StartSe na Índia: saiba o que o mais expert em startups da Índia tem a dizer aos brasileiros

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Por Eduardo Glitz

15 de agosto de 2016 às 15:46 - Atualizado há 4 anos

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Um mercado de 1,3 bilhões de pessoas jamais pode ser ignorado. Entender sobre o que acontece na Índia e na China, os dois maiores países do mundo, sem dúvida pode ajudar muito os empreendedores brasileiros. Em minha visita a Índia tive a oportunidade de conhecer um dos maiores conhecedores do mercado de startups local. Anil Joshi é fundador da Unicorn India Ventures, um fundo de investimento em startups indianas. Ele também foi presidente da Mumbai Angels e já participou de mais de 60 rodadas de investimento em startups. Apaixonado por mentoria e um aficionado por empreendedorismo nos contou um pouco sobre o mercado indiano, suas oportunidades e desafios.

StartSe: Porque você decidiu montar um fundo de investimento em startup?

Anil Joshi: Eu atuei no mercado de startup por dez anos e, provavelmente, fui o primeiro profissional a entrar no segmento de investimento anjo ao presidir um grupo de investidores recém formado na Índia. Participar da construção de um grupo de investidores-anjo me permitiu ver de perto o mercado e suas oportunidades.

Quando iniciei era tudo muito incipiente, mas a dinâmica se manteve e deu a Índia seu primeiro Unicórnio em 2014. O crescimento das startups começou a acontecer e a idade média dos empreendedores caiu de cerca de 36 anos para 25, em pouco tempo. Mas o financiamento da fase inicial das empresas ainda era um problema, portanto, neste cenário surge uma boa oportunidade para um fundo como o meu.

S: Como você pode descrever o ecossistema de startups da India? E suas principais cidades?

AJ: A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, com crescimento anual do PIB na faixa de 7%, claro que oferece grandes oportunidades. No entanto, o crescimento desejado do país não pode ser alcançado com a abordagem tradicional, existe a necessidades de desenvolvimento de vários setores da economia, o que acaba oferecendo ótimas oportunidades de negócios.

O primeiro-ministro indiano é bastante favorável ao empreendedorismo e programas voltados as startups, como por exemplo o “Start-up of India” e “Stand-up India”. Agora os políticos estão trabalhando na implementação destes programas, mas o movimento no pais começou muito antes disto. Uma década atrás  a palavra start-up era uma espécie de alienígena e haviam poucas pessoas para apoiar empreendimentos com investimento anjo. Mas nos últimos dez anos tem havido um bom desenvolvimento, mais e mais pessoas dispostas a ignorar a vida corporativa e iniciar suas próprias empresas, aumento do investimento anjo e interesse dos políticos em apoiar o sistema. Isto tem dado certo, hoje a índia esta entre os 4 países mais importantes no cenário de startups.

O ecossistema está começando a crescer na maioria das grandes cidades, mas as cidades importantes são  Bangalore, Mumbai e Delhi. Estima-se que estas 3 cidades contribuem com cerca de 80% de market share de start-ups. Bangalore é líder com cerca de 50% do mercado, mas as atividades em Mumbai e Delhi também são relevantes.

S: Quais são os aspectos positivos e negativos de ser um empreendedor neste país?

AJ: Como dito acima, a Índia é um país único e ser o segundo país populoso oferece um grande mercado consumidor. No entanto, mesmo que a oportunidade seja grande, há sempre prós e contras, alguns deles destacadas a seguir:

Positivo:

I) Quarto maior mercado start-ups

II) Segunda maior população, portanto, oferece um enorme mercado consumidor

III) Iniciativa do Primeiro-Ministro no âmbito do programa “Start-up da Índia”

IV) Maioria da população fala inglês

V) Existe uma população jovem, que está disposto a experimentar

VI) Queda da idade média do empreendedor

VII) A disponibilidade de capital para investimento anjo

VIII) As políticas favoráveis ​​para promover start-ups

Negativo:

I) mercado bastante diversificado, portanto, precisa de customização local

II) Infra-estrutura precisa melhorar

III) Embora grande, o mercado de start-ups, ainda tem muito a melhorar

IV) Investimento anjo não é um problema, mas séries A / B precisa, melhorar

S: Quais são os setores e startups que você gosta mais?

AJ: A Índia  tem muito o que fazer no lado da infra-estrutura e os seguintes setores me parecem em um bom momento: Saúde, Educação, E-commerce, Aplicativos Mobile, Fintech, Analytics e Cloud Computing.

S: E você pode dizer-nos quais são as startups da Índia que você acredita que terão mais sucesso nos próximos anos?

AJ: Há muitos que irão apresentar grandes resultados no futuro. Mas com base na situação atual eu listaria as seguintes: Paytm, Flilpkart, Bookmyshow, inMobi, Musigma e Ola.

S: O Brasil é muito grande, não tanto quanto a Índia, mas temos muitos estados que ainda estão em uma fase inicial de construção do ecosistema. O que você recomendaria para eles?

I) Construir uma boa plataforma para levantar capital

II) Formação de grupos anjo locais

III) Formação de aceleradoras e incubadoras

IV) A adoção de melhores práticas de mercado start-up que estão funcionando no mundo

V) A parceria com outros países para ter associação colaborativa

VI) O apoio ativo do governo

VII) Formação de mentores

S: Quais são as 3 coisas mais importantes para que você escolha uma startup para investir?

AJ: Ao selecionar consideramos muitos fatores, mas as 3 coisas mais importantes são:

I) Qualidade dos fundadores e da equipe

II) Barreira de entrada

III) Potencial escalabilidade