StartSe no Japão: o que aprender com esse país riquíssimo

Da Redação

Por Da Redação

7 de julho de 2016 às 11:56 - Atualizado há 4 anos

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Ter a oportunidade de viajar para o Japão por si só já é uma experiência única. No meu caso, conciliar com o desafio de identificar oportunidades, curiosidades e exemplos locais e poder compartilhar com um grande número de pessoas através do “Projeto StartSe no Mundo” foi, sem dúvida, uma experiência muito gratificante. Muito se fala sobre o Japão e é incrível o interesse que esse país desperta nas pessoas. São muitos os brasileiros que expressam a vontade de ir para o Japão. No entanto, seja pela distância ou pelo mito do custo da viagem, poucos se aventuram a descobrir as maravilhas desse lugar.

O Japão é um país de contrastes que convivem em pleno equilíbrio! Ao mesmo tempo que o japonês é muito tranquilo, paciente e respeitoso, ele consegue ser frenético, ter muita pressa e com isso, às vezes, atropelar um pouco a costumeira boa educação. Ao mesmo tempo que é um país muito evoluído numa série de aspectos, nos causa surpresa ao permitir que as pessoas fumem em ambientes fechados como restaurantes e cafés. Ao mesmo tempo que é um povo reservado, tem uma disposição ímpar em ajudar o próximo e a sua comunidade. Ao mesmo tempo que é um país que revolucionou sistemas e tecnologias, conserva as tradições como poucos. São pequenos exemplos, mas que representam momentos marcantes dessa experiência.

As 3 cidades principais que visitei também reforçam a ideia dos contrastes. Tóquio é aquela capital gigante, megalópole mesmo, alta densidade demográfica, arranha-céus, gente para todos os lados, mas que compensa esse frenesi com grandes parques, bairros com atrativos bem específicos e alguns deles muito calmos. Kyoto é o oposto. A sede global da Nintendo é uma cidade focada no turismo, cheia de templos maravilhosos, circundada por morros e florestas, tranquila e calma. No entanto, tem uma estação de trem gigantesca e moderna com um fluxo de pessoas insano. Osaka é o meio termo entre Tóquio e Kyoto, pois mistura bem as características das duas cidades.

O mesmo contraste se aplica entre o desenvolvimento econômico e o crescimento do ecossistema de startups no Japão. Embora venha apresentando taxas modestas de crescimento nos últimos anos, o Japão é uma consolidada potência econômica, figurando entre as 3 maiores economias do mundo há muitos anos. Em todos os rankings de liberdade econômica, respeito aos direitos de propriedade e índices de corrupção do The Heritage Foudation*, o país é definido como predominantemente livre nesses quesitos. Isso deveria criar condições para que o ecossistema de startups e empreendedorismo em geral tivessem um ambiente pujante para se desenvolverem. No entanto, o Japão ocupa apenas a 30ª posição no Global Entrepreneurship Index** de 2015, ainda assim bem à frente do Brasil que é o 92º.  Outro ranking que reforça esse contraste é o dos maiores ecossistemas globais de startups, feito pela Compass.co*** no ano passado e liderado pelo Vale do Silício, onde o ecossistema de Tóquio sequer foi analisado por não ser tão relevante.

Tudo isso é facilmente observável quando se está no Japão. Na visita ao coworking Hapon Shinjuku, eu esperava encontrar startups de tecnologia criando coisas revolucionárias. No entanto, me surpreendi positivamente ao ver um lado mais humano do empreendedorismo japonês e muita disposição para fazer crescer o ecossistema de startups da capital japonesa.  Os maiores exemplos de empreendedorismo e negócios que identifiquei no Japão estão relacionados às atitudes e características pessoais tão enraizadas nos japoneses e que servem de inspiração para todo o mundo. Criatividade, segurança e respeito como no caso das vending machines. Coragem para inovar e se reinventar por meio de uma execução exemplar como realizado para transformar o Kit Kat no chocolate preferido do país. Uma capacidade ímpar de adaptação como demonstrado na versão “take away” da comida japonesa. A consciência individual e coletiva, o respeito às regras e a visão de longo prazo que eles tiveram para transformar o acúmulo de lixo em solução e não mais um problema para o país administrar. E por fim, mesmo se envolvendo em polêmicas como todo mundo, demonstrarem rapidez na correção de rumos, seriedade no planejamento e assim se prepararem de forma adequada para receberem as Olimpíadas em 2020.

Todos esses exemplos reforçaram em mim algo que tenho escutado muito nos eventos de empreendedorismo que tenho participado. Independente do mercado, da ideia ou problema que o empreendedor esteja disposto a solucionar, são os valores e as atitudes corretas que vão determinar o sucesso de um negócio. E nesse quesito, o Japão é exemplo para o Brasil e o mundo!

Resgatando a frase inicial desse artigo, a decisão de ir para o Japão me possibilitou participar e contribuir para o “Projeto StartSe no Mundo”. Quero finalizar agradecendo ao StartSe e ao Eduardo Glitz pela parceria e oportunidade! Parabéns pelo trabalho de vocês e que os próximos países continuem trazendo ainda mais inspiração para o empreendedor brasileiro!

Abraço a todos e ARIGATO!

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*Felipe Leal é o correspondente do Startse no mundo no Japão.