StartSe na China: você tem que ver o que esse país se tornou

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Por Eduardo Glitz

22 de setembro de 2016 às 19:10 - Atualizado há 4 anos

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Há aproximadamente 10 anos, em Porto Alegre, eu estava dando início à XP Gestão de Recursos, éramos um grupo de sócios e eu fiquei responsável por esta nova empresa do grupo voltada para gestão de fundos de investimento, e que foi o embrião para posteriormente criarmos o famoso shopping  financeiro da XP. Na ocasião minha experiência com gestão de recursos era mínima. Então, o Júlio Cápua (um dos sócios da XP) me sugeriu a leitura das cartas da Dynamo, que era uma famosa e comprovadamente vencedora gestora de recursos carioca.  Me lembro como se fosse hoje a carta que eles escreveram sobre a China e tudo que esta nação iria influenciar no futuro do mundo e do Brasil. Mas ainda mais importante foi entender que eles não haviam simplesmente estudado a China, eles foram até lá, 10 anos atrás, passaram alguns dias e então puderam entender realmente o gigante que estava nascendo.

Apesar da tecnologia e das inúmeras informações disponíveis hoje na internet, nada se compara a uma visita para entender realmente o que se passa em um país. A importância de ver as coisas com os próprios olhos, foi ainda mais corroborada por mim quando nos anos de 2010 e 2011 eu e meus sócios fizemos diversas visitas as empresas que nos inspiravam nos EUA, em especial a Charles Schwab, a Fidelity e a Pershing. Foi graças a estas visitas que entendemos como seria o futuro do mercado no Brasil e construímos o modelo de Shopping de Investimentos com assessoria financeira da XP. Trouxemos de lá e implantamos no Brasil… a velha máxima de que nada se cria, tudo se copia. Mas o que faz a diferença mesmo é a execução.

Todos estes fatos me motivaram a querer ver e entender o que está acontecendo de inovação em todo o planeta, a viagem de volta ao mundo é a melhor forma de fazer isto. E depois de 5 meses de viagem, rodando os principais países de Ásia e Oceania, já muito impressionado com tudo, eu chego na China.

Confesso que cheguei na China já sem grandes expectativas, afinal já tinham sido tantas surpresas nos demais países, que pensei que seria mais do mesmo. No máximo um Brasil com 1,3 bilhões de pessoas. E ainda aquela ideia na nossa cabeça de que produto chinês é vagabundo, já criou na minha imaginação, um país lotado de pessoas, feio e desorganizado. Como eu estava enganado.

Iniciando pela capital, Pequim, no quesito organização, infraestrutura e opções de entretenimento eu já estava me sentindo nos Estados Unidos. Um choque, um tapa de realidade na minha cara. O metrô do aeroporto para a cidade anda a 450 km/h e faz em 8 minutos um trecho que de carro levaria 1 hora. Comecei a me dar conta que quanto mais eu entendo os países mais ignorante eu me sinto.

Fui para o interior e me deparei com os locais mais lindos de toda a viagem, uma beleza natural que coloca no chinelo países como Nova Zelândia e Austrália, mais um tapa na cara. E para completar, os aeroportos do interior mais parecem o aeroporto de Miami do que aqueles pequenos aeroportos que temos no interior do Brasil, impressionante. A titulo de curiosidade neste momento estão sendo construídos 86 novos aeroportos na China.

Shangai, a maior cidade do país e a cidade que mais cresceu no mundo nos últimos anos é o paraíso para quem gosta de modernidade. Durante o dia seus arranha céus são o palco e o símbolo máximo da pujança da China. Destaque para a recém inaugurada Shangai Tower, segundo maior prédio do mundo (fica atrás apenas do Burja Kalifa nos Emirados Árabes Unidos). E a noite todos são iluminados com Led, cada um com diferentes formas e sincronias, criando um show assistido por milhares de chineses que se reúnem diariamente para contemplar o símbolo da ascensão de seu pais. Nestas horas Las Vegas perde espaço para o gigante do oriente.

