Netflix vai gastar US$ 2 bilhões a mais do que ganhar este ano

Avatar

Por Lucas Bicudo

18 de abril de 2017 às 18:28 - Atualizado há 3 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

A Netflix disse que vai ultrapassar 100 milhões de assinantes em todo o mundo neste fim de semana, mas há uma coisa importante que Wall Street ainda está preocupada: quanto dinheiro a empresa está gastando para chegar lá.

Na segunda-feira, a Netflix reiterou que espera ter um FCF (fluxo de caixa livre negativo) de US$ 2 bilhões em 2017, contra US$ 1,7 bilhão em 2016. “O crescimento em nosso conteúdo original significa que continuamos planejando ter cerca de US$ 2 bilhões em fluxo de caixa negativo este ano”, escreveu a companhia em uma carta para acionistas.

É assim como a Netflix explicou:

“Temos uma grande oportunidade de mercado à nossa frente e estamos otimizando FCF de longo prazo, aumentando nosso conteúdo original agressivamente. O FCF negativo a curto prazo é o resultado dos grandes aumentos no nosso conteúdo original, combinados com pequenas, mas crescentes margens operacionais”.

A Netflix está confiante de que vai trazer esse dinheiro de volta no longo prazo, mas espera fluxo de caixa negativo livre para acompanhar o rápido crescimento por muitos anos. A questão é que “muitos anos” deixa Wall Street um pouco preocupada. “Embora a perda da FCF de US$ 422 milhões no trimestre tenha sido melhor do que a nossa estimativa de US$ 516 milhões, o comentário da administração sobre “o FCF sendo queimado por muitos anos para alimentar o crescimento da empresa” cria algum debate e preocupação para algumas partes”, comentou o analista da Instinet-Nomura Anthony DiClemente.

Por que os originais fazem com que o Netflix gaste tanto dinheiro? Para uma explicação mais completa, é bom voltar à carta do terceiro trimestre aos acionistas em 2016.

“O aumento em nosso déficit de fluxo de caixa livre reflete o crescimento de conteúdo original, que estamos produzindo e é nossa propriedade (ao invés de licenciado). Os programas da casa, como Stranger Things, exigem dinheiro adiantado. Em comparação, nós pagamos geralmente na entrega do conteúdo para originais licenciados, como Orange is the New Black. Nós pagamos sobre o termo do acordo para os licenciados, como Scandal.

A longo prazo, acreditamos que a autoprodução é menos dispendiosa (incluindo o custo do capital) do que o licenciamento de uma série ou filme, pois trabalhamos diretamente com a comunidade criativa e eliminamos custos adicionais e taxas adicionais. Além disso, possuímos a propriedade intelectual subjacente, proporcionando-nos direitos globais e mais negócios. Combinado com o sucesso de nossa carteira de originais e o impacto positivo em nosso crescimento de receita, acreditamos que este é um investimento sábio que cria valor a longo prazo. Consequentemente, planejamos investir mais, o que continuará a pesar sobre o fluxo de caixa livre”.

Em outubro, a Netflix anunciou que estava levantando mais US$ 800 milhões em dívidas. Isso totaliza, a longo prazo, mais de US$ 3 bilhões. A questão é se a Netflix pode aumentar os assinantes o suficiente para compensar a gigantesca quantidade de dinheiro que gasta no conteúdo – US$ 6 bilhões em 2016.

Tudo isso para se consolidar no mercado, uma atitude muito necessária no processo de validação do plano de negócios da companhia, que, embora gigantesca, ainda não terminou.

(via Business Insider)

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo! E se você tem interesse em anunciar aqui no StartSe, baixe nosso mídia kit.

[php snippet=5]