StartSe na Indonésia: o que aprendi em Bali

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Por Eduardo Glitz

6 de junho de 2016 às 13:12 - Atualizado há 4 anos

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Depois de dois meses em países altamente desenvolvidos como Austrália e Nova Zelândia, o impacto inicial em Bali, na Indonésia, foi grande. Já estávamos acostumados com a organização, a qualidade nos serviços e o respeito as regras. Mas neste aspecto, foi tudo diferente, da mesma forma que o destino anterior estava a alguns degraus acima do Brasil, por aqui, em todos os quesitos relacionados a desenvolvimento econômico e infra-estrutura, a Indonésia esta a alguns degraus abaixo do Brasil. O pais é enorme, um dos mais populosos do mundo, mas também enfrenta muitas dificuldades. E a principal delas, que acaba sendo o motivo das principais mazelas do pais, é a corrupção.

Imagine um trânsito onde o número de motos é infinitamente maior que o de carros, todas elas naquele estilo scooter. Andam em todas as faixas, na contra mão com frequência como se fosse algo normal, andam com quatro pessoas na mesma moto e muitos delas dirigidas por crianças. As ultrapassagens são sempre de alto risco, você ter que parar o carro porque esta vindo alguém ultrapassando na contra mão é absolutamente normal e faz parte das habilidades necessárias para dirigir por aqui. Não pense que tem a opção de acostamento, tem que parar mesmo, no máximo jogar a roda em um pedaço de terra na beira da rua, cuidando para não atropelar ninguém. Sinalização e fiscalização são coisas raras por aqui. Uma verdadeira terra sem leis.

O trânsito é apenas um retrato do que ocorre em todos os setores. A corrupção tomou conta do país de verdade, para se tornar policial você precisa corromper a instituição que recruta, então obviamente já nasce um policial corrupto. Isso se repete para ser professor e até para ser médico. Ou seja não precisa ter diploma para ser médico no hospital, basta corromper. O que pode ser chocante para nós brasileiros, é a realidade neste país. Isso obviamente coloca a segurança, a educação e a saúde pública em situações de quase inexistência. Ir para um hospital é quase um atestado de morte. E aqueles que tem uma melhor condição financeira, quando tem algum problema de saúde acabam indo para Singapura.

Estes exemplos nos ensinam o quanto a corrupção é capaz de prejudicar a vida da população, ainda mais quando atinge as principais instituições de uma nação. Ela acaba com todos os serviços básicos que o governo deveria prestar. E também nos trás outro aprendizado, de que em nada adiantam regras rígidas, pois por aqui elas são muito severas, por exemplo o consumo de drogas gera prisão perpetua, no entanto em um ambiente de corrupção generalizada, de nada adianta uma legislação rígida sem a devida fiscalização.

Mas o que aprendi de mais interessante nisto tudo, é que as pessoas são felizes por aqui, muito por conta da espiritualidade e de viverem em comunidade. Não sofrem tanto com a pobreza pois ajudam uns aos outros e se sustentam com o que produzem de forma artesanal. A pobreza extrema é pequena. Ninguém mora na rua ou passa fome. Além disto a espiritualidade é muito forte, e grande parte da felicidade provem das tradições e da crença de servir a um Deus.

O fato de viverem em comunidades, também torna a violência praticamente inexistente. Sim, um local muito mais pobre que o Brasil, com uma violência infinitamente menor. Caso alguém cometa um crime a comunidade se encarrega de fazer o trabalho da policia, muitas vezes linchando até a morte o criminoso.

Esta mistura de espiritualidade com um povo altamente acolhedor acaba atraindo muitos turistas, principalmente para Bali, e tornando todos os demais problemas mencionados acima pequenos. A alegria de viver, a forma de equilibrar a vida e buscar um maior conhecimento de si mesmo é o motivo que encanta aqueles que passam por Bali. A humildade e o sorriso no rosto ajudam a rapidamente esquecer qualquer outro problema. Não é a toa que a presença de nômades digitais por aqui é tão relevante. Aqueles que viajam o mundo enquanto trabalham, encontram um local altamente acolhedor, com baixíssimo custo de vida e com a presença de pessoas das mais diversas nacionalidades, promovendo um intercambio cultural pouco visto em outros locais. Mas tudo isto só quem tem a oportunidade de viver em Bali é que consegue entender! Namastê!

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