StartSe no Camboja: tem até empreendedor italiano por lá

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Por Eduardo Glitz

1 de agosto de 2016 às 20:47 - Atualizado há 4 anos

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Conhecer a capital do Camboja, Phnom Penh, é como visitar algumas cidades do interior do Brasil. Onde a desigualdade social é presente, mas também apresentam sinais de desenvolvimento e muitas oportunidades. Nesta capital, de nome difícil, está localizado o The Impact Hub Phnom Penh, que faz parte de uma rede de coworkings espalhada pelo mundo, buscando gerar um alto nível de conexão global entre seus membros. Eu visitei o de Singapura e então para minha surpresa descobri que também havia um no Camboja.

Alberto Cremonesi, é um italiano que acabou no Camboja por acaso e hoje é um dos principais responsáveis pelo surgimento de um ecossistema de startups na cidade. Ele é o fundador do The Impact Hub de Phnom Penh, e através de uma entrevista ao StartSe no Mundo, irá nos contar um pouco de sua historia e como esta o mercado de empreendedorismo na cidade, a qual, como disse, pode inspirar muitas cidades do interior do Brasil a também desenvolverem seus mercados.

Veja abaixo a entrevista:

P: Você pode nos contar sobre suas experiências anteriores e por que você decidir criar um coworking ?

R: É complicado! Eu cresci na Itália, estudei química em seguida, Inglês e literatura latino-americana na Irlanda e Estados Unidos. Naquela época, eu queria ser um jornalista – mas durante um estágio na Organização das Nações Unidas em Nova York, eu decidi fazer um mestrado. Passei 5 anos na Índia trabalhando para uma fundação filantrópica e, ao mesmo tempo, eu iniciei um empreendimento social que apoia crianças carentes. Quando me mudei para o Camboja em 2012 foi realmente para seguir a minha esposa , mas logo que comecei a conversar com as pessoas,  uma lacuna no ecossistema empresarial. E então foi o início do The Impact Hub Phnom Penh.

P: Como você pode descrever o ecossistema de startups do Camboja?

R: Tudo na  Ásia cresce com o dobro da velocidade, e o mesmo é verdade para o Camboja. Cinco anos atrás, não havia quase nenhum ecossistema – hoje você pode ver claramente o começo de algo, com espaços de coworking e incubadoras surgindo em toda parte, as universidades falando sobre empreendedorismo, as pessoas mais ricas olhando para a possibilidade de se tornarem investidores anjo.

P: Quais são os aspectos positivos e negativos de ser um empreendedor neste país? E qual foi a coisa mais importante nesta cidade que faz você decidir vir?

R: Como costumo dizer Camboja é provavelmente o pior e o melhor lugar para começar uma empresa. Ainda há muito pouco apoio a startups a nível de governo, embora as coisas provavelmente vão mudar em breve. Ao mesmo tempo, porém, é possível começar alguma coisa e “testá-lo” antes de decidir lançar em um grande mercado.

P: Quais são os setores que há mais startups no país?

R: Tech é definitivamente muito popular, especialmente entre os jovens. No entanto, eu acredito que há um enorme potencial para empreendimentos em setores como energia solar e água potável, gestão de resíduos, saúde, transportes, habitação acessível e de acesso à informação.

P: E você pode dizer-nos quais são as startups do Camboja que você acredita que terá sucesso nos próximos anos?

R: Eu acho que é importante definir o “sucesso”. O Camboja é um país relativamente pequeno, com uma população total de apenas 15 milhões de pessoas. No entanto eu acho que qualquer empresa que trabalha em um dos setores já mencionados tem a oportunidade de ter um impacto enorme e um grande retorno social, bem como financeiro.

P: E sobre a rede de coworkings The Impact Hub? Você pode explicar para nós que são eles, e como ele funciona no mundo?

R: Em poucas palavras, Impact Hub é uma rede global de espaços de coworking e laboratórios de inovação. Embora globalmente conectado, cada Impact Hub é também uma operação local e enraizada na cultura de cada cidade. São 85 ao redor do mundo, e estamos no Brasil também!

P: O Brasil é muito grande, temos um muitos estados que estão na fase inicial do ecossistema startups, o que você recomendaria para eles melhorarem seus mercados?

R: Acho conexão é a chave. Eu, pessoalmente, acredito no poder das comunidades e redes para crescer e dar-lhes acesso a oportunidades, capital, mercados maiores e inovação.

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