StartSe em Israel: reconhecimento facial acerta 92% dos terroristas

Faception analisa imagens em tempo real para emitir alertas sobre indivíduos. Tecnologia pode ser usada na venda de produtos

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Não dá para falar sobre a proposta desta startup sem flertar com a polêmica em torno da classificação de pessoas por aparência. Shai Gilboa, um dos fundadores da Faception e empreendedor em série, sabe disso e apresenta dados impressionantes sobre a tecnologia que sua empresa desenvolveu para identificar personalidades a partir de imagens faciais.

Numa conversa regada a café e visões sobre o futuro, Gilboa recebeu este correspondente do Startse para uma entrevista. Confira os principais pontos:

Qual problema resolve?

Muitos dos ataques terroristas ocorridos recentemente foram perpetrados por indivíduos sem histórico em órgãos de segurança e que, portanto, não poderiam ser detectados apenas pelo cruzamento entre bancos de dados. As autoridades estão, cada vez mais, se preparando para perigos de lobos solitários.

Como resolve?

A Faception reuniu um time de engenheiros, psicólogos e geneticistas que afirmam ser possível reconhecer traços da personalidade de um indivíduo de acordo com sua aparência física. A solução analisa medidas biométricas da face para calcular um índice de risco para determinados padrões de comportamento, por exemplo o de um terrorista. A tecnologia não captura o humor ou os estados emocionais momentâneos de uma pessoa. A startup não revela quais os critérios biométricos utilizados, mas garante que não se vale de gênero, raça ou etnia. Os parâmetros do algoritmo são constantemente revistos para aperfeiçoar os resultados.

O coração da polêmica

Nossos genes e/ou aparência determinam nosso comportamento? Não será possível mudarmos de personalidade ao longo de nossas vidas? Todos não deveriam ser tratados como iguais? E como fica a nossa privacidade? Essas são apenas algumas das perguntas que surgem ao escutarmos sobre este tipo de tecnologia e foram os questionamentos que fiz ao representante da empresa. Recebi algumas respostas interessantes. Segundo Gilboa, não somente a aparência interfere em nosso comportamento, como nosso comportamento afeta nossa aparência. Uma pessoa agressiva, diz ele, possui padrões hormonais que afetarão suas características físicas e até mesmo sua carga genética, como afirma um novo campo da Biologia, chamado de Epigenomia (mais infos aqui).

Em defesa da tecnologia, o representante da Faception afirma que a solução apenas gera alertas a serem confirmados por outros procedimentos. Por exemplo, imagine um estádio ou aeroporto: aqueles identificados como de maior risco poderão passar por um procedimento de segurança mais rígido do que os demais.

Mais de 20 perfis e outras aplicações

Embora segurança e contraterrorismo sejam os campos prioritários da empresa, já foram identificados mais de 20 perfis de comportamento. Por exemplo, para reconhecer perfis de clientes mais ou menos propensos ao consumo em uma loja e, possivelmente, orientar os vendedores sobre como agir nestes casos. Outros campos identificados: recursos humanos, análise de crédito, análise de sinistralidade (seguros), etc.

Em fase de testes

A tecnologia está em fase de testes e sob contínuo aperfeiçoamento. Numa POC (prova de conceito), foi analisada uma amostra de indivíduos ‘normais’ e comprovadamente pedófilos e conseguiu-se distinguir os dois grupos com 92% de precisão.

Brasil

A empresa busca representantes e distribuidores em vários países, inclusive no Brasil. Ela atua no licenciamento de sua tecnologia e não diretamente em cada um dos seus mercados.

Este conteúdo faz parte do projeto StartSe no Mundo, uma viagem empreendedora por mais de 40 países. Conheça o site do projeto clicando aqui e inscreva-se para receber conteúdos exclusivos ao longo da jornada, que podem inspirá-lo e ajudá-lo a empreender.

*Michel Bekhor é jornalista e fundador da assessoria de imprensa para startups Press Works (www.pressworks.com.br). Já trabalhou em empresas como SAP, Oliver Wyman e A.T. Kearney, e na startup AlôHelp. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, em Marketing pela University of New South Wales e certificado em Assessoria de Imprensa pelo Senac.

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