StartSe na Coreia do Sul: o que aprendi com essa nação trabalhadora

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Por Eduardo Glitz

15 de setembro de 2016 às 01:00 - Atualizado há 4 anos

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Desde as Olimpíadas de 1988 eu tinha vontade de conhecer Seul, eu era muito jovem mas por algum motivo aquilo me marcou, provavelmente na televisão devem ter falado muito bem sobre a cidade e aquilo ficou na minha memória. Depois foi a história dos sul-coreanos na Copa do Mundo no Brasil, que antes de saírem do estádio, recolhiam todo lixo que existia ao seu redor, mesmo não sendo deles. Isto me gerou uma curiosidade especial sobre a cultura do país, mas mesmo assim a experiência em Seul ainda foi acima das minhas expectativas.

Após a segunda guerra mundial o país foi divido em dois, a Coreia do Norte, com uma ideologia comunista e ditatorial, e a Coreia do Sul com uma visão capitalista e democrática. Na época o Norte era muito mais rico, pois eram lá que ficavam as fabricas de armas construída pelos japoneses e que na época era uma enorme fonte de receitas. Já o sul era pobre, miserável, com uma renda per capita inferior aos países mais pobres da África. Para completar o ditador da Coreia do Norte resolve iniciar uma guerra com o objetivo de unificar o país em torno de sua ideologia, atacando o território sul coreano e travando a Guerra da Coreia que durou de 1950 a 1953.

A guerra não acabou até hoje, não houve um acordo de paz, mas os conflitos armados não ocorreram mais, apesar das inúmeras ameaças vindas do Norte, que hoje é infinitamente mais pobre, e infelizmente o pouco dinheiro que o país tem é destinado ao desenvolvimento de armas nucleares, deixando a população em profunda miséria.

Já a Coreia do Sul virou o jogo, e mesmo com baixíssimos recursos naturais se tornou uma das maiores potencias do mundo, saindo da pobreza absoluta na década de 60 para uma nação relevante no contexto mundial, e principalmente com um patamar de qualidade de vida de primeiro mundo. Qual foi a receita? Os sul-coreanos são muito claros em dizer apenas duas palavras: Educação e Trabalho. Ou seja, apostaram no seu povo.

A educação dos jovens é o tema mais importante para o país desde a década de 60. Na época ficou claro que para reconstruir o pais seriam necessários engenheiros, físicos, cientistas e demais profissionais, portanto passou a ser a prioridade número a 1 da nação a formação destes profissionais. A educação virou assunto muito sério nas famílias e na vida das pessoas. Formou-se então uma base de mão de obra qualificada para que as industriais pudessem crescer.

Os professores até hoje são considerados cruciais para o desenvolvimento do país. Enquanto no Brasil temos apenas 12% das pessoas com ensino superior, a Coréia do Sul possui um dos maiores percentuais da população com ensino superior no mundo, próximo aos 50%, e já no ensino médio o percentual de conclusão é de 98%. Somando isto a muito trabalho, a receita que parece simples, mas muito bem executada, deu certo!

As desigualdades sociais ainda existem e a pobreza também, mas em níveis muito mais baixos, e incomparáveis com o Brasil. A renda per capita já supera os U$ 25 mil anuais e a população de aproximadamente 50 milhões de pessoas consegue usufruir do crescimento do país. No primeiro quadrimestre de 2016 foram vendidos 400 mil carros novos, o mesmo número do Brasil, que possui uma população 4 vezes maior. Este dado já exemplifica a diferença entre as duas nações.

A empresa mais importante do país, a Samsung, é líder nos principais mercados em que atua e representa 17% do PIB da Coreia do Sul. O crescimento da nação possui forte relação com os Estados Unidos e China, maiores países do mundo e seus principais parceiros comerciais.

E por fim, a sua capital, Seul, é vibrante, uma mistura do moderno ocidental com a antiga cultura oriental. Comparando grandes cidades, foi a melhor de toda a viagem até agora, olha que já foram 12 países. Foi a cidade onde vi a maior quantidade de cafés, um mais legal que o outro, você pode passar o dia andando pelas ruas que não acabam os restaurantes, bares e lojas. Dá vontade de conhecer todos.

A limpeza da cidade e educação das pessoas é algo totalmente fora do comum. Você pode andar por horas e não irá encontrar nenhum lixo no chão, por menor que seja. O exemplo básico da educação e também o respeito as regras eu vivi no avião. Voei de Seul para Pequim em uma empresa aérea deles. Quando pousamos o comandante estacionou a aeronave e quando desligou os motores eu automaticamente me levantei para pegar a minha mala. Levantei sozinho, todos ficaram sentados, até que eu entendi que deveria estar fazendo algo errado. Sentei novamente e depois de dois minutos foi apagada a luz de atar os cintos e então todos levantaram ao mesmo tempo.

A educação deles não é só no sentido do conhecimento, mas também nas regras e principalmente na cordialidade. As pessoas serão sempre muito simpáticas com você, queridas e principalmente humildes. E é esta humildade que os transformou nesta potencia. Humildade de saber que para atingirem seus objetivos basta focar os esforços da nação em apenas duas palavras: educação e trabalho. O resto será consequência. Quem sabe um dia o Brasil aprende.

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