O ritmo que as coisas crescem na China é totalmente diferente do restante do mundo. Tudo muda em poucos anos e quem esta longe não consegue entender isto. Não faz parte da nossa vida esta velocidade de mudança, não conseguimos entender, imaginamos que o que vimos ou lemos sobre o pais a 5 anos atrás ainda é a realidade atual. De 2011 a 2013 a China consumiu 6,6 gigatons de cimento, os Estados Unidos em 100 anos, de 1900 a 2000, consumiu 4,4 gigatons. Ou seja, em 3 anos a China consumiu 50% a mais do que os Estados Unidos em 100 anos. São arranha-céus, shopping centers, bairros e até cidades inteiras que são construídas da noite para o dia. Atualmente os chineses consomem 60% de todo o cimento produzido no mundo. E a cada 3 meses eles investem em infra-estrutura o mesmo que foi investido no Brasil nos últimos 500 anos. Repito, a cada 3 meses eles constroem o que foi construído durante toda a historia do Brasil.

Um número interessante para se entender a força e a capacidade de consumo do pais é o PIB com a paridade do poder de compra, ou seja quanto efetivamente vale o dinheiro dos chineses. O PIB americano é de U$17 trilhões e o Chines é de U$11 trilhões, mas quando utilizamos a paridade de compra o PIB chinês salta para U$19,4 trilhões. Obviamente a população chinesa é 4 vezes maior que a americana, mas o ritmo de crescimento do gigante oriental é muito maior.

A China é o pais no mundo onde mais são vendidos automóveis da Mercedes-Benz, Audi, BMW e Porsche, ou seja as 4 marcas de luxo alemãs tem no mercado chinês a sua grande estratégia de crescimento mundial, fruto explosiva expansão das classes mais ricas. O país já é o número dois do mundo em quantidade de bilionários.

Todo este boom começou a mais de 15 anos atrás, muito motivado pela entrada do país na OMC (Organização Mundial do Comércio) que mudou a ordem econômica global a favor dos países emergentes. Grandes países produtores de commodities, como o Brasil, surfaram esta onda de crescimento desenfreado, fornecendo seus produtos para os chineses construírem seu império.

Mas não pense que a China é só cimento e aço, nos últimos anos a nação vem apresentando uma certa redução em seu crescimento e uma das estratégias do governo chinês para manter o ritmo acelerado da economia é o investimento em inovação e startups. Só neste ano serão mais de U$300 milhões de incentivos do governo para as novas empresas de tecnologia.

O principal destino destes investimentos devem ser as empresas que se utilizam do mobile como ferramenta. Já são mais de 1,2 bilhões de smartphones no pais, o maior índice de smartphone por habitantes do mundo. E no mesmo ritmo que se constrói bairros, cidades e rodovias, as novas tecnologias são rapidamente absorvidas por uma população sedenta por consumir. Usar dinheiro ou cartão de crédito para pagar as contas já não é mais a realidade nos grandes centros do país. Investir pelo seu banco ou pela internet?

Não isto também já é passado, são mais de 400 milhões de pessoas que investem pelas redes socais! A China é o grande centro do mundo para as fintechs, empresas de tecnologia para o mercado financeiro, e é sobre isto que iremos conversar no artigo da semana que vem. O futuro já chegou por aqui, e você precisa saber como ele é.

Mensagem para você: 

A revolução que está acontecendo na China é algo sem precedentes no mundo. Eu estive lá e vi inovações impressionantes, em especial no setor de financeiro. Sem duvida eles estão muito à frente do mundo quando falamos de sistemas de pagamentos e investimentos. No dia 3/10 farei um bate papo sobre China, e pretendo detalhar ainda mais esta inovações bem como ouvir as dúvidas de vocês. Então inscreva-se agora!