"A última mensagem que eu quero deixar não é a de que eu esteja segurando minha cadeira"

Antes da prisão nesta segunda-feira, Ghosn fazia planos para deixar a cadeira de CEO da Renault antes que seu mandato terminasse em 2022

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Hoje Carlos Ghosn, presidente do conselho da Nissan e CEO da Renault, foi detido em Tóquio, acusado de sonegação fiscal. Segundo a Nissan, uma investigação interna descobriu que o executivo declarava um salário muito menor do que recebia, entre outras más condutas. Como resultado, a empresa pediu a demissão de Ghosn.

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Até o momento, Ghosn não se manifestou publicamente sobre o assunto, mas declarações passadas revelam que o presidente do conselho da Nissan não considerava seu salário baixo e muito menos planejava sair tão cedo da multinacional. De fato, não havia muito com o que se preocupar: a trajetória do executivo e seus feitos de reerguer a própria Nissan de uma quase falência no final dos anos 90 eram mundialmente admirados. Principalmente no Japão, onde ele chegou a ser homenageado em mangás.

Em junho, Carlos Ghosn cedeu uma entrevista para o Financial Times (FT) onde o alto valor de seu salário veio à tona. Ele era um dos líderes mais bem pagos da indústria e, em 2016, teria chegado a embolsar € 15 milhões da Renault e da Nissan. Ao ser questionado se seu salário não era alto demais, o executivo teria negado: "Você não terá nenhum CEO dizendo: 'Eu sou excessivamente compensado'. Não cabe a mim, o conselho é soberano sobre isso."

As fraudes fiscais cometidas por Ghosn, segundo a agência Kyodo, ocorreram durante cinco anos, entre 2010 e 2015, período no qual ele recebeu quase 10 bilhões de ienes e teria declarado somente metade do valor.

O CEO da Renault também comentou para o FT sobre sua possível aposentaria, afirmando que o momento de saída seria crucial, uma vez que leva junto uma mensagem. O plano de Ghosn era deixar o papel de executivo-chefe da Renault antes que seu mandato terminasse em 2022. "A última mensagem que eu quero deixar não é a de que eu esteja segurando minha cadeira", afirmou ele para a FT.

Em relação às acusações de Ghosn, a Renault afirmou que aguarda mais informações sobre o caso, enquanto que a Mitsubishi e a Nissan já propuseram a remoção do executivo dos cargos em ambas empresas. Apesar de não ser exatamente como Ghosn planejava terminar seu mandato nas multinacionais, sem dúvida sua saída deixa uma mensagem.

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