StartSe em Nova York: parte do custo Brasil é o tempo que você leva para realizar algo

Avatar

Por Fernanda Romano

16 de fevereiro de 2017 às 17:29 - Atualizado há 4 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

No final do ano retrasado, fui convidada para ajudar em uma startup social. A DosAnjos.org reverte seu lucro para ONGs que atuam na educação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade e eu tenho muito orgulho de ter feito parte do desenho, da construção e, atualmente continuar sendo parte da gestão dessa empresa. Mas, como diz a Renata, minha sócia, a grande recompensa é ver um produto tangível – comestível e delicioso – nas prateleiras de supermercados e farmácias de São Paulo.

Em nossa empresa – e em minha vida prévia – a gente entrega tanta ideia; ideia que vira coisas, mas que a gente ainda vê como intangível, que ver algo “de pegar” dá um prazer enorme. Levamos um ano para ir da ideia às prateleiras das lojas (isso é um prazo recorde na indústria alimentícia) e eu sempre achei que parte disso era o “prazo Brasil”.

Em tempo, fala-se tanto em “custo Brasil”, mas não se considera o quanto a burocracia e o tempo perdido para conseguir, às vezes, realizar algo em nosso país, também são um problema. Já dizia alguém: tempo é dinheiro.

Tenho dois amigos que fizeram uma startup de cosméticos aqui nos EUA. Um é inglês e o outro sueco. A HerbEssntls é uma linha de produtos baseada nas propriedades tópicas do óleo da semente de Cannabis Sativa. O óleo regula a pele, é não-comedogênico e rico em vitamina E, além de outros anti-oxidantes. Ou, como a marca diz: os produtos estimulam a sua pele para se ajustar aos movimentos de seu dia e de sua vida; “ajuda a sua pele a se manter criativa”.

Algumas coisas me surpreenderam quando o Robert (co-fundador) me contou que eles estavam para lançar a marca. Em menos de um ano eles haviam descoberto que cannabis também podia ser cosmético, entendido que havia um potencial enorme de Mercado, ido atrás de desenvolver formulações, achado quem pudesse fabricar – na Califórnia -, desenhado a marca e lançado o produto. Eles não levantaram dinheiro, estão investindo na empresa. Ambos fazem freelance para a indústria criativa e decidiram só ir atrás de investidores quando fosse realmente necessário.

Sobre a fabricação na Califórnia; esse ponto é crucial. A Califórnia é o estado americano com legislação mais dura quanto a categorias como alimentos, bebidas, cosméticos e farmácia. A verdade é que a Califórnia é mais dura em quase tudo. Ponto. O fato de eles terem as licenças para a Califórnia faz com que a aprovação em qualquer outro estado seja mais rápida e essa foi uma das razões pelas quais eles decidiram fabricar lá. A outra é que, antenados como eles são, já haviam notado, de longe, a tendência por produtos mais naturais e, para justificar o valor de 60 dólares em um pote de creme para o rosto, eles precisariam trazer uma oferta de valor diferenciada.

Eu ganhei um kit de produtos e fiquei viciada no creme para os lábios – a verdade é que eu amei tudo, mas não estou escrevendo para fazer jabá – que já está quase no fim.

Veja mais: 
Baixe nosso e-book sobre Como fazer o pitch perfeito!
Visa e GSV Labs vão acelerar sua startup de fintech no Brasil e no Vale do Silício

Quem me conhece sabe que eu tenho um daqueles batonzinhos de lábios rachados no bolso de cada casaco, no zíper de qualquer bolsa ou mochila; sou completamente dependente deles. Se eu estiver na rua, sentir meu lábio e seco e não achar algo em meus bolsos, entro em uma farmácia e compro um novo. Portanto, meu senso de preço é bem apurado. O potinho da Herb Essntls custa 12 dólares. Um Aquaphor (Eucerin, no Brasil) custa uns 6, uma cartela com 3 Chapsticks custa a mesma coisa e uma com 4 batonzinhos de Burt’s Bees custa 10 dólares.

Você pode comprar online, mas eles já estão à venda em duas lojas em NY, uma em Portland e uma em Paris. Eu não sei se eles serão bem sucedidos – tô louca para levar os produtos deles pro Brasil – mas tenho o maior orgulho por saber que eles conseguiram ter a ideia e fazer acontecer.

Em tempo, tenho outro amigo que está fabricando bonés com forro de seda no Brooklyn (vendidos a 155 dólares cada) e um que está fazendo um enxaguante bucal revolucionário não me lembro onde. Ambos fizeram isso durante noites e finais de semana, sem ajuda de investidor e levaram entre 8 e 11 meses para lançar.

Se tem uma coisa que nosso governo podia fazer pela gente, entre uma delação e outra, era encurtar o “prazo Brasil” e, com isso, reduzir o custo. A gente agradece.

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo!

[php snippet=5]