Uma ode ao fracasso e sua importância!

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Por William Castro Alves

23 de agosto de 2016 às 12:08 - Atualizado há 4 anos

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No livro Tudo é Óbvio: desde que você saiba a resposta (WATTS J., DUNCAN Editora: Paz e Terra), há um interessante trecho sobre a suposta origem do sucesso da obra de arte mais famosa da História: a Mona Lisa. Por que aquele quadro ficou tão famoso? Não é intrigante? Não, não estamos falando do sorriso inigmático dela, mas porque tal quadro ganhou tamanha importância na história da arte?

Até meados do século XIX, o quadro era praticamente desconhecido por quem não transitava pelo mundo da arte. Prova disso é que estava exposto em pé de igualdade entre duas outras pinturas renascentistas no Salon Carré do Louvre. Especialistas atribuem motivos diversos à singularidade da obra, desde a utilização de sofisticadas técnicas de pintura até a própria reputação e genialidade inquestionável de Leonardo da Vinci…mas ainda assim era apenas mais uma bela obra, tal qual outras do Louvre. Até que em 1911 o quadro foi furtado do museu por um de seus próprios funcionários, o italiano Vicenzo Peruggia. Em um ato que provavelmente considerava patriótico e em conluio com duas pessoas que planejaram o furto para se beneficiar da futura venda de cópias do original, Peruggia manteve o quadro em sua residência, tendo alegado posteriormente que ele deveria voltar para sua origem, isto é, a Itália. Durante o período de sumiço do quadro – pouco mais de dois anos – o episódio chegou a abrir um precedente diplomático entre França e Itália, ganhando proporções épicas depois de ninguém menos que Pablo Picasso também ser considerado suspeito do crime.

Nos anos que se seguiram, entre psicopatas (literalmente) e populares atentando contra a integridade do quadro, a História se encarregou de atribuir uma fama e sucesso exponenciais a uma obra que, outrora, despertava sim interesse, mas nem de longe no nível observado após tais acontecimentos. A partir de então, especialistas e o público em geral entraram no que Duncan chama de “praticidade do senso comum”: é mais fácil encontrar respostas para as perguntas do que se debruçar sobre os métodos que levaram àquelas respostas.

Ok, legal…mas eaí o que isso tem a ver com empreendedorismo?

Simples! É muito mais fácil ou aparentemente excitante, estudar e explicar os motivos que levam a um sucesso do que aqueles que culminam em um fracasso! Quantos de vocês já leram algum livro que relata fracassos? Ou histórias de fracassados? Todo mundo prefere “Um Sonho Grande” (uma alusão ao livro de Jorge Paulo Lemman da Ambev)  a ouvir as histórias de “n” marcas de cerveja que desapareceram não é mesmo?

Fora dos negócios até é possível que haja interesse em casos como o de Garrincha que morreu pobre, ou diversos artistas que viveram vidas miseráveis…mas e no mundo dos negócios?  E veja que estatisticamente faria sentido analisar os fracassos dado que eles são muito mais numerosos! Existe um oceano inteiro de fracassos que foram relegados a notas de rodapé na história do empreendedorismo.

O próprio Brasil poderia ser considerado um “case” de fracasso econômico ao ser observado sobre o contexto histórico do desenvolvimento. Parece que não sabemos lidar bem com este…não à toa, os negócios e empreendimentos nacionais de maior relevância apresentam modelos testados e comprovados em outras partes do mundo. O risco que corre uma nação que não arrisca está justamente aí: ser levada pelas mudanças e não protagonizá-las.  Ironicamente, as tentativas de ignorar e/ou expurgar o fracasso em uma cultura podem fazer com que uma nação, em seu conjunto, se mova cada vez mais em direção a ele…seria esse o nosso caso? Talvez…quem sabe…

Nossa opinião: mudar a perspectiva e a forma de lidar com o fracasso é uma profunda revolução prática que faz com que o indivíduo deixe de se lamentar apenas pelo deveria ter feito, mas passe a focar naquilo que ele fará dali em diante. Isso converge para o aspecto mais importante do empreendedorismo: executar! Acreditamos fortemente que todo sucesso é formado por uma jornada instável de fracassos, sejam grandes ou pequenos e que o fracasso diz respeito a eventos e não a pessoas.

Com isso em mente, vamos aqui nos debruçar sobre os fracassos mais legais…as histórias de insucessos mais interessantes…os caras que acreditavam que iriram dominar o mundo e acabaram dominados pelas dívidas…a ideia aqui é oferecer ferramentas para que empreendedores, ou apenas curiosos, tirem suas próprias conclusões sobre casos concretos de fracassos. O objetivo não é fazer juízo de valor, mas sim aplicar o conhecimento derivado destes casos às suas próprias realidades,

Por ora, deixo vocês tirarem suas próprias conclusões e passearem livremente por aquele que certamente pode ser incluído no hall dos fracassos mais bem-sucedidos da História:

trafodata

Autores: Diego Alexandre Muniz e William Castro Alves (Agosto/2016)