Musk: o estrategista que já pensa e controla a Tesla do futuro

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Por Lucas Bicudo

6 de abril de 2017 às 18:04 - Atualizado há 3 anos

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Elon Musk hoje é bilionário, o homem à frente da Tesla e SpaceX, que tem planos para salvar o mundo e colonizar Marte.

Mas se você olhar bem sua história, perceberá que Musk já esteve em uma posição não tão confortável. Já sentiu o que é ser um empreendedor na pele. Em 2008, a Tesla quase faliu. Somente um investimento de última hora fez com que a companhia pudesse crescer e se tornar o que é hoje. O CEO ainda iria vender participações para a Daimler e a Toyota – fornecendo motorização elétrica.

Seu valor de mercado atualmente está estimado em US$ 47 bilhões.

Bem, as coisas melhoraram, mas a Tesla agora está diante de um novo desafio financeiro, à medida que se prepara para lançar o Model 3. Musk e sua equipe planejam gastar quase todo o dinheiro da companhia – cerca de US$ 2,5 bilhões -, para trazer o Model 3 para o mercado e fabricá-lo em escala. Gastar nesse nível exige um aumento de capital de mais de US$ 1 bilhão, bem como outro movimento estratégico, que lembra os negócios com a Daimler e a Toyota.

A Tencent anunciou semana passada que comprou participação de 5% da Tesla, pelo valor de US$ 1,7 bilhão. A empresa que detém o WeChat será uma investidora passiva, mas a BBC relatou que Musk espera com ela descobrir como expandir a fortuna de sua empresa para a China – um mercado com potencial enorme para a montadora, que deve aumentar suas vendas anuais para além dos atuais 20 milhões de veículos.

O negócio com a Tencent é um excelente exemplo de estratégia. Os carros elétricos têm, até agora, sido uma decepção, embora com um potencial gigantesco. Ainda não embalou. Suas vendas globalmente somam somente 1% do mercado de automóveis.  A Tesla é a única companhia que se definiu totalmente elétrica. O Model 3 será um teste importante para saber se realmente há um mercado de massa para EVs.

Mas Musk não quer correr nenhum risco. Na melhor das hipóteses, as vendas da Tesla nos EUA poderiam aumentar para 1 milhão até 2020, dando à empresa um pouco mais de 5% do mercado (isso seria melhor do que o que a Volkswagen e a Audi têm juntas agora). E o mercado dos EUA é improvável que coincida com o da China, que já é notavelmente maior.

Então é lógico pivotar para a China, onde o mercado possivelmente pode dar à Tesla mais 10 milhões de unidades anualmente – e com apoio do governo. Mas a real é que a companhia está entre nós apenas há uma década, e ao contrário de outras montadoras mais tradicionais, ainda não estabeleceu um joint venture com uma companhia de carros chinesas para construir Teslas no país, ao invés de importa-los.

Musk recorreu a um ativo poderoso: o valor da empresa e de suas ações (está agora girando em torno de US$ 280). Não é uma companhia barata para investidores, mas se você considerar que carros elétricos fazem parte do futuro, comprar uma parcela de quem está liderando o movimento faz sentido. Os 5% da Tencent, na China, considerando o potencial de crescimento, é um número expressivo.

Como compensação, a Tesla obtém um investidor e um consultor para fornecer à empresa alguma cobertura financeira. A Tencent não vai querer ver sua participação de quase US$ 2 bilhões obliterada – é muito mais provável que compre mais ações.

O histórico de empresas que aderiram à Tesla também é impressionante. Tanto a Daimler como a Toyota chegaram antes da oferta pública inicial e foram vendidas depois que suas participações se valorizaram muito acima do preço do IPO, que estava abaixo de US$ 20.

Porque Musk é um gênio estratégico, ele não perde tempo quando se trata de coisas como esta. Qualquer que seja o nervosismo resultante de aumentos de capital, emissões de dívida e grandes mudanças na propriedade de ações são meros episódios. A única coisa que importa é que a Tesla está se preparando para ser a líder do mundo pós combustível fóssil.

Nós já sabemos que esse ano será um grande ano para a Tesla. O investimento da Tencent o torna ainda maior.

O CEO reconheceu que agora é a hora de jogar financeiramente na defensiva, com um aumento de capital e um novo grande investidor. O importante é notar, naturalmente, que ele na real está na ofensiva, definindo o futuro da Tesla antes que ele possa ser definido por forças que ele não pode controlar.

(via Business Insider)

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