StartSe em Nova York: aprenda a pensar como um historiador para entender mais

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Por Fernanda Romano

3 de fevereiro de 2017 às 08:59 - Atualizado há 4 anos

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Houve um tempo em que eu queria ser Historiadora. Tive um professor daqueles que ensinava com paixão em algum momento do ginásio – leia-se adolescência – e resolvi que o mundo podia ser resumido em ter perspectiva histórica: qual foi o contexto que permitiu o surgimento de alguma coisa e em que momento o “resto dos mortais” se deu conta.

Mesmo Física, Química ou Matemática seguem essa mesma regra. Sim, as forças já estavam lá, os elementos também, assim como os números – outro fascínio dessa que vos escreve – mas tudo precisava ser descoberto ou entendido. A maçã precisou cair, alguém decidiu contar, enquanto outros resolveram testar misturas. Até que o resto dos mortais…

Mercados e tendências seguem exatamente a mesma regra. Talvez seja por isso que alguns tipos de empreendedores tenham maior dificuldade em ser bem sucedidos, enquanto outros, com a mesma ideia, o mesmo projeto, alcancem maior sucesso.

Foi pensando na minha adolescência que conclui que esse é um bom jeito de entender a diferença – e a oportunidade das organizações exponenciais para construir um novo negócio ou transformar um existente.

Fonte: http://www.slideshare.net/vangeest/exponential-organizations-h

Em seu livro, Salim Ismail, professor da Singularity University, fala sobre maneiras de provocar a curva de crescimento exponencial em uma organização. Salim estudou a fundo o que empresas que já a criaram – como Valve, Airbnb, Uber e outras – fizeram e construiu um modelo de trabalho. Ou seja, buscou fontes, estudou o contexto, identificou um comportamento comum e apresentou aos mortais o padrão que pode ser buscado por qualquer um para participar com sucesso desse contexto.

Nada muito diferente de estudar a ascensão e queda dos impérios para tentar evitar a última. Ou ir a Portugal e à Inglaterra com olhos de historiador, para entender as diferenças entre Brasil e Argentina.

Em nossa empresa pregamos muito aprender com as exponenciais, porque esse é o contexto em que vivemos e nossa provocação é romper os processos que provocam a continuidade de modelos lineares. Seja do ponto de vista da operação ou organizacional, corporações que não estiverem abertas ao risco, à experimentação – características de nossa era atual – não encontrarão suas curvas e perderão suas posições de destaque.

Parece óbvio quando se olha o gráfico, mas, mesmo em empresas pequenas ou em interações com colaboradores que tem como função inovar nas empresas, muitas vezes encontramos resistência ao modelo e ao convite para mudança. Porque pouca gente pensa como Historiador.

Parte de aprender a pensar como um é observar e tentar entender o mundo como eles o fazem. A Stanford History Education Group diz que, para tanto, é importante investigar questões históricas “usando de estratégias de leitura que empreguem: buscar fontes, determinar o contexto, corroborar os fatos e ler com real atenção. Ao invés de memorizar fatos históricos, os estudantes aprender a avaliar a confiabilidade de perspectivas diversas quanto a assuntos históricos”.

Se fizermos um paralelo e tentarmos responder à pergunta de um milhão de dólares (ou cem mil, seja quanto for o seu seed money ou primeiro round de investimento ou o impacto que você acha que a mudança terá em sua empresa no curto prazo); veremos que pensar assim pode ajudar – e muito – a construir o pitch de uma ideia vencedora. Tanto para fora quanto para dentro.

  1. Buscar fontes: múltiplas perspectivas, especialmente a de quem você quer que compre seu produto ou serviço. Por aí chamam isso de Design Thinking – termo cunhado pelo gênio Tim Brown, mas que muita gente emprega sem saber nem o que é Design e menos ainda o que é Thinking.

Pop-up mental, que eu não me aguento. Eu sempre digo que Gaudi já era, então um praticante; suas obras eram únicas: destaque em seu Mercado, ou unique selling proposition; as casas não têm cantos, as maçanetas se ajustam às mãos, a luz é natural e a circulação de ar é impecável: features de produto adequadas e superiores aos concorrentes; tanto casas, quanto parques e edifícios são coloridos, usam linhas da natureza, representam natureza e empregam, inclusive, material reciclado: elemento estético, agradável e valioso à época para quem contratava Gaudi para uma obra e para a cidade que aprovava suas loucuras ideias. Posso listar mais um monte de coisas, mas acho que já deu para entender.

  1. Entender e se aprofundar no contexto: existe de fato uma oportunidade para a sua ideia? Como você vai por isso de pé? Será que ao dizer que o target é millennials você não está simplificando demais a humanidade que, ao mesmo tempo em que pensa em ir a Marte nos próximos cinco anos elege um ditador populista na maior economia do mundo e testa mísseis na segunda? Lembrando que, dependendo do que você estiver vendendo, não apenas o consumidor final é seu cliente. Seus funcionários também são – ou serão – a cidade onde você vai operar, o dono da fazenda que vai te vender o tomate orgânico (e se ele vender para outro?) e por aí vai.
  2. Corroborar os fatos: que tal testar ANTES de gastar uma fortuna? É isso que as empresas que você admira fazem. Tudo em beta. Ou em alfa. Ou apenas pros amigos por um tempo antes de sair gastando uma fortuna, investindo milhões em Google Ads e por aí vai. Nada vai te ensinar mais do que ir atrás de comprovação das tuas teses. Seja muito teimoso, mas aceite o feedback. Você pode descobrir que eu tinha razão e os millennials não são o único target para coisas novas.
  3. Ler com atenção: ao construir sua história baseada em fontes (perspectivas diversas), estudo de contexto (aprendizados sobre o Mercado) e corroboração dos fatos (testes), você terá muito mais propriedade para apresentá-la. Seja para uma turma de investidores, seja para o diretor de uma área em uma empresa gigante.

Depois que essa ficha caiu, quando penso que queria mesmo era ser Historiadora, eu relaxo. Do meu jeito, eu tento ser faz tempo.

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