StartSe em Israel: óculos falantes para quem não pode se comunicar

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Por Michel Bekhor

23 de setembro de 2016 às 19:33 - Atualizado há 4 anos

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Depois de testemunhar a dificuldade de pessoas próximas que sofriam com doenças degenerativas do sistema nervoso e muscular (mais detalhes aqui), os empreendedores Or Retzkin e Itai Kornberg se uniram para criar um equipamento que permitisse a comunicação apenas com os olhos.

Apesar de existirem opções similares no mercado, a percepção desses jovens empresários é a de que as alternativas são complexas, caras e não portáteis. A solução da Eye Control (www.eyecontrol.co.il) consiste em uma câmera infravermelha acoplada a um par de óculos que interpreta piscadas e movimentos dos olhos para emitir alertas de ajuda, escolher frases pré-definidas (“Estou com frio”, “Tenho dor”, etc.) ou construir sentenças a partir de um teclado virtual.

Prestes a mudar de escritório, os fundadores da Eye Control me receberam para uma entrevista na residência de Itai em Ramat Gan, onde a empresa atualmente opera. Para assuntos sérios usamos o inglês e, para as amenidades, o hebraico. Shay Rishoni, também sócio da empresa e portador de esclerose amiotrófica, não estava presente. Confira os principais trechos do bate-papo:

Trajetória da startup

Participaram do programa de aceleração da unidade 80200 do Exército de Israel. Receberam apoio com equipamentos e desenvolvimento de aplicativos da unidade local da Microsoft. Conduziram com sucesso uma campanha de crowdfunding pela IndieGogo há cerca de um ano. Segundo lugar no programa global The Venture promovido pela Chivas. De acordo com os empreendedores, mais do que a captação de recursos financeiros, a participação em tais concursos e as premiações ajudou a empresa a ganhar visibilidade e, por consequência, apoio para uma causa que naturalmente desperta empatia.

Agora, futuro e Brasil

A empresa dispõe de uma série de protótipos em teste para validação técnica do produto. “Sabemos que as patentes que estamos desenvolvendo podem ser utilizadas para variadas finalidades, mas, neste momento, estamos comprometidos com a proposta de ajudar as pessoas”, diz Retzkin. Um projeto piloto com o hospital Rambam, em Israel, está em andamento.

A Eye Control busca novas rodadas de aporte financeiro. O Brasil foi um dos países que mais contribuíram na fase de financiamento coletivo e, portanto, os fundadores acreditam que é um sinal do potencial do mercado local. “É um dos nossos países prioritários” afirma Retzkin.

Lucro social

“Não somos ONG nem entidade filantrópica. Temos fins lucrativos como qualquer outra empresa para financiar nossas atividades e espalhar o bem” explica Kornberg. Ainda segundo o fundador, existem 1 milhão de pessoas em todo o mundo que poderiam se beneficiar de tal tecnologia. “É um mercado muito pequeno para as grandes corporações. Quanto mais pessoas pudermos alcançar, melhor. Especialmente em países de baixo poder aquisitivo. Essa é a principal meta, e é o significado de lucro social para nós”.

Se depender do feedback de quem já usou o equipamento, a Eye Control está no caminho certo. Quando perguntei qual a primeira frase que os pacientes falaram, depois de vários anos ou meses sem se comunicar, a resposta dos fundadores foi unânime: “Obrigado. Vocês são demais!”.

Sobre o Autor:

Michel Bekhor é jornalista e fundador da assessoria de imprensa para startups Press Works (www.pressworks.com.br). Já trabalhou em empresas como SAP, Oliver Wyman e A.T. Kearney, e na startup AlôHelp. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, em Marketing pela University of New South Wales e certificado em Assessoria de Imprensa pelo Senac.