StartSe no Japão: o país dos vendedores robôs, as vending machines

Da Redação

Por Da Redação

20 de junho de 2016 às 19:23 - Atualizado há 4 anos

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Por Felipe Leal*

O Japão possui a maior taxa mundial per capita de vending machines. Se você for ao Japão, você vai esbarrar nelas o tempo todo e vai se surpreender com o que é vendido através desse canal.

Você chega num aeroporto qualquer de Londres, por exemplo, e facilmente encontra uma vending machine. Você se hospeda num hotel nos Estados Unidos e é grande a chance de ter uma vending machine no final do corredor. Em geral, elas vendem refrigerante, sucos e água. Até aí tudo bem, essas são cenas comuns em vários países.

Imagine agora que você está no Japão e vai sair para seu primeiro passeio turístico. Logo ao sair do hotel você se depara com uma vending machine comum, dessas que vendem as bebidas citadas acima. Não terá sido seu primeiro encontro com ela no país, pois vocês já se cruzaram antes no aeroporto e no hotel, mas elas não te chamaram muito a atenção. Só que você dá mais dois passos e não encontra uma, mas duas vending machines, uma do lado da outra. Logo adiante, mais três. Na sequência aparece outra. E outra. E outra!

A partir desse momento, você já percebeu que elas irão te acompanhar por toda a viagem. E que bom! Porque no Japão duas coisas se destacam quando o assunto é vending machines. A primeira é justamente a quantidade. Elas estão por todas as partes, em todos os locais e em grande volume. Seja você um turista ou morador local, elas representam bem o conceito de conveniência. Elas estão nos grandes centros e no interior, em locais de grande ou quase nenhum fluxo aparente e até, acreditem, no topo do Monte Fuji! A segunda é a variedade de produtos que são consumidos por essas máquinas que chegaram ao Japão na década de 50 e hoje são parte da rotina dos japoneses.

O que você imaginar que possa ser vendido através de uma vending machine, o Japão é o lugar com maior probabilidade de você encontrar. Atualmente são mais de 5,5 milhões de vending machines espalhadas pelo país. Esse número absoluto só é inferior ao dos Estados Unidos, mas em termos per capita o Japão é imbatível. É quase uma máquina para cada 23 pessoas em todo o território japonês!

Há muitas razões para que as vending machines sejam um sucesso no Japão. A principal delas é a baixíssima taxa de criminalidade do país. Por ser um lugar extremamente seguro, as máquinas raramente são quebradas ou vandalizadas. Elas, de certa forma, acabam sendo um símbolo moderno da segurança e respeito que os japoneses tem por aquilo que não é sua propriedade e é útil para um grande número de pessoas.

Outra razão importante é a predisposição do japonês em caminhar na rua. O fluxo de pessoas que utiliza o transporte público é enorme e essas mesmas pessoas precisam caminhar até chegar ao seu destino final. Nas cidades menores, o cenário não é diferente. E nada melhor que, ao longo do trajeto, ter a conveniência de uma (ou mais de uma) vending machine a cada esquina.

Além disso, as vending machines tem uma inestimável função social. Em momentos de tragédias naturais (terremotos e tsunamis), algo relativamente comum no Japão, é comum as empresas disponibilizarem os produtos (principalmente alimentos e bebidas) de graça para a população dos locais atingidos através de máquinas que são liberadas remotamente e operam com baterias já instaladas previamente. Sem dúvida, uma atitude a ser aplaudida por todos! Em outra frente, desde 2005 as vending machines possuem um adesivo contendo o endereço exato daquela unidade. Dessa forma, é fácil para qualquer um identificar para a polícia e/ou bombeiros o local exato de uma ocorrência de emergência.

Por último, mas não menos importante, está a paixão do japonês por tecnologia. Pode não parecer, mas as vending machines mais modernas carregam dentro delas componentes de alta tecnologia. É cada vez mais usual ver telas de alta definição acopladas às máquinas, disponibilizando informações não só dos produtos, mas também previsão do tempo e outros conteúdos. Nos últimos 20 anos, o consumo de energia das vending machines japonesas caiu mais de 70% através de evoluções tecnológicas como o “zone cooling”, um sistema de refrigeração que prioriza os próximos produtos a serem vendidos ao invés de refrigerar toda a máquina. E posso garantir, as bebidas estão sempre muito geladas! Outro sistema chamado “heat pump” usa o calor gerado para refrigerar alguns produtos e o recicla para esquentar outros. Em alguns casos, a energia acumulada ao longo do dia é utilizada para iluminar a vending machine à noite e, mais recentemente, pagamentos eletrônicos via smartphone e cartões estão sendo aceitos em algumas unidades. É a tecnologia a serviço da conveniência do japonês (e do turista!).

Agora, o mais curioso em relação às vending machines no Japão é a variedade do que é vendido. Tem de tudo!  Lógico que as bebidas são a grande maioria, mas você encontrará produtos como sorvetes, mangás, cigarros, camisetas, jogos, brinquedos, sutiãs, roupas íntimas, gravatas, baterias antigas, flores, talismãs, guarda-chuvas, sakês, ovos cozidos, hot dogs e outras comidas quentes, vegetais, máscaras, papel higiênico, entre outros. A lista é infinita, confira as fotos abaixo!

Como o japonês valoriza muito a sua privacidade, as vending machines são também um refúgio para a compra de produtos que as pessoas ficam tímidas em adquirir numa loja. Em função disso, e também por toda a oferta e variedade de exposição, as marcas aproveitam para transformar as vending machines em verdadeiros totens de publicidade.

Como vocês podem ver, as vending machines são um grande negócio no Japão. A criatividade, inovação e tecnologia nelas aplicadas tornam a convivência entre máquinas e pessoas algo totalmente integrado à cultura local. E no Brasil, porque não expandir essa integração? Fica a dica para os empreendedores brasileiros!

Tomates Tela acopl 2 Tela acopl 1 Talismãs Sutiã Bebidas 1 Baterias Sake Publicidade 2 Publicidade 1 Ovos Outros Mt Fuji 2 Mt Fuji 1 Máscara In a row 8 In a row 5b In a row 5 In a row 3 In a row 2b Hot dogs Guarda-chuvas Gravatas Flores Diversos 4 Diversos 3 Diversos 2 Diversos 1 Cigarro Camisetas

*Felipe Leal é o correspondente do Startse no mundo no Japão.

Desde que soube do projeto StartSe no Mundo, trazendo ao Brasil ideias de negócios através do olhar empreendedor do Eduardo Glitz na sua volta ao mundo, me tornei fã da iniciativa. Assim que defini minha viagem de férias ao Japão, com o propósito de conhecer uma cultura completamente diferente da nossa, conversei com o Glitz para ser uma espécie de correspondente StartSe no Mundo naquele país. Ele topou prontamente e a partir daí nasceu o conteúdo que será apresentado a vocês nos próximos dias! Arigato e aproveitem!

Este conteúdo faz parte do projeto StartSe no Mundo, uma viagem empreendedora por mais de 40 países. Conheça o site do projeto clicando aqui e inscreva-se para receber conteúdos exclusivos ao longo da jornada, que podem inspirá-lo e adjudá-lo a empreender.