programas Internacionais com até 50% off

Quero saber mais

*Por Felipe Leal

Você com certeza já ouviu falar em coleta seletiva de lixo, certo? Pode ter sido no seu condomínio, na sua rua ou no escritório. Independente do lugar, essa é uma prática cada vez mais crescente no Brasil, assim como a consciência sobre a importância do tema. Agora, duvido que alguém tenha conferido se a sua seleção foi feita da forma correta, se é que você fez a separação. Muito menos que esse alguém tenha devolvido o seu lixo, erroneamente separado, na porta da sua casa. Pois saiba que no Japão isso é muito mais comum do que possamos imaginar.

Uma das coisas que mais me chamaram atenção no Japão foi a dificuldade para se encontrar uma lixeira na rua ou em qualquer espaço público (estações, centros comerciais, etc). Elas existem, mas são raras e inúmeras foram as vezes que fiquei com um papel ou uma garrafa de plástico na mão por horas até encontrar uma santa lixeira. Eu pensava: como pode um país ser tão limpo e não existir uma lixeira disponível na rua? A resposta a essa pergunta passa por uma série de fatores que nascem a partir da real necessidade de um país pensar de forma inteligente o destino que dará ao lixo que produz.

Tudo começa com a absoluta falta de espaço para que sejam criados os famosos lixões. Desde a década de 60, com o crescimento projetado da população, ficou claro que o país teria que buscar soluções para essa questão ou afundaria com o peso do próprio lixo gerado. Dito e feito, hoje o Japão é o 8º no ranking mundial de toneladas de lixo gerada anualmente, mas por ser um país disciplinado, organizado e muito consciente, se preparou para o desafio.

No Japão, as regras para a separação do lixo são extremamente rígidas e complexas. Cada município tem seu próprio “guia do lixo”, um documento que explica detalhadamente como a coleta seletiva deve ser feita. Alguns guias podem ter mais de 20 páginas e até 40 categorias diferentes de lixo! Esqueça aquela separação básica de orgânicos, recicláveis, plásticos e metais. Nas cidades mais flexíveis o mínimo que se exige é algo próximo de papel, latas, jornais, vidro não quebrado, plásticos, garrafas PET, itens incineráveis, não-incineráveis e baterias. Além disso, cada categoria tem uma frequência distinta de recolhimento. Itens como baterias, por exemplo, são recolhidos somente uma vez ao ano. Ou seja, se perder o dia da coleta, só no ano que vem!

Com toda essa meticulosidade na separação você deve pensar que o Japão é um dos maiores recicladores de lixo do mundo, mas não é bem assim. Apenas 20% do lixo é reciclado e a maior parte é incinerado mesmo. Mas calma, estamos no Japão, ou seja, não é simplesmente botar fogo no lixo. Os japoneses desenvolveram um sistema chamado “Waste to Energy”, um processo especial de queima de material que transforma o calor em energia, outro grande problema do país. Esse sistema é mais barato, ocupa menos espaço e produz menos gases poluentes que outros métodos de descarte do lixo.

Outro fator importante é a consciência dos japoneses para evitar qualquer tipo de desperdício. No que tange ao lixo, o desperdício está relacionado também às embalagens. Historicamente, o japonês embala muito bem os presentes, com várias camadas de proteção e isso acaba gerando muito lixo desnecessário. Para conscientizar as crianças, em 2007 foi lançado um personagem de mangá chamado “Danbo”, um robozinho de papelão destinado a ser sustentável, carismático, engraçadinho e que interagia com humanos. Logo que começou a ser comercializado, Danbo ganhou uma versão da Amazon que virou febre e lembra a todos da importância das embalagens recicláveis.

De forma complementar a todo esse sistema e consciência, existe no âmbito residencial uma forte fiscalização entre todos os moradores de uma rua, por exemplo. Tenha ciência de que se você não separar o seu lixo de acordo com as regras é grande a chance de ele ser devolvido na sua casa e esse é um motivo de extrema vergonha perante a comunidade. Existem casos de inquilinos que foram remanejados de moradia a pedidos dos vizinhos pelo fato de não respeitarem as regras de separação e coleta do lixo.

E assim chegamos à conclusão de todo esse processo e à resposta de porque não existem lixeiras na rua. No Japão, cada pessoa é responsável pelo seu lixo! Cada cidadão tem consciência da necessidade, das regras, do sistema e também das consequências de dar o correto destino ao lixo por ele gerado. Simplesmente jogar na rua eles não vão, por educação básica e elementar. Então eles carregam o lixo até chegarem em casa ou, por sorte, cruzarem com lixeiras devidamente separadas por categoria na rua. Isso é tão forte que eles dão o exemplo por onde passam. Como esquecer da cena dos japoneses recolhendo o lixo nos estádios da Copa do Mundo de 2014 no final dos jogos da sua seleção!

E onde entra o empreendedorismo nisso tudo? Bom, todo sistema gera oportunidades. Eu fico imaginando quantas empresas foram criadas para atender o sistema japonês. Desde produtores de embalagens sustentáveis, serviços de coleta e separação até inovações como no caso da queima especial dos dejetos. E na sua cidade, como funciona o sistema de lixo? Que oportunidades existem para atender esse sistema? Ainda temos uma baixa adesão quando o assunto é coleta seletiva, mas é uma tendência cada vez mais próxima de se tornar realidade e com ela trazer muitas oportunidades para quem tiver se preparado para elas!

Lixo Japão 5 Lixo Japão 4 Lixo Japão 3 Lixo Japão 2 Lixo Japão 1 Danbo 4 Danbo 3 Danbo 2 Danbo 1

*Felipe Leal é o correspondente do Startse no mundo no Japão.

Desde que soube do projeto StartSe no Mundo, trazendo ao Brasil ideias de negócios através do olhar empreendedor do Eduardo Glitz na sua volta ao mundo, me tornei fã da iniciativa. Assim que defini minha viagem de férias ao Japão, com o propósito de conhecer uma cultura completamente diferente da nossa, conversei com o Glitz para ser uma espécie de correspondente StartSe no Mundo naquele país. Ele topou prontamente e a partir daí nasceu o conteúdo que será apresentado a vocês nos próximos dias! Arigato e aproveitem!

Este conteúdo faz parte do projeto StartSe no Mundo, uma viagem empreendedora por mais de 40 países. Conheça o site do projeto clicando aqui e inscreva-se para receber conteúdos exclusivos ao longo da jornada, que podem inspirá-lo e adjudá-lo a empreender.