Tim Cook está preocupado com o Brasil e acha iPhone caro demais para nós

Tem sido política da Apple de defender suas margens, repassando diferenças cambiais, por exemplo, para os produtos fora dos Estados Unidos

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Por Da Redação

27 de janeiro de 2016 às 15:07 - Atualizado há 4 anos

A Apple deverá registrar a primeira queda de vendas do iPhone em sua história no final deste trimestre, mostrou os resultados da empresa divulgados na última terça-feira (27). E isso se deve ao fato de que os preços estão cada vez mais caros em um mundo que está cada vez mais (comparativamente) mais pobre. 

Tem sido política da Apple de defender suas margens, repassando diferenças cambiais, por exemplo, para os produtos fora dos Estados Unidos – algo que ela vem fazendo aos poucos. Por isso, ela enfrenta um problema que Tim Cook já entendeu e já sinalizou: ter que aumentar preços para defender margens também afeta a demanda e prejudica as vendas no longo-prazo.

Em teleconferência para falar dos resultados da empresa, ele mostrou preocupação com alguns países: China, Brasil, Rússia, Japão, Canadá, Austrália e Turquia – fora o sudeste asiático e a Zona do Euro, que também sofrem com isso. E ainda ressaltou dois deles em especial, onde a situação é mais grave: Rússia e Brasil. 

O dólar subiu forte contra praticamente todas as moedas e quase alcançou o Euro. Com isso, as receitas fora dos Estados Unidos da Apple tiveram que crescer 15% em dois anos só para ficar no mesmo patamar dolarizado que antes. 

Durante a teleconferência, Luca Maestri, chief financial officer da Apple, admitiu que defender as margens pode ser problemático: “preços mais altos afetam a demanda, então estamos prevendo isso em nosso guidance (uma queda de 11% nas receitas)”. 

Cook concordou com Luca e disse que no longo-prazo, aumento de preços pode prejudicar a empresa. E isso tem feito os celulares Androids, mais baratos que o iPhone, ganhar mercado frente o aparelho da Apple – o único país que viu o iPhone ganhar mercado foi a China, e isso antes do calvário econômico começar por lá. No último trimestre, a Apple perdeu a liderança nos Estados Unidos e na Austrália, permanecendo no topo apenas no Japão.