Excesso de confiança fez empreendedor recusar US$ 740 milhões e acabar com nada

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Por Lucas Bicudo

10 de janeiro de 2017 às 10:55 - Atualizado há 4 anos

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Confiança é um dos ingredientes primordiais para empreendedores. É o que os fazem dar saltos de fé, encararem gigantes do mercado e suportarem rejeições incontáveis. Mas por outro lado, ela pode ser vista como arrogância – coisa que só o tempo dirá se é um ou outro.

Quando Eric Migicovsky lançou uma campanha lá em 2012 no Kickstarter para financiar sua companhia de smartwatches, a Pebble, ele inicialmente buscava por US$ 100 mil. Bem, a meta foi atingida em poucas horas e, eventualmente, superou a marca para mais de US$ 10 milhões. Foram 85 mil pedidos registrados.

O sucesso da empreitada e as subsequentes campanhas do Kickstarter, junto com a atenção que a mídia deu em cima do fenômeno, sem dúvidas fizeram com que Migicovsky acreditasse em sua empresa e nos prospectos de crescimento, à ponto de ele rejeitar uma oferta de US$ 740 milhões da Citizen, uma relojoaria japonesa de 86 anos.

O empreendedor descartou ainda a potencial ameaça do Apple Watch antes dele ser lançado. “Eles estão focados em ser o Rolex ou o Tag Heuer dos smartwatches”, disse. “Nós estamos tentando ser o Swatch dos relógios inteligentes”. As coisas não foram bem assim. O relativo sucesso do relógio da Apple fez com que as vendas da Pebble despencassem – e aí surgiu uma segunda proposta, dessa vez no valor de US$ 70 milhões, feita pela Intel. Também recusada.

Lembra do começo do texto? Que o tempo dirá se a confiança é propulsor do sucesso ou simplesmente arrogância?

Hoje, Migicovsky está vendendo o software e a propriedade intelectual da Pebble ao concorrente Fitbit, por menos de US$ 40 milhões, em um acordo que trata principalmente da contratação de engenheiros da empresa, segundo informações do Bloomberg.

O preço de venda é menor do que a dívida da startup, que a Fitbit não está adquirindo. A Pebble venderá seu estoque separadamente. Ou seja: basicamente, Migicovsky não conseguirá NADA desta operação.

O crescimento vertiginoso e a dura queda da empresa de Migicovsky é um dos clássicos exemplos de confiança transbordando no Vale do Silício. Poucas decisões são tão difíceis para empreendedores como saber quando vender seus negócios. No final, é onde está o perigo ou a recompensa.

Em caso de recompensa, veja o caso de Evan Spiegel, que recusou a oferta de US$ 3 bilhões do Facebook pelo Snapchat, quando a startup era apenas uma novidade, apenas mais uma das unicórnios de tecnologia. Foi um choque. A transação poderia render ao CEO a bagatela de US$ 750 milhões em dinheiro, só para ele.

Agora, o Snap se reinventou, possui uma série de produtos (incluindo um wearable próprio), e pode estar rumando a um IPO, que colocará seu valuation em US$ 25 bilhões. É raro, entretanto. Caso trivial.

Outro exemplo do que pode ser visto como arrogância: Andrew Mason. Ele decidiu não vender o Groupon por US$ 6 bilhões para o Google e hoje o site vale US$ 2,3 bilhões. Talvez o exemplo final de excesso de confiança de um fundador minando o sucesso de sua empresa é Jerry Yang, co-fundador e ex-CEO da Yahoo. Ele rejeitou uma oferta de US$ 44,6 bilhões da Microsoft em 2008, afirmando que a proposta subvalorizava seu potencial de marca. Hoje a empresa foi vendida para a Verizon por US$ 4,8 bilhões.

É um assunto que rende ainda muita discussão. A questão é: para grande parte dos empreendedores, transformar uma campanha de US$ 100 mil no Kickstarter em uma companhia que vale US$ 40 milhões é um sucesso além do imaginável. Para Migicovsky, é apenas um consolo por seus excessos.

(via QZ)

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