Conheça a startup que vale US$ 12 bi e quer revolucionar medicina regenerativa

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Por Lucas Bicudo

6 de abril de 2017 às 16:12 - Atualizado há 4 anos

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Samumed é uma startup de biotecnologia que vale US$ 12 bilhões e você provavelmente nunca ouviu falar. A companhia de San Diego levantou US$ 300 milhões em investimentos e um valuation de impressionar, graças a um pipeline de tratamentos revolucionários para regenerar cabelos, pele, ossos e articulações.

Ela oferece a promessa de inverter as condições relacionadas ao envelhecimento. Parece muito bom para ser verdade – e a companhia tem noção disso.

“Nós recebemos essa reação de qualquer pessoa que ouve nossa história”, comenta o CEO Osman Kibar.

Esse ceticismo só cresceu com o alto valuation da empresa, que agora é um dos maiores para uma empresa privada de biotecnologia. A lista de investidores – que não são especializados em saúde – e o sigilo sobre sua ciência também levantaram questões.

Cevdet Samikoglu, Diretor Financeiro da Samumed, entende tudo isso. Na verdade, ele fez muitas das mesmas perguntas. Samikoglu conheceu Kibar há mais de 30 anos, quando ambos frequentaram o Robert College, um colégio em Istambul. Kibar tinha trabalhado com capital de risco, lançou uma empresa que mais tarde foi vendida para a gigante farmacêutica Novartis, e, eventualmente, criou uma incubadora, onde se deparou com a tecnologia que se tornaria a espinha dorsal para Samumed.

Samikoglu se tornou um investidor da startup só em 2007, época em que também era cético sobre a promessa tecnológica.

“Eu sempre brigava com Kibar sobre isso. Quando entrei a bordo, nos primeiros meses, eu não acreditava onde estava me metendo, no potencial que tinha. Hoje nós temos a molécula que provavelmente carrega a resposta para o que propomos. Mas pegá-la e transformá-la em uma medicação é o esforço de uma década”, diz.

Bem, uma já passou. E o projeto evoluiu. Só que antes de ir ao mercado, seus tratamentos precisam ser aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration). Isso pode levar um tempo ainda.

Sabemos qual é o objetivo da startup. Mas como funcionaria?

Seu corpo está equipado com algo chamado células-tronco progenitoras. Estas células são responsáveis pela reparação e reposição de órgãos específicos no corpo. Por exemplo, uma célula-tronco mesenquimal da linhagem osteoblástica pode ser acionada para reparar um osso que esteja danificado. Esse processo tem algo a ver com a via WNT, um conjunto de proteínas que fazem com que essas células-tronco entrem em ação.

À medida que envelhecemos, nossos níveis de WNT começam a ficar fora de equilíbrio. Tomemos o exemplo de células-tronco mesenquimais. “Se os níveis de atividade WNT já não estão tão saudáveis, de tal forma que não está auxiliando a regeneração de um osso machucado apropriadamente, você pode desenvolver osteoporose.”

O que a Samumed espera fazer é manipular o caminho que faz com que essas células-tronco progenitoras entrem em ação, para que elas não causem essas doenças.

Por exemplo, a startup tem um tratamento para a alopecia androgenética, uma forma comum de perda de cabelo. A ideia é que, usando o tratamento, as pessoas serão capazes de regenerar alguns dos seus folículos pilosos perdidos, que são a camada de células e tecido conectivo que envolvem a raiz de um cabelo e são críticos para o seu crescimento.

Até agora, os dados parecem promissores.

Um ensaio de fase dois (a que as drogas são colocadas ao lado de um placebo para ver se elas funcionam como pretendidas e se são seguras) apresentado em 2016 para a Academia Americana de Dermatologia, selecionou cerca de 300 homens, entre 18 e 55 anos, que foram divididos em três grupos: um grupo placebo, um grupo que recebeu uma dose de 0,15% do tratamento, e um grupo que recebeu uma dose de 0,25%. Ao fim de 135 dias de testes, aqueles que receberam a dose mais baixa tiveram a maior taxa de crescimento de pelos – 10%. Aqueles que receberam a dose mais elevada viram um aumento de aproximadamente 7%. E aqueles no placebo, sem nenhuma surpresa, continuaram a perder o cabelo.

Em um segundo estudo, 49 homens foram divididos nos mesmos três grupos. Eles fizeram uma biópsia da pele de suas cabeças depois de 90 dias de tratamento e mais uma no 135º dia. Isso deu aos pesquisadores uma noção do que estava acontecendo no nível do folículo piloso. Aqueles nos 0,25% tiveram um crescimento folicular ligeiramente maior do que o grupo de 0,15%.

Para obter uma imagem ainda melhor de como os tratamentos funcionam a longo prazo, a Samumed está criando um outro ensaio de fase dois que irá incluir ambas as doses para descobrir qual é a melhor para usar em um estudo de fase três – esse que poderia definir o tratamento para aprovação do FDA.

E mesmo assim, ainda há algum ceticismo sobre quanto tempo os efeitos vão durar.

Enquanto o programa de perda de cabelo da Samumed pode ter mais dados até agora, seu programa de osteoartrite é o mais próximo de entrar em um teste de fase três. A ideia é regenerar cartilagens de joelhos danificados pela osteoartrite. Se bem-sucedido, será o primeiro da história.

Se esses tratamentos forem aprovados, revolucionará a medicina regenerativa, para não mencionar a promessa de tratamentos antienvelhecimento.

(via Business Insider)

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