StartSe em Israel: Algas e tecnologia se unem para purificar água

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Por Michel Bekhor

23 de dezembro de 2016 às 17:56 - Atualizado há 4 anos

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Construir usinas que possam tratar água com o menor custo possível é um tema que interessa a todos, mas é ainda mais urgente para comunidades que ainda não têm acesso a água encanada e limpa: cada centavo economizado pode ser revertido para ampliar o alcance desse serviço básico. Às vezes podemos nos esquecer mas, no Brasil, 18% da população – equivalente a 35 milhões de pessoas – ainda não têm saneamento básico (dados do Governo Federal).

O uso de algas para limpeza da água não é algo novo em usinas de tratamento de efluentes: por meio da fotossíntese elas transformam impurezas orgânicas em substâncias e gases mais limpos. Porém, tal recurso demanda um gasto elevado de energia para abastecer as plantinhas com luz e oxigênio através de águas turvas. Aqui entra a startup Aquanos (http://aquanos.net/), que revisitou cada etapa do processo de saneamento básico e conseguiu reduzir o gasto de energia em 90%. O ciclo de limpeza da água, que pode variar entre 20 e 70 dias, com a tecnologia desenvolvida pela empresa leva apenas 24 horas. Para conhecer o processo completo acesse o link.

Transformando aridez em limonada

Perguntei a um dos fundadores da Aquanos, Udi Leshem, de onde veio a ideia para a startup. Ele afirma que a aridez da região sempre obrigou Israel a ser muito criativo na utilização deste escasso recurso, ou seja, muitos investimentos estatais e privados foram aplicados nesta área. Como curiosidade, o país é líder mundial na reciclagem de água, com taxa de 85%, enquanto a Espanha, em segundo lugar, tem índice de apenas 19%. Leshem era executivo de empresas de tecnologia de saneamento básico quando tomou conhecimento desta tecnologia e, para tirá-la do papel, decidiu fundar a startup.

Pilotos em Israel e na Etiópia. Brasil, quem sabe?

A Aquanos está convertendo a antiga usina de Ortal, no norte de Israel, com capacidade de tratar 400 metros cúbicos por dia, para sua nova tecnologia, ao mesmo tempo em que constrói uma unidade do zero na capital etíope, Adis Abeba.

Quando perguntei a Leshem sobre o Brasil, escutei a mesma resposta que tenho ouvido de quase todas as startups por aqui: todos adorariam estar presentes no mercado brasileiro, sabem do potencial, mas ainda é um lugar distante, que poucos entendem e gostariam de ter um parceiro local para representá-los.

Sobre o Autor:

Michel Bekhor é jornalista e fundador da assessoria de imprensa para startups Press Works (www.pressworks.com.br). Já trabalhou em empresas como SAP, Oliver Wyman e A.T. Kearney, e na startup AlôHelp. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, em Marketing pela University of New South Wales e certificado em Assessoria de Imprensa pelo Senac.

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