Veja como os principais investidores-anjo do Brasil calculam o valuation de uma startup

Avatar

Por João Kepler Braga

23 de abril de 2015 às 16:02 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Existem vários investidores-anjo que eu admiro no mercado, um deles é sem dúvida o Fernando Campos. Não pela obviedade por ele ser conhecido no mundo Empreendedor, mas principalmente pela sua capacidade de se dedicar, de se expressar e de compartilhar seus conhecimentos.

Eu e o Fernando temos várias coisas em comum, inclusive concorremos ao prêmio Spark Awards da Microsoft como investidor-anjo do Ano em 2013 e 2014, mas principalmente pelo quesito “mão na massa” que aplicamos nas nossas investidas. Somente para ter uma ideia, Fernando assumiu recentemente como CEO de uma de suas investidas, a Nuuvem, não porque o negócio estava mal, mas porque nas palavras dele: “Precisa sentir este negócio por dentro e viver essa experiência novamente e participar do crescimento internacional”.

Quer ter sucesso com sua startup? Cadastre-se no StartSe e fale com investidores, mentores e aceleradoras. Acesse www.startse.com.br. É gratuito.

Estivemos juntos no Demo Day da aceleradora StartYouUP em março, onde participamos compondo a banca de investidores convidados. Fernando abrilhantou o ótimo evento com uma pequena Palestra, que na verdade foi uma aula sobre o que é investimento-anjo não somente para a plateia, mas pra mim também. Por isso compartilho o melhor slide da incrível palestra do Fernando Campos e logo abaixo uma rápida entrevista sobre a explicação do slide VALUTANTION.

Fernando, baseado nesse slide da sua Palestra, exibido logo abaixo, quais são os fundamentos para calcular o Valuation de uma Startup?

“Em negociação com startups os fundamentos são escassos. Debater valuation com empreendedores pode ser uma tarefa árdua e desgastante, por conta disso o investidor precisa achar uma maneira para mensurar se o que está sendo pedido pelo empreendedor faz algum sentido. Neste modelo o que fazemos é um conta reversa. Tentamos estimar o valor presente da empresa após o período de investimento quando, em tese, os resultados serão mais concretos.

Então você faz por estimativa?  Existe algum mecanismo que você usa para checar essa possibilidade?

Por mais que essa estimativa seja apenas isso, uma estimativa, e que possua a mesma fragilidade de outras ao tentar mensurar o valor futuro de uma empresa que mal saiu do papel, ela serve para dar um base aos valores que estão sendo pedidos, uma forma de reality-check, que permite ao investidor verificar se em um cenário razoável o investimento que está sendo feito tem chances de dar o retorno esperado.

Então na prática como é que é feito esta estimativa? O Ebitda faz diferença?

Basicamente iniciamos o processo tentando definir o valor da empresa em seu ano de saída do investimento, digamos 5 anos. Pegamos o resultado estimado pela mesma e utilizamos médias de mercado para estimar seu valor, neste caso um múltiplo do EBITDA esperado. Em seguida, calculamos quanto nós, investidores, esperamos obter com esse investimento nestes 5 anos. Se esperamos ter um retorno de 50% ao ano, nossos R$200k deverão que valer R$1,6M no momento da saída. De posse destes dois primeiros resultados já sabemos que precisamos possuir pelo menos 6% da empresa na saída para que nosso investimento tenha o retorno desejado.

Entendido quanto ao equity estimado de saída. Uma segurança adicional em relação a diluição futura?

Por fim levamos em consideração a diluição futura, uma vez que nestes 5 anos a empresa muito provavelmente necessitará de mais rounds de investimento. Considerando 3 rounds futuros que diluirão sua participação em cerca de 30% cada, temos uma diluição total de 66%, ou seja, a participação final que você terá na empresa será 1/3 da inicial. Neste caso, como sabemos que temos que uma participação final de cerca de 6%, nossa participação inicial deverá ser de no mínimo 17,7% pelos R$200k solicitados pelo empreendedor, o que indiretamente nos dá o valuation que justifique estes números, neste caso, R$1,13M”