StartSe no Camboja: país que passou uma das piores tragédias hoje é celeiro de startup

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Por Eduardo Glitz

2 de agosto de 2016 às 12:40 - Atualizado há 4 anos

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Desde que comecei a programar a viagem eu tinha a convicção de que na Ásia, o Laos e o Camboja seriam os países mais difíceis de conseguir buscar empreendedores no segmento de startups. Os dois são países pobres e com baixo desenvolvimento. No Laos eu não consegui muitos cases interessantes, mas o Camboja  me surpreendeu positivamente. E quando eu visito estes países menores, acho interessante não comparar com o Brasil, mas sim com alguns estados do nosso país, então tenho certeza que surgem muitos aprendizados.

O Camboja tem 15 milhões de habitantes, o que significa uma população semelhante a alguns dos maiores estados que temos no Brasil. Mas a sua história é muito triste, e poucos conhecem. Na década de 70 um regime comunista chamado Khmer Rouge governava o país e obrigou todas as pessoas a saírem das cidades e trabalharem nos campos. As cidades ficaram absolutamente desertas e todos eram obrigados a trabalhar em um modelo de trabalho escravo no interior. Pior do que isto, era que o regime buscava ter uma população puramente com características camponesas, então todos que possuíam traços considerados por eles “capitalistas” e “urbanas”, tais como ter mãos macias, usar óculos e ter estudado, eram mortos, sejam homens, mulheres ou crianças.

Ao final desta barbárie que durou três anos, houve mais de 2 milhões de mortos, o equivalente a 25% da população da época. O regime terminou com o apoio do Vietnã tomando o controle do país e finalizando o maior genocídio da história recente. E talvez o que mais me chocou foi o quanto isto é recente, pouco mais de 30 anos, muitos de nós já éramos nascidos.

E depois de toda esta história, ver um país que tem startups surgindo, ter coworkings e aceleradoras, e um povo com vontade de empreender, é muito vibrante. A vontade é de ficar sentado nas reuniões conversando o máximo possível com os empreendedores para ajudá-los, pois sem dúvida o país tem uma história de sofrimento e superação.

O Camboja, assim como o Brasil, sofre com a desigualdade social e a pobreza. Mas nada que nos assuste, ou diferente do que infelizmente estamos acostumados a ver no Brasil diariamente. Mas as classes mais ricas também estão de olho nas oportunidades que o empreendedorismo pode gerar e como isto pode ajudar no desenvolvimento da nação. As startups mais promissoras são aquelas que buscam solucionar os problemas mais básicos da população, como por exemplo água potável e tratamento do lixo.

Da mesma forma que no Brasil, por aqui também se sofre muito com a burocracia, muitas startups não estão legalizadas, por conta do alto custo. Mas os investidores-anjo já começaram a aparecer, e com investimentos pequenos quando comparados a outros mercados, que podem variar de U$5 mil a U$15 mil, conseguem mudar de patamar algumas empresas e dar uma dose de energia e esperança para muitos jovens empreendedores recém formados.

Por aqui, apesar de estar atrás de muitos mercados, tudo cresce em um ritmo muito mais acelerado do que a média, e por isto, tenho convicção que nos próximos anos surgirão algumas startups relevantes por aqui, principalmente aquelas relacionadas as questões sociais. Sem dúvida será uma grande vitória para um povo que merece paz e recompensa pelo seu trabalho.

